Senado cria comissão para investigar escândalo de Itaipu que respinga em Bolsonaro

Segundo o requerimento do senador Jaques Wagner, a comissão deveria investigar a "tentativa de favorecimento ilegal a uma empresa brasileira que atua na área de energia, a Leros"

Foto: Agência Brasil

Jornal GGN – O senador Jaques Wagner (PT-BA) conseguiu aprovar nesta quinta-feira (8), na Comissão de Relações Exteriores do Senado, uma subcomissão para investigar o escândalo do acordo de Itaipu, que levou o governo do Paraguai a uma crise que pode custar o mandato do atual presidente, Mário Abdo Benitez, e do vice, Hugo Velazquéz.

O caso respinga em Jair Bolsonaro porque o tratado teria sido alterado por lobistas para favorecer uma empresa brasileira de energia, a Leros, que teria sido associada à família do presidente.

A Leros teria demandado exclusividade na compra de energia excedente de Itaipu, removendo do acordo a possibilidade da estatal paraguaia fazer a distribuição no mercado brasileiro. O empresário Alexandrino Giordano teria sido o brasileiro, suplente do senador Major Olímpio (PSL), a afirmar que a Leros tem ligações com a família Bolsonaro. Depois que o caso veio à tona, ele negou a informação divulgada pela imprensa paraguaia.

Segundo o requerimento de Wagner, a comissão deveria investigar a “tentativa de favorecimento ilegal a uma empresa brasileira que atua na área de energia, a Leros”. Além disso, deve “fazer gestões junto ao Senado do Paraguai, no sentido de distender o clima de apreensão e desconfiança criado por negociações sigilosas e malconduzidas.”

Leia abaixo o requerimento (Req 052/2019) aprovado no Senado:

Senhor Presidente,

Requeiro, nos termos do art. 73 do Regimento Interno do Senado Federal, a criação de Subcomissão Temporária, composta de 3 (três) membros titulares e igual número de suplentes, para, no prazo de 60 (sessenta) dias, informar-se inteiramente sobre tentativa de favorecimento ilegal a uma empresa brasileira que atua na área de energia, a Leros, à qual fora prometida a venda de energia excedente do Paraguai no mercado livre de energia do Brasil a preços e condições imbatíveis, gerando grande sensibilidade política, no contexto das relações bilaterais Brasil/Paraguai. Ao mesmo tempo, fazer gestões junto ao Senado do Paraguai, no sentido de distender o clima de apreensão e desconfiança criado por negociações sigilosas e malconduzidas.

USTIFICAÇÃO

Tal renegociação, ocorrida em inexplicável sigilo, resultou na elaboração de uma Ata que modificava parte do texto do Tratado de Itaipu, com o objetivo de aumentar a energia contratada pelo Paraguai naquela hidrelétrica Tal Ata provocou imensa comoção no Paraguai, com acusações de que os negociadores traíram os interesses paraguaios, pois essa modificação na quantidade de energia contratada provocaria aumento no preço da energia elétrica consumida por nosso vizinho. Como resultado, caíram de seus cargos o Ministro da Relações Exteriores do Paraguai e várias outras autoridades paraguaias. O próprio presidente do Paraguai, Mario Abdo, está ameaçado de juicio político (impeachment), por ter conduzido as negociações. Para agravar o quadro, a imprensa do Paraguai divulgou, com base em mensagens trocadas por autoridades paraguaias, que teria havido tentativa de favorecimento ilegal a uma empresa brasileira que atua na área de energia, a Leros, à qual fora prometida a venda de energia excedente do Paraguai no mercado livre de energia do Brasil a preços e condições imbatíveis. Independentemente dos interesses legítimos do Brasil em tal renegociação, é forçoso reconhecer que seus resultados foram desastrosos para nosso país. É preciso lembrar que o tema Itaipu é de grande sensibilidade política, no contexto das relações bilaterais Brasil/Paraguai. Nesse sentido, a intensa repercussão negativa dessas renegociações no Paraguai compromete as relações bilaterais com o Brasil e lança sombras sobre a revisão do Anexo C de Itaipu, que terá de ser inteiramente reformulado em 2023. Caso essas relações bilaterais sejam azedadas, o Brasil correrá o sério risco de ficar sem a energia que o Paraguai não usa em Itaipu.

SF/19162.42302-46 (LexEdit)
Assim sendo, julgamos urgente e prioritário que o Senado Federal envie comissão ao nosso querido vizinho para informar-se inteiramente sobre tal questão e, ao mesmo tempo, fazer gestões junto ao Senado do Paraguai, no sentido de distender o clima de apreensão e desconfiança criado por negociações sigilosas e malconduzidas. Nesses termos, pedimos o apoio dos nobres pares a essa importante propositura.

Sala da Comissão, 7 de agosto de 2019.
Senador Jaques Wagner (PT – BA)

 

3 comentários

  1. Ih, a Ambev não é do Lehmann, que tá mordendo o setor elétrico? Será que os molecoes da lava jato se ligaram nisso antes de aparecerem com mais essa incriminação premiada?

  2. Esta família quer aumentar o patrimônio na base do lero lero e através da dinâmica de atacar pela “lateralidade”, tática comum no milicianismo. Diz-se que o diabo derruba pelas lateralidades, por uma fraqueza, vício ou pecado específico. Na ambição, logo de início de mandato em montar um esquema para usufruir às custas de prejuízos da população vizinha ao Brasil, foi pensado este acordo lesa pátria. Pelo que se sabe, já dá para calcular o valor provável a que a empresa obteria?
    As já comuns coincidências, quando se fala dos malfeitos dos Bolsonaros pode nos levar a crer que a história não é só um lero-lero: Os Bolsos que se acostumaram na vida política de cada um deles a usar de laranjas, criaram o partido do laranjal, agora tinham um laranja que conseguindo ter sucesso no acordo lesa a pátria, provavelmente viraria senador ao “remanejarem” o major para alguma posição governamental que ficasse fácil controlar o negócio. O laranja da empresa parece que é dono das salas (no mesmo prédio da Leros) onde fica o diretório paulista do partido dos laranjas, que é gerido pelo filho-embaixador-amigo-do-filho-do-presidente-paraguaio-inclusive. Para aumentar as coincidências, o logotipo da Leros é laranja.
    Agora o caso é de tal gravidade que pôs a nação vizinha nas ruas a pedir pelo impedimento do presidente. Será que a mídia brasileira, agora abatida por mais um tiro em sua receita nas áreas impressas, através do mais recente revanchismo bolsonariano (bem vindo aliás, pois era um desperdício de papel por causa desnecessária) vai investigar a fundo, pois esta lateralidade pode colocar os Bolsos mais próximos do desfiladeiro.

    http://www.grupoleros.com.br/

  3. Espero que esta comissão abra mais uma caixa-preta desta quadrilha que o “povo brasileiro” colocou no poder!
    Cegueira e idiotização comandadas pelos rentistas do grande capital em conluio com o agronegócio em obediência cega ao tigre de papel trump, estão levando nosso país à bancarrota com a perda total da nossa soberania e patrimônio!
    LULA LIVRE JÁ! Todos na Rua 13AGOSTO!!

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