A ciência dos efeitos do homem sobre o clima do planeta está em polvorosa desde o começo do século. O número de papers tratando sobre os efeitos do aquecimento global sobre diversos aspectos, os quais vão desde a dinâmica populacional de insetos até efeitos sobre a diversidade e estrutura microbiana de solo e água, só faz crescer. Até aí tudo bem. No entanto, o ponto crítico é dado a partir de algumas reclames de pesquisadores, os quais obtiveram dados contradizendo o senso comum que vem se materializando em torno das chamadas mudanças climáticas. Notem, eu disse “alguns pesquisadores”, e esse quantitativo faz muita diferença quando falamos de ciência
Alguns artigos aqui do Blog já destacaram o ponto que vou escrever. Entre eles o do professor Renato (Desvendando a espuma: o enigma da classe média). Trata-se da Ciência como onda. Assim como disse o professor Renato, creio que boa parte do que ocorre hoje com o tema “Mudanças Climáticas” tem haver com aquilo que se convenciona como mérito, aquilo que o faz ser aceito de revistas de “grife”, ou o torne mais fácil de ser aceito.
Uma vez que o financiamento científico depende de publicações de relevância é natural que haja mais casos em que a hipótese nula de efeito do homem sobre as mudanças climáticas esteja sendo recusada. Isso é uma questão quantitativa, a qual está relacionada ao paradigma que vem se reforçando dia após dia. Não se trata de “negar os fatos”. O que me preocupa são aquelas afirmações dizendo que os céticos do clima estão ignorando “milhões de estudos rejeitando Ho”.
Ora, se o que está dando bala para a consecução de pesquisas são as mudanças climáticas, é mais que natural que existam milhões de paper buscando atender o mérito convencionado do momento, com muitos resultados comprovando a hipótese: Ho diferente de 0. Agora, o que se percebe é que duvidar da rejeição desses resultados, premissa essencial na ciência para a boa Ciência, está levando pesquisadores a terem que seguir a onda, independente se ela está certa ou errada. Será que não há nenhum medo nisso? Será que pela primeira vez temos um consenso na Ciência?
Isso é perigoso demais, a meu ver, porque daqui a algumas décadas, caso as teorias por tratos de modelos matemáticos (por mais que sejam bem elaborados e complexos) não solidifiquem o degrau desse conhecimento (Homem afeta Clima), poderemos ter passado anos matando a Ciência tendo certezas demais, olhando para outro lado com a soberba não condizente com o que há de mais interessante em fazer pesquisa: o contraditório.
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