Supermente, Inconsciente Coletivo e sugestão de In-Avatar

 

A SUPERMENTE, A SUGESTÃO DE IN-AVATAR E O INCONSCIENTE COLETIVO

 

InAvatar citou a questão do Inconsciente Coletivo pesquisado por Jung. Quero aproveitar a ocasião para expor a minha concepçao de Inconsciente Coletivo, de Banco de Dados das experiências das espécies e de Supermente.

     Vejo o Inconsciente Coletivo como o banco de dados das experiências da vida na Supermente. Jung pesquisou o inconsciente coletivo dentro dos limites da psicanálise e das experiências humanas. 

 

Jung, o Inconsciente Coletivo e a Supermente

 

   Jung propõe um inconsciente coletivo onde estariam localizados os arquétipos raciais da espécie humana e que se fariam simbolizar nas lendas e nos seres mitológicos que induziriam comportamentos sociais já experimentados face aos imprevistos da sobrevivência. Mas os arquétipos não são apenas os ancestrais. Os grupos humanos criam arquétipos a todo instante. Durante a formação das cidades são criados arquétipos que servem pelo resto da vida como modelo de conduta daquela cidade, e os moradores se referem ao comportamento dos fundadores como uma espécie de modelo para gerir a diretriz política e econômica atual. Os arquétipos não são apenas indutores na área da psicanálise, mas na da sociologia, etc…

 

O Banco de Dados de informações das espécies

 

     O inconsciente coletivo visto sem a limitação da psicanálise é como um banco de dados de informações gerais das espécies e influencia tanto na mutação genética das espécies, quanto nas mudanças de comportamento social visando a adaptação ao meio ambiente para garantir a sobrevivência. A supermente não é só uma mente universalizada (Gui de Oliveira sugeriu usar universalizada ao invés de globalizada) e usada apenas pelos seres humanos. A supermente é usada por todos os seres vivos e contém as informações de todos os seres vivos. Quando uma espécie encontra dificuldade para sobreviver e precisa sofrer algum tipo de mutação a fim de se adaptar ao meio, ao longo de muitas gerações ela manda para o inconsciente coletivo (banco de dados) aquela informação de dificuldade de relacionamento com o meio ambiente e aí a engenharia genética natural daquela espécie começa a operar a mutação.

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As características dos arquétipos

 

     Lógicamente que os arquétipos não se caracterizam apenas como modelo de comportamento face a situações parecidas vividas pelos antepassados e transformado em mito para manter o padrão social de algum grupo. Os arquétipos também se caracterizam por informações de necessidade de mudança. Ao longo do tempo, essas informações dos grupos ou das espécies geram comportamentos coletivos que transformam os modelos antigos e processam as mudanças. A década de 70 foi muito profícua na formação de arquétipos mitológicos, como o advento dos Beatles, dos hippies, e que tiveram a função de mudar ao invés de preservar o comportamento da sociedade.

 

O Golpe Militar de 64 e o arquétipo do chefe político

 

     Em contrapartida, normalmente os golpes militares, e vamos citar o golpe militar de 64 no Brasil, tentam preservar comportamentos e conter as mudanças sociais e expressam o arquétipo do rei, do ditador, da figura do chefe do grupo que toma para si a tarefa de comandar e ditar os caminhos que devem ser seguidos, usando jargões do tipo: “preservar a moral”, “preservar os bons costumes”… No Brasil, o golpe militar não preservou nenhuma moral e nenhum bom costume. Pelo contrário, prendeu, torturou, matou e quis impedir que o Brasil avançasse nas idéias de democracia.

 

A localização do Inconsciente Coletivo

 

     Voltando um pouco atrás, as vezes pensamos no inconsciente coletivo como alguma coisa que está em outro lugar e que só os seres humanos se beneficiariam com esse artifício. Ou como interação psicológica do indivíduo com os arquétipos ancestrais. O inconsciente coletivo faz parte da nossa constituição mental. Ele, na verdade, é também o que chamamos de nosso inconsciente de onde surgem muitas informações que chamamos de instinto ou de comportamento coletivo. Quando lá atrás na história os neandertais ou os hominídeos resolveram abdicar do direito natural para aderirem ao direito social, priorizando o melhor para todos em detrimento do melhor para si mesmo, eles deixaram essas informações gravadas na supermente da mesma forma como se perpetuaram através das informações genéticas que estão em nós. Nenhum tipo de informação se perde. Pelo contrário, as informações tem um automatismo que se atrai e organiza o banco de dados nesse grande inconsciente coletivo que existe na supermente e que tem a finalidade de processar as informações gerais diria até do universo à caminho da evolução.

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Os índios brasileiros e o arquétipo da preservação do “recó etê”

 

     Os índios brasileiros possuem o termo “recó etê” que significa o costume verdadeiro, e a cultura deles seria o “recó etê”, o modo de vida deles seria o costume verdadeiro, sendo que o costume dos outros povos seria falso, devendo-se, portanto, abster-se de sair do costume verdadeiro no contato com as pessoas que vivem o costume falso e que não foi ensinado pelos seus antepassados deles. Esse “recó etê” é o arquetipo racial deles, dividindo-se em vários comportamentos arquetípicos.

 

Os arquétipos e a seleção das espécies

 

     No entanto, fora da da psicanálise e da antropologia, na questão da evolução das espécies, com certeza as informações da tensão entre uma espécie e o ambiente hostil à sua sobrevivência, elas criam arquétipos de comportamento que vão ser seguidos pelas gerações subsequentes e promover a mutação daquela espécie. Prefiro usar esse tipo de linguagem para não fugir ao assunto do inconsciente coletivo e do banco de dados das informações dos seres vivos que tenho afirmado existir na supermente. Não vejo a mente como uma identidade pessoal mas apenas como um campo mental unificado capaz de cristalizar experiências ancestrais e gerar arquétipos de conduta social coletiva em grupos humanos, como também de organizar informações sobre uma espécie de planta e criar comportamentos diferentes através de gerações e que a leve a se adaptar e garantir a sobrevivência. Por isso disse que o inconsciente coletivo do Jung está muito localizado na área da Psicanálise e, dessa forma, é conhecido apenas parcialmente conhecido.

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     Acho que me estendi um pouco e fiquei com a impressão de que confundi mais o assunto do que expliquei. Como escrevi diretamente aqui no editor de texto, vou deixar para corrigir as idéias e os erros de gramática mais tarde.

 

     *** Por Marco Aurélio Dias

     Leia também:

 

A TEORIA DA SUPERMENTE E A QUESTÃO LEVANTADA POR FLÁVIO FURTADO

 

A TEORIA DA SUPERMENTE

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1 comentário

  1. Acho também que…

    Acho também que a leitura de certa forma de O Gene Egoísta e os memes possa contribuir para o desenvolvimento. Ao menos um tijolinho, ou um paralelo com as questões de compartilhamento genético, pois muito, por exemplo, da informação genética que há em um ser humano, não se originou em seres humanos, mas foram adquiridas por infecção viral. E estas informações passaram a pertencer ao seres humanos, bem como a outros animais.

    Há uma profusa troca e aquisição de genes entre as espécies, e os limites muitas vezes ficam confusos. A ponto mesmo de o autor propor a unidade como o gene, e não a célula, ou a espécie. O desenvolvimento do raciocínio de dawkins pode ser interessante paralelo para a “supermente”, de alguma forma.

     

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