O alerta climático decorrente das intensas chuvas no Rio Grande do Sul desde segunda-feira (30/04) ressalta uma preocupação que não pode mais ser adiada: a falta de saneamento básico, evidente em 364 municípios do estado sulista, nas residências alagadas e ruas que se transformaram em “cachoeiras de lixo”.
Para Luiz Fazio, presidente da ONG Biosaneamento, que atua em comunidades precárias a fim de universalizar o acesso ao saneamento, “o aumento das enchentes em número e gravidade traz ainda mais urgência para universalização do saneamento básico”.
“Quem não entra em contato com a água pode achar que está limpa, tratada, mas não está. Quem conhece, sabe que tem fezes, cheiro ruim, doença, e representa um perigo para a saúde, podendo inclusive aumentar o número de atendimento nos hospitais públicos”, afirma Fazio.
A relação entre as mudanças climáticas e as enchentes é visível quando bairros periféricos de grandes centros urbanos são afetados, explica Luiz Fazio.
“O aumento das temperaturas causado pelo aquecimento global, com aumento de emissão de gás carbônico, por exemplo, contribui para que enchentes em larga escala ocorram diversas vezes. Ações humanas, atrelado à falta de políticas públicas nestas áreas, impactam a saúde e as estruturas dos estados e municípios”.
Saneamento básico
De acordo com a ONG, acelerar soluções de saneamento básico, principalmente em áreas periféricas de grandes centros urbanos, é uma das soluções para mitigar problemas de enchentes causados por mudanças climáticas.
No cenário atual, mais de 33 milhões de brasileiros vivem sem água tratada e 93 milhões não têm acesso à coleta de esgoto. Os dados mais recentes foram divulgados pelo Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS).
A lei do novo marco legal do saneamento básico, sancionada em 2020, definiu metas para a universalização dos serviços de água e esgotamento sanitário, nas quais todas as localidades do país devem garantir que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% ao tratamento e à coleta de esgoto, até o ano de 2033.
“Embora o novo marco tenha estabelecido metas para a universalização, ainda estamos engatinhando nas ações efetivas para que ela aconteça. Nosso papel é catalisar e apoiar esse movimento”, diz o presidente da Biosanemaento, que já impactou 13 comunidades e 6 mil pessoas com projetos e parcerias.
Tragédia no Rio Grande do Sul
Até o momento, no Rio Grande do Sul, 83 pessoas morreram e 149,3 mil pessoas estão fora de casa, sendo 20 mil em abrigos e 129,2 mil desalojadas, conforme a Defesa Civil.
Deixe um comentário