4 de junho de 2026

Transição energética é a última chance de Lula de transformar país numa potência, diz Nassif

"Antes que o país corra o risco de retroceder frente a um retorno do predatório mercado financeiro e desmonte da era Bolsonaro"

Um projeto de país comandado pelo presidente Lula pode representar a última chance para o Brasil se consolidar como uma potência econômica – à luz da transição energética – antes que o país corra o risco de retroceder frente a um retorno do predatório mercado financeiro e desmonte estrutural liderado por Bolsonaro.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

“Lula tá com a bola. Precisa acordar e entender o desafio que é ter um projeto de país, coisa que ele nunca teve, o que teve foi um projeto fantástico de distribuição de renda, mas aí são políticas compensatórias, não são políticas de desenvolvimento. Você tem a última chance que é essa questão da transição energética”, aponta o jornalista, tendo em vista as oportunidades que o país já perdeu para se tornar uma potência [entenda abaixo].

O jornalista transcorreu sobre o tema durante o programa “Política na Veia”, que vai ao ar toda terça-feira, às 11h. Uma parceria entre GGN, Carta Capital e o podcast Fora da Política Não Há Salvação. Confira o link abaixo.

Segundo Nassif, Lula ainda não demonstrou um despertar para um plano abrangente de desenvolvimento nacional durante seu governo, resistindo à criação de grupos executivos que poderiam acelerar processos cruciais, o que tem ocasionado uma atuação fragmentada de cada ministério.

“Cada ministério atua individualmente, nós já temos um ano e meio de governo. Você pega a Bolsa sendo esvaziada porque o capital que investe em ações não vê oportunidade, então a única coisa que tem aqui hoje, digamos das engenharias financeiras, é comprar estatal, dar o golpe de assumir controle de estatal e vender, depenar estatal para aumentar dividendo”, opina Nassif.

O jornalista Luis Nassif também elencou durante a live momentos que poderiam ter sido um marco para o crescimento econômico do Brasil, mas que acabaram por revelar limitações estruturais e políticas que impediram avanços substanciais.

“O Brasil perdeu três grandes oportunidades de se tornar uma potência”

A primeira oportunidade ocorreu nos anos 30, quando a crise de 1929 forçou Getúlio Vargas a usar capitais da cafeicultura para financiar a industrialização. Já na Segunda Guerra, Vargas explorou alianças estratégicas e lançou bases para estatais que impulsionaram a industrialização no governo JK. Leia mais na análise completa de Nassif >>> Brasil, a última oportunidade de se tornar uma grande Nação.

À luz da desigualdade que atingiu o país com a ditadura militar nos anos seguintes e o endividamento insustentável, uma grave crise econômica marcou o país, com hiperinflação, dívida externa insustentável e instabilidade política durante os anos 1980, período também conhecido como “década perdida”. “Ele [país] tinha tudo, quando você lê os livros de geopolítica, tinha população, matéria-prima, grande extensão de território”.

Um outro momento se dá durante o Plano Real, implementado em 1994, e um marco para a economia brasileira por conseguir controlar a inflação e estabilizar a economia. “Você achava que a partir dali ia disparar, mas aquela financeirização que estava na cabeça do Fernando Henrique matou a indústria Nacional”.

À época, a abertura econômica e as privatizações não foram acompanhadas por políticas eficazes de fortalecimento da base industrial, o que resultou em uma economia que, embora mais estável, impediu o crescimento do país de maneira sustentada e diversificada.

Um terceiro período, segundo Nassif, diz respeito ao boom das commodities já nos anos 2000, momento em que o Brasil cresceu com a demanda global por produtos como soja, petróleo e minério de ferro impulsionando a economia.

Sob a administração de Luiz Inácio Lula da Silva, o país viu avanços sociais e uma significativa redistribuição de renda, no entanto, “o Lula continuava preso àquele modelo do tripé virtuoso do Fernando Henrique, impedindo o deslanche do país”, diz Nassif.

O foco no modelo econômico tripé seguido por Lula e herdado de Fernando Henrique Cardoso, diz respeito às metas de inflação, ao superávit primário e ao câmbio flutuante, cuja junção limitou a diversificação e a industrialização da economia, impedindo que o Brasil aproveitasse plenamente o boom das commodities para construir uma base econômica mais robusta e sustentável.

Ainda, Nassif jogou luz à visão da ex-presidenta Dilma Rousseff, “a única que tinha uma visão dos pontos centrais que produzem o desenvolvimento de países”, apesar da série de problemas políticos e econômicos que marcaram seu governo.

Assista ao programa completo abaixo:

Leia também:

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados