Em entrevista ao programa TV GGN 20 Horas na noite de sexta (17), o sociólogo e coordenador do Núcleo de Segurança Pública na Democracia do IREE, Benedito Mariano, disse que as ameaças de intervenção do governo Donald Trump no Brasil para conter facções criminosas como o PCC e o Comando Vermelho não passam de uma “bravata” e uma “falácia” do presidente republicano.
Segundo o especialista, a caracterização das facções ligadas ao tráfego de drogas como “organizações terroristas” internacionais está equivocada e a investida de Trump serve apenas para fortalecer o discurso da extrema-direita no processo eleitoral brasileiro e desgastar o presidente Lula.
“Trump não vai asfixiar o dinheiro do crime organizado do PCC e do Comando Vermelho. Isso é uma falácia, uma bobagem. O que está por trás disso é fortalecer o discurso da extrema-direita no processo eleitoral. (…) O governo brasileiro tem todas as condições de dizer que a asfixia das facções criminosas vai se dar no Brasil“, disse Mariano.
Mariano sugere que a verdadeira intenção por trás da ameaça de intervenção de Trump pode estar ligada à questão das terras raras no Brasil. O país é o segundo maior detentor de minerais críticos no mundo, atrás apenas da China, sendo que o Brasil mapeou apenas 30% do seu potencial.
Na visão do especialista, o governo brasileiro deve aproveitar o lançamento do programa Brasil Contra o Crime Organizado para dar um xeque-mate em Trump neste assunto.
“Nós temos que fazer com que enfrentamento ao crime organizado seja uma prioridade, independente de quem está no governo. E se esse programa [Brasil contra o crime organizado] trouxer resultados objetivos, em menos de 3 meses o Trump muda de discurso, porque seu discurso é vazio.”
Brasil contra o crime organizado
O governo federal promete lançar até o fim deste mês um programa de combate às facções criminosas. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima, o plano está sendo finalizado e será batizado de Brasil Contra o Crime Organizado.
Na opinião de Mariano (que conversou sobre o programa com interlocutores de Lula), a estratégia do governo federal no combate ao crime organizado deve focar fundamentalmente em atuar no “andar de cima”, asfixiando as facções criminosas e organizações criminosas através do dinheiro do crime. Neste contexto, o novo programa é importante e tem grande expectativa de que seja bem-sucedido.
Mariano enfatiza que, embora tenha havido operações como a “Carbono Oculto” em São Paulo e Piauí, não existe uma ação sistemática no Brasil contra o crime organizado na perspectiva do “andar de cima”. Para ter êxito, o programa a ser lançado pelo governo Lula precisa ser articulado com os Ministérios Públicos, COAF e Receita Federal, pois para ir atrás do dinheiro do crime, a participação dessas entidades é fundamental.
“Espero que o programa tenha êxito articulado com os ministérios públicos, o COAF, a Receita Federal. E ter ações sistemáticas, porque é isso que vai gradativamente diminuir a violência nas periferias e no morro. Esse é o andar de cima que sustenta, que alimenta o crime organizado”, aponta.
Assista à entrevista completa abaixo:
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
19 de abril de 2026 8:12 amAcreditando ser o dono do mundo, o gangster só quer que o PCC pague uma tarifa de funcionamento.
Cansado
19 de abril de 2026 8:28 amÉ só pagar em dinheiro que a fiscalização cai pelo ralo! É muita burrice! Pqp!!!