Chego ao ponto de ônibus às 7:10. Os quatro cachorros da casa do outro lado da rua estão se estranhando. Alguns minutos depois, um vira-lata velho vem subindo a rua. Ele para e urina justamente naquele portão. Unidos, os cachorros presos ladram sob o efeito da evidente provocação. Depois eles ficam cheirando a urina do vira-lata que já sumiu numa rua próxima.
A cena é trivial. Mesmo assim ela me fez lembrar o interrogatório de Lula.
Juízes, procuradores e advogados ocupam posições fixas. Eles devem obedecer todas aquelas regras jurídicas que garantem a funcionalidade, a instrumentalidade, a coerência e a legitimidade do processo. O único vira-lata no processo é o réu. E, no entanto, somente ele tem liberdade para urinar nas formalidades caso elas sejam ou não respeitadas.
Lula seu malandro, gritei para o vira-lata.
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