do G1
Relembre as polêmicas de Joaquim Barbosa como ministro do Supremo
Presidente do STF anunciou que vai se aposentar em junho, aos 59 anos.
No Judiciário, ele discutiu com colegas e entrou em conflito com entidades.

Primeiro negro a ocupar um assento no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Joaquim Barbosa fez história ao ser indicado, em 2003, para a mais alta corte do país. Fluente em quatro idiomas e doutor em direito público pela Universidade de Paris II, o presidente do STF também acumulou polêmicas no período em que atuou no tribunal.
Nesta quinta (29), Barbosa anunciou no plenário que vai se aposentar precocemente no final de junho, aos 59 anos. Pela legislação, ele poderia permanecer no tribunal até completar 70 anos, idade-limite para servidores públicos continuarem na ativa.
Relator do processo do mensalão, que condenou 24 réus, entre os quais o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, Barbosa protagonizou, ao longo dos últimos 11 anos, duros embates no plenário do STF com vários colegas de Corte, entrou em confronto com entidades de magistrados e manteve uma tensa relação com advogados e jornalistas.
O atual chefe do Judiciário, egresso do Ministério Público, se envolveu em sua primeira polêmica como ministro da Suprema Corte apenas um ano depois de tomar posse no tribunal. À época, durante uma sessão na qual o plenário discutia uma liminar (decisão temporária) que havia permitido o aborto de um bebê anencéfalo, ele travou uma discussão acalorada com o ministroMarco Aurélio Mello, a primeira de uma série com o segundo magistrado com mais tempo de atuação no STF.
Em meio à discussão, Barbosa afirmou que o colega, autor da liminar, não poderia ter arbitrado sobre um assunto tão relevante monocraticamente. Ao final da sessão, Marco Aurélio afirmou que, se não estivessem no século 21, “certamente” teriam duelado.
Em 2009, o presidente do STF voltou a protagonizar uma dura discussão no tribunal, uma das mais acaloradas da história do plenário do Supremo. Durante o debate, Barbosa acusou o ministro Gilmar Mendes de manter “capangas” no Mato Grosso.
“Vossa excelência não está na rua, não. Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. […] Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. O senhor respeite.”
Ele também se envolveu, em 2012, em uma troca de farpas por meio da imprensa com o ministro aposentado do STF Cezar Peluso. Depois de ter sido chamado por Peluso de “inseguro” e dono de temperamento explosivo, o ministro Joaquim Barbosa, em entrevista ao jornal “O Globo”, classificou o colega de Corte de “brega”, “caipira”, “corporativista” e “tirano”.
Barbosa também afirmou ao jornal que Peluso teve um mandato “desastroso” ao presidir o tribunal e que deixou imagem “tirânica”. “As pessoas guardarão a imagem de um presidente conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade”, declarou na ocasião.
Licenças médicas
Frequentes afastamentos da Corte em razão de problemas de saúde também geraram polêmica na época em que Barbosa relatava o processo do mensalão. O ministro sofre de sacroileíte, uma inflamação na base da coluna, que o fez se licenciar do tribunal diversas vezes nos últimos anos. A doença impedia que o magistrado ficasse sentado por muitas horas, tanto que, até hoje, é comum observá-lo intercalando momentos em pé e sentado durante os julgamentos.

Barbosa argumentou que o lazer é “aconselhado”
pelos médicos. (Foto: Ed Ferreira/AE)
Em 2010, em uma das licenças médicas devido ao problema crônico da coluna, o magistrado foi flagrado pela reportagem do jornal “O Estado de S. Paulo” em um conhecido bar de Brasília. Na mesma época, ele foi visto em uma festa de advogados e magistrados, também na capital federal.
Após ser flagrado no bar e na festa, Barbosa divulgou nota em que afirmava que o lazer é “aconselhado” pelos médicos.
“Diante das notícias de caráter sensacionalista e fotografias de qualidade duvidosa publicadas nos últimos dias, externo meu repúdio aos aspirantes a paparazzi e fabricantes de escândalos que, sorrateiramente, invadiram minha privacidade em alguns poucos momentos de lazer, permitidos e até aconselhados pelos médicos que me assistem”, declarou Barbosa.
Julgamento do mensalão
Relator do processo de maior repercussão política da história do STF, o ministro Joaquim Barbosatravou debates acalorados com alguns ministros durante o julgamento do mensalão.
Na primeira sessão que analisou a ação penal, em 2 de agosto de 2012, ele já demonstrou que o julgamento que havia levado ao banco dos réus políticos, banqueiros e empresários seria tenso e marcado pela discórdia.
Contrariado com o fato de o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo, ter se manifestado a favor do pedido de um advogado para que o tribunal julgasse apenas os três réus com foro privilegiado, Barbosa acusou o colega de ter agido com “deslealdade”.
“O senhor é revisor. Me causa espécie vê-lo se pronunciar pelo desmembramento quando poderia tê-lo feito há seis ou oito meses, antes que preparássemos toda essa…”, argumentou o presidente do STF. “Farei valer o meu direito de manifestar-me sempre que seja necessário”, rebateu Lewandowski. “É deslealdade”, alfinetou Barbosa, em voz alta.
Diante de um plenário perplexo com o tom da discussão, Lewandowski rebateu mais uma vez, prevendo que aquela seria apenas a primeira de muitas outras discussões contundentes transmitidas ao vivo para todo o país. “Acho que é um termo um pouco forte o que vossa excelência está usando. E já está prenunciando que este julgamento será muito tumultuado”.
Nos 18 meses seguintes, em parte das 69 sessões de julgamento da ação penal, o relator do mensalão também se envolveu em debates duros com os ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Dias Toffoli.
Em outro momento tenso da análise da Ação Penal 470, ele acusou Lewandowski de fazer“chicana”, que no jargão jurídico significa uma manobra para atrasar o processo, em favor dos condenados.
“Vossa excelência está dizendo que eu estou fazendo chicana? Peço que vossa excelência se retrate imediatamente”, exigiu Lewandowski. Barbosa, contudo, enfatizou: “Eu não vou me retratar, ministro”.
Em outro episódio, em novembro de 2012, o relator do mensalão mais uma vez se indispôs com Marco Aurélio Mello, no momento em que o ministro justificava o motivo de não conseguir retomar o voto de definição das penas de Ramon Hollerbach, ex-sócio de Marcos Valério.
Em meio às argumentações, Barbosa manifestou insatisfação. “Cuide das palavras quando eu estiver falando”, rebateu Marco Aurélio. “Eu sei utilizar muito bem o vernáculo”, respondeu o relator. “Não sabe. Estamos no Supremo. Não cabe debochar”, observou o ministro.
Mais tarde, em razão de outro desentendimento, Marco Aurélio verbalizou sua irritação. “Vossa excelência escute. Não insinue, ministro. Não admito que vossa excelência suponha que todos nós sejamos salafrários e que só vossa excelência seja vestal”.
Apartamento em Miami
Ao longo de sua gestão na presidência do Supremo, Joaquim Barbosa criticou em diversos momentos magistrados e advogados. Aos juízes, disse que agiram de forma “sorrateira” para a aprovação de Proposta de Emenda à Constituição que autoriza a criação de novos tribunais no país. Barbosa era contra o projeto por entender que geraria gastos desnecessários ao Judiciário.
Ele também criticou advogados que atuam como juízes eleitorais e classificou de “conluio” relações próximas entre magistrados e advogados.
Em julho de 2013, Barbosa foi alvo de questionamentos de associações de magistrados por ser sócio de uma empresa nos Estados Unidos a qual ele usou para comprar um apartamento em Miami. Segundo reportagem publicada no jornal “Folha de S. Paulo”, a aquisição por meio da empresa ocorreu para que ele tivesse direito a benefícios fiscais em caso da transferência do imóvel para herdeiros.
À época, o ministro justificou que a compra do imóvel ocorreu de modo regular e que as entidades de juízes que questionavam a compra agiam como “politiqueiros”.
“Isso é politicagem […]. A única coisa que posso dizer a você é o seguinte: eu comprei com o meu dinheiro, tirei da minha conta bancária, enviei pelos meios legais. Não tenho contas a prestar a esses politiqueiros”, disse Barbosa.
Discussão com jornalista
Assediado pela imprensa, especialmente durante o julgamento do mensalão, Joaquim Barbosa também travou discussões públicas com jornalistas. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu em março do ano passado, quando ele mandou um repórter “chafurdar no lixo”. (Ouça o áudio da discussão ao lado).
Depois divulgou nota, por meio de sua assessoria, na qual pediu desculpas aos profissionais da imprensa e afirmou que respondeu de forma “ríspida” por estar tomado por “cansaço e fortes dores”.
A discussão teve início no momento em que Barbosa saía de uma reunião do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual também é presidente. Na ocasião, foi abordado pelo repórter Felipe Recondo, do jornal “O Estado de São Paulo”.
Recondo iniciou uma pergunta: “Presidente, como o senhor está vendo…”. Barbosa interrompeu e, em tom alto, disse: “Não estou vendo nada”.
Depois, na presença de jornalistas de vários veículos, o presidente se voltou para o jornalista, aos gritos: “Me deixa em paz, rapaz. Me deixa em paz. Vá chafurdar no lixo como você faz sempre”.
O repórter, então, indagou: “O que é isso, ministro? O que houve?”.
Barbosa responde: “Estou pedindo, me deixe em paz. Já disse várias vezes ao senhor”.
O jornalista tentou mais uma vez conversar com o presidente do tribunal. “Eu tenho que fazer pergunta, é meu trabalho.” E Barbosa, gritando, novamente disse: “Eu não tenho nada a lhe dizer. Não quero nem saber do que o senhor está tratando.” Depois, dentro do elevador do prédio, ainda disparou em tom alto ao repórter: “Palhaço”.
Lionel Rupaud
31 de maio de 2014 2:22 pmO.K. podem falar mal deles, mas ele é
o ídolo dos coxinhas, inclusive ele prometeu que vai abrir uma consultoria imobiliária em Miami, cujo nome, já devidamente registrado, será: “Ten Bucks Real Estate”.
Zanchetta
31 de maio de 2014 2:27 pmGrande perda!!!!
Agora tá
Grande perda!!!!
Agora tá tudo dominado!
Quintela
31 de maio de 2014 6:42 pmkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…….
Francy Lisboa
31 de maio de 2014 2:27 pmCom vcs o louco de pedra…
JB
Juliano Santos
31 de maio de 2014 3:03 pmPassei batido por esse
Passei batido por esse “melhores” momentos do Barbosão, segundo a empresa empregadora do Galvão Bueno. É um espetáculo midiático quase no nível das Videocassetadas do Faustão.
Sei que tem um lado bom. Que é admirar o bode que foi tirado do meio da sala, o que é um tremendo alívio. Mas estou doido para virar a página. Que o ostracismo acalente o Barbosão e ele viva em paz
Ruy P F Neto
31 de maio de 2014 4:20 pmVai pra Miami
Soube que ele vai morar em Miami e foi contratado pela Globo para fazer o Miami Connection
Gilson AS
31 de maio de 2014 4:52 pmPutz ! mais Joaquim Barbosa
Putz ! mais Joaquim Barbosa ?
Chega ! já deu, já era, página virada, vira o disco, e vida que segue sem o JB no STF.
Só tenho uma ultima dúvida, é a última mesmo.
O filho dele vai perder o emprego na Globo, de garoto de recado do Luciano Huck.
Para quem não sabe, assistente de palco é pessoa que leva recado de um lado para outro, ou seja, é um aspone.
carlos afonso quintela da silva
31 de maio de 2014 4:52 pmCovarde. Fugiu da luta para
Covarde. Fugiu da luta para não ouvir o que o Lewandovsky tem a dizer sobre ele. esta conversa de ameaças é puro jogo de cena. Típico ditador de quarteirão. Se ele entrar para o PMDB, como pretende, sairemos em massa do partido. Não aguentaremos seu fedor autoritário. Estámais para PPS e DEMO.
wendel
31 de maio de 2014 5:59 pmQuem…………….
Quem? Joaquim Barbosa, o primeiro negro que presidiu o STF na época da Ação Penal 470, e foi içado pela oposição como ídolo?
Talvez ídolo de barro, pois quando deixou de ser util foi defenestrado?
Pena que durou pouco, pois teríamos uma ribalta mais acalorada caso ainda permanecesse por lá!
Francisco J. Corrêa
31 de maio de 2014 6:29 pmPagina virada, fósforo
Pagina virada, fósforo queimado, intelectual de botequim. Vá para Miami e não precisa voltar. O contribuinte brasileiro vai continuar sustentando essa coisa mesmo!
Cristiana Castro
31 de maio de 2014 7:00 pmOntem, um comentário aqui no
Ontem, um comentário aqui no blog me deixou bolada; dizia que deveríamos aguardar a oficialização da saída de JB. Concordo mas, Nassif, existe alguma possiblidade do sujeito ir à Presidenta da República, aos presidentes de Câmara e Senado; despedir-se em cadeia nacional com direito a discurso de MAM ( a melhor parte ); PGR e advogado ( azarado ) que estava em plenário e, após manifestações dos mais variados segmentos da sociedade, mandar um… Rá! Pegadinha do Mallandro, num vou sair nada! Zueira, vou ficar!??? Agora tem que sair, gente… Será que ele fez isso tudo esperando que a mídia convocasse uma grande manifestação para que ele mandasse uma do tipo, se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação…???? Aí enfraquece o “Dia do Saio”, do Diogo Costa.
Dulce (Madame X)
31 de maio de 2014 8:05 pmNão se preocupa
Não se preocupa Cristiana…depois de todo esse remelexo, êle sai de lá nem que seja em CAMISA DE FORÇA. E dirão que foi estafa! Mas sair…ESTE ESTAFERMO SAI!
Abs.
Serralheiro 70
31 de maio de 2014 11:28 pmSe for pegadinha
Se for pegadinha merece ser “saído” do stf.
josé adailton
31 de maio de 2014 9:11 pmComparações
Folha/UOL – Como será o comando do Supremo Tribunal Federal com Ricardo Lewandowski na comparação com o que tem sido com Joaquim Barbosa?
Rodrigo Janot – Na condição técnica, não vejo muita diferença. O funcionamento do Supremo tem a sua praxe, a sua rotina. A tendência é não alterar. O que vai mudar, a meu ver, é o comportamento pessoal de cada um.
O ministro Joaquim Barbosa é mais retraído, é mais ensimesmado. O ministro Lewandowski é uma pessoa mais expansiva, uma pessoa que se relaciona de maneira mais fluida. Essa será a diferença de um e de outro, mas a condição técnica será a mesma.
http://www1.folha.uol.com.br/poder/poderepolitica/2014/05/1462883-entrevista-com-rodrigo-janot.shtml
JB Costa
31 de maio de 2014 10:05 pmAfinal, por que Joaquim
Afinal, por que Joaquim Barbosa resolveu se aposentar?
1 – Problemas de saúde? – Há tempos ele sofre desse mal na coluna, mas mesmo assim continua trabalhando. Tirou, como se diz na gíria, “de lêtra” o deveras exaustivo trabalho de Relatoria da AP 470. Nunca o presenciamos mais saudável e saltitante.
2 – Inadaptação ao cargo? – Acho que não. Ele como todo bom ególatra decerto adora ser presidente, chefe, autoridade suprema etc etc.
3 – Rejeição? – É o que parece ser mais decisivo, mas não é. Travou todos os canais de diálogo dentro do próprio corpo do Judiciário e se indispôs não com meio mundo, mas com o mundo todo.Mesmo assim ele não abriria mão do Poder.
4 – Possível revisão criminal ? É o que me parece mais pertinente. Como o próprio nome indica, a revisão terá o condão de por em cheque eventuais falhas ou amissões na AP 470, em especial trazer à tona processos correlatos com a AP 470, mas que foram escondidos(“sigilosos”) pelo Joaquim Barbosa, bem como a questão da tipologia dos recursos(públicos ou privados) e a comprovação da aplicação dos mesmos.
Suspeito que Joaquim Barbosa saiu de cena porque teme que essas possíveis revisões ponham abaixo todo o edifício inquisitorial que construiu juntamente com a PGR e que de algum modo sua conduta seja tipicada na melhor das hipóteses como indecorosa e na pior delituosa. Em suma: que possa ensejar um possível processo de impedimento.
oaks
1 de junho de 2014 1:04 amJoaquim Barbosa
Que a terra lhe serve leve.
Avelino de Oliveira
1 de junho de 2014 3:52 amCaro Nassif e demais
Ele já
Caro Nassif e demais
Ele já fez o que foi programado para fazer, criminalizou o PT e escondeu os tucanos.
Os patrões, Globo, Folha, Veja etc, já agradeceram o trabalho do subalterno.
De grátis ele não saiu, deixou alguns gatilhos armados.
Irá assistir de Miami, o desenrolar das armadilhas.
Saudações