Violência sexual intrafamiliar é mais difícil de descobrir. Mas as crianças emitem sinais

Especialistas indicam comportamentos em crianças que podem indicar algum tipo de violência. Desafio maior é quando o abusador é próximo da vítima. Assista na TV GGN

Foto: Getty Images

Jornal GGN – Quando o caso da menina de 10 anos estuprada pelo tio no Espírito Santo veio à tona, paralisando o País por causa da batalha ideológica em torno do abortamento, muitos internautas se perguntaram como um abuso recorrente – segundo a criança, ela era abusada desde os 6 anos – não foi percebido pelos adultos? A violência só foi descoberta quando a menina quebrou o silêncio já com quase cinco meses de gestação.

Mestre em Serviço Social, a pesquisadora Carla Cristina Teodoro, da PUC-SP, disse em entrevista à TV GGN que a violência infrafamiliar é um dos tipos de abusos mais difíceis de serem descobertos e processados. “Essa violência dentro da família guarda muitos segredos. Além dos segredos, tem as suas ameaças.”

No caso da menina do ES, por exemplo, o tio ameaçava tirar a vida do avô se ela revelasse o crime. O tio acabou preso e será julgamento pelo estupro de vulnerável com agravante de tê-la engravidado. Mas este episódio está longe de ser isolado. Todos os anos, mais de 20 mil meninas com menos de 14 anos dão à luz no Brasil. Uma em cada quatro meninas será vítima de violência sexual até os seus 18 anos. O mesmo ocorrerá com 1 entre cada 13 meninos.

A DIFICULDADE DA VIOLÊNCIA INTRAFAMILIAR

Quando o violador ou violadora é alguém muito próximo da criança, muitas vezes ela sente culpa pelo que pode ocorrer se denunciar, e silencia sobre o abuso. E quando tenta verbalizar, ainda precisa enfrentar adultos que ignoram ou preferem não acreditar nos relatos.

“É tão difícil e longa [essa descoberta] porque se é uma pessoa de fora, a criança consegue dizer. E a mãe, por não conhecer [o agressor], por não fazer parte do convívio, a denúncia é melhor atendida. Mas quando a criança diz que foi um pai, um padastro, um tio, um primo, um amigo que está ali junto, costumeiramente, quem ouve
acha que a criança está mentindo”, disse Carla ao GGN.

Segundo a pedagoga Edna Ferreira, doutora em Educação com pesquisa sobre os impactos da violência sexual infantil no aprendizado, uma criança de até 12 anos “não tem condições de inventar detalhes de um abuso sexual”. Por isso, acreditar na palavra da vítima é essencial.

Infelizmente é comum, de acordo com Edna, que o abuso no seio da família vire parte de um “pacto de silêncio”. Nas escolas ocorre de a criança contar o abuso a um colega ou professora, e a família forçar o silêncio da criança para evitar que o agressor seja punido. A violência sexual então é acrescida de violência psicológica e até física.

OS SINAIS DA VIOLÊNCIA

Apesar de ser mais difícil de detectar, a violência intrafamiliar pode ser expressada nos sinais emitidos pelos pequenos.

“Se a criança muda de humor, se tem muito medo, se consegue dormir à noite, tem
muitos pesadelos; se chega um adulto e ela muda, quer se esconder, não quer ficar
próximas desse adulto”, tudo isso pode sinalizar que há algo de errado. Carla lembra ainda que há crianças que preferem se isolar, ou “se auto-mutilam, tentam suicídio.”

Os cuidadores e educadores precisam ficar atentos e, mais do que isso, criar uma conexão com a criança, que precisa sentir que tem alguém a quem confiar o seu relato, acrescentou Edna.

Assista à entrevista completa aqui:

 

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