Xadrez do papel dos radicais de esquerda, por Luis Nassif

Dizem os radicais – e com razão – que foi a tentativa de composição, as concessões feitas pelos governos petistas, sua falta de ambição em conduzir mudanças estruturais que levaram ao golpe do impeachment.

Os radicais do PT (atenção: não utilizo essa palavra pejorativamente) se levantam contra a ideia do pacto nacional com o centro-direita, contra o milicianismo que ameaça o país.

Não conseguirão deter o rumo das águas, mas essa radicalização será essencial no segundo tempo do jogo, na hipótese dessa coalizão esquerda-centro direita ser vitoriosa.

Há diversas razões para sustentar que o pacto é inevitável, como única alternativa às tentativas continuadas de golpe pelas milícias lideradas por Bolsonaro.

A maior delas, é que qualquer radicalização será contra a esquerda. O único fator de mobilização do fascismo fundamentalista brasileiro, para fora de sua bolha, é a suposta ameaça das esquerdas. A ultradireita também dispõe de capacidade de mobilização popular e está profundamente infiltrada nos poderes de Estado e nas organizações criminosas – tanto nas milícias quanto no PCC.

Outra razão é que a maioria dos movimentos populares organizados aprendeu a atuar em ambiente democrático. O que mais desejam é o aprofundamento da democracia e a descriminalização de sua atuação.

O radicalismo, de não aceitar nenhuma forma de aliança, é praticado basicamente por YouTubers de esquerda, alguns livre atiradores cujo ato de “causar” faz parte de seu marketing, e parte da base que não consegue avaliar com clareza questões como correlação de forças.

Dizem os radicais – e com razão – que foi a tentativa de composição, as concessões feitas pelos governos petistas, sua falta de ambição em conduzir mudanças estruturais que levaram ao golpe do impeachment.

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É evidente que qualquer novo governo não poderá mais tentar o mesmo do mesmo.

A questão central é como se conduzir na hipótese de uma coalizão esquerda-centro direita sair vitoriosa – e aí o papel da militância será fundamental. A maior arma do PT é sua militância e seus votos. Virá dela a pressão para que não se tergiverse em pontos essenciais, nos quais haverá maior divergência com os futuros aliados, as chamadas cláusulas pétreas do acordo:

  1. Um novo modelo fiscal, que taxe os ganhos financeiros e seja efetivamente progressivo (isto é, taxando proporcionalmente mais quem ganha mais).
  2. Restabelecimento constitucional dos patamares mínimos de gastos sociais, em educação, saude e segurança, com recuperação da educação e da saude públicas.
  3. Aprofundamento da democracia, com o fortalecimento de conselhos de participação em todas as áreas, das áreas econômicas (abrindo espaço para participação empresarial) às áreas sociais.
  4. Recuperação do conceito constitucional de função social da propriedade, impulso à reforma agrária, reconhecimento dos direitos de índios, quilombolas e sem teto..
  5. Democratização da mídia, com a instituição de legislações similares a de países desenvolvidos para evitar a cartelização e permitir diversidade e regionalização da produção.
  6. Enquadramento dos órgãos de controle nos estritos limites da lei.

Por outro lado, há que se contemplar as demandas legítimas do meio empresarial:

  1. Ampliação dos programas de desburocratização.
  2. Uso do mercado de capitais, delimitando claramente seu espaço e o dos bancos públicos.
  3. Discussão aberta sobre o novo modelo de legislação trabalhista, que contemple as mudanças estruturais na economia e garanta a proteção social.
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De lado a lado, os partidos políticos terão que se abrir para o meio social. Acabaram os tempos em que o partido definia sozinho políticas de compensação e entregava aos grupos sociais como um presente.

Partidos modernos terão que operar como plataformas, permitindo que cada grupo associado formule suas próprias políticas setoriais, mantendo suas identidades. Às executivas, democratizadas, caberá apenas garantir que cada proposta se enquadre nos princípios partidários.

Estamos no início de uma longa caminhada, da mais fundamental batalha política da história, a luta que colocará definitivamente o país no rumo da modernidade, ou de volta ao período mais obscurantista da história.

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36 comentários

  1. Sem o restabelecimento dos direitos trabalhistas usurpados pelos golpistas de 2016 (da tal centro direita), usurpação aprofundada nos dias de hoje, não dá nem para começar a conversar.

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    • Numa negociação destas o primeiro ítem deveria ser a revogação de todo o entulho golpista de Temer para cá. Restauração de toda a legislação trabalhista, revogação da reforma da Previdência, garantia dos direitos fundamentais, etc. Tem que começar daí. O que está neste texto acima é uma capitulação humilhante em prol dos golpistas.

  2. “A maior arma do PT é sua militância e seus votos. Virá dela a pressão para que não se tergiverse em pontos essenciais, nos quais haverá maior divergência com os futuros aliados…”
    A militância do PT não é radical ainda que nutra uma devoção quase cega por seu líder, em alguns casos de maneira até inexplicável. Quem Nassif chama de “radicais” são aqueles que estão fora do PT e criticam o lulismo pela esquerda. Estes teriam massa crítica para fazer pressão por cláusulas mais democratizantes. Mas estes, cá entre nós, não tem força política para exigir nada e nem fazer pressão. Talvez o tenham quando Lula sair definitivamente de cena, mas isso por hora parece algo que vai acontecer num horizonte muito distante.
    Voltando á militância do PT, esta não fará nada se não vier um comando do grande líder. A devoção pode ser grande mas a capacidade de ação e organização é pequena e depende da vontade do grande líder. Este por sua vez não é dado a arroubos revolucionários, muito pelo contrário, é bastante conservador. Particularmente, duvido que Lula use a militância para qualquer coisa que não se resuma aos seus planos eleitorais. Aliás, esta é para mim a grande falha do lulismo: a energia pode ser grande, mas da mesma forma também o é a incapacidade de canalizar essa energia para mobilizações capazes de transformação. No final, tudo se resume aos ciclos eleitorais e, uma vez fechadas as urnas, não há mais razão para se levar a militância em consideração. Pelo menos até que a próxima eleição passe a pautar de novo as ações políticas. Num quadro como este, tudo a que Nassif se refere como “cláusulas pétreas do acordo” estarão mais que garantidamente fora do radar politico.

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    • Bernardor (& Nassif): vamos evitar o “fogo amigo”, que em nada ajudaria à causa. Estaríamos, sim, facilitando para essa corja de safados e seu braçoarmado. Acontece que a construção teórica de vocês, no palco político-partidário, não deixa de encontrar respaldo e eco no discurso acadêmico. Mas o estômago é o nosso. A moradia é a nossa. O emprego é o nosso. A escola é a nossa. A saúde é a nossa. O transporte é o nosso. A segurança é a nossa. O salário é o nosso. O que tá na reta é o nosso. E estamos falando dagora prá frente. Dos nossos filhos, das gerações futuras, Ora, pinóia, sabemos que isso não é bem quisto ou visto pelos VerdeSauvas e seus asseclas, os conhecidíssimos meliantes e ladrões, políticos e sociais. Doutra feita, não se trata de ser crítico do lulismo “fora do PT, à esquerda”. Não temos direção nem vínculo partidário. Só necessidades básicas, como qualquer do Povo. E respeitamos muito o SapoBarbudo. E é dentro desse respeito que nos assusta a tentativa de composição com aqueles que desgraçam a Nação há mais de um século, consecutivamente. Que discurso se pode esperar quando a tratativa é com escrotos, como os do mencionado Partido? Ou dos milicos? Vai entregar de bandeja a cabeça da nossa geração, esperando que os SenhoresDaGuerra lhes prometam o futuro? Santa ingenuidade, que a História tem desmentido a todo instante. Lembra o lema da DitaMole, “crescer o bolo prá depois repartir”? Se o fizeram não foi conosco. “Cachorro mordido de cobra não come linguiça e corre de minhoca”.

      Arisquem ver Langston, “Too, am America”…

  3. A “radicalização do PT” é hoje á única alternativa para tentar acabar com a herança do escravagismo e promover uma maior e rápida distribuição renda.

    As atuais lideranças do centro estão todas abraçadas como o liberalismo econômico, qualquer conciliação e/ou composição com esses setores ao invés de afastar os risco de uma ditadura e/ou de destruição dos direitos dos trabalhadores, vai aumentar e em em um escala muito maior do que hoje representa o atual governo.

    Tudo vai depender da mobilização social, sem ela não haverá conciliação ou qualquer perspectiva democrática.

  4. Nassif vc ainda não se ligou nos aspectos psicológicos da situação,e isso o Facebook com seus algoritmos e perfis sabe muito bem manobrar e manipular, NINGUÉM QUER PACTO PARA AS COISAS FICAREM IGUAIS OU PIORES (principalmente progressistas/esquerdistas)nós (eu)preferimos q os militares metam o coturno na porta e arrebente tudo então,querem um acórdão para depois dizerem q se tá tudo mal,se tá dando merda é por causa de TODOS,pacto só ganha as elites(mais ainda)pois irão disfarçar a situação,ora,ora,eles já conseguiram tudo q queriam mesmo,vão lá líderes progressistas/esquerdistas vão,façam um pacto mesmo e vejam o resultado e não esqueçam depois de passar no caixa do banco para pegar o dinheiro !!!

  5. Caro Nassif,
    Não sei se assim posso falar. Mas, pra mim você é caro, pelo seu discernimento. Não sou do PT. Sou filiado ao PDT do grande Brizola. Porém, sou radical. Não sou trela nem pra irmão. Pisou na bola, foda-se. Ninguém, ninguém mesmo, tem o direito de se imbecilizar.

  6. Vez ou outra eu também esbravejo, paredon, sangue na calçada, às ruas, AK 47 (aprendi com o grande, no caráter, não no tamanho, informação do próprio, Rui Daher) etc., etc.. Paro pra pensar e me sinto o leão desdentado falando em combater as hienas. Pé no chão, observo que se Lula fosse esperar pelos “radicais” continuaria residindo em Curitiba. E quem o libertou foi Gilmar Mendes. Não adianta tergiversar, se Gilmar não tivesse mudado de lado o resultado não teria sido de 6×5 mas de 7×4 a favor da prisão em segunda instância, o voto dele valeu por 2, levou junto Toffoli. O que se leu e se ouviu sobre GM ser isso, ser aquilo, e tanto o isso e o aquilo terem conotações das piores imagináveis, para ao final vê-lo alterar o pêndulo de Lula. Não interessa o porquê, o motivo, interessa o que ele fez. Claro que não passa pela minha cabeça pactuar, por exemplo, com FHC, porque até hoje ele sempre esteve do lado de lá nada fez para restaurar o que se destruiu, pelo contrário. Mas se aparecer numa mesa o Sr. Diabo, com um plano concreto de restauro da Democracia, do Estado de Direito, cobrando algumas almas de pagamento, a minha será a primeira a ser ofertada.

  7. Radicais do PT? Mesmo não querendo referir-se pejorativamente, acaba rotulando. Onde foram indicados outros radicais que não os do PT?Ser contra os golpistas não faz de ninguém radical.
    Não dá para fazer nenhum tipo de negociação com essa gente simplesmente porque eles nunca quiseram negociar nada.
    Quem são os representantes dessa gente que não é radical? Podem colocar todos os nomes desses não radicais,do meio industrial,financeiro, do agronegócio, da mídia, do judiciário e,após isso,checar com a lista de golpistas. Estarão todos lá.
    A negociação precisa ser feita com o povo em primeiro lugar.
    Não podemos ser utilizados para corrigir o golpe e sim para ir contra ele.
    A direita que se veste bem e sabe usar os talheres não terá apoio para assumir o lugar da direita tosca.
    Se defender a democracia é ser radical,sejamos todos radicais.
    Jamais golpistas.

  8. A ironia à esquerda do que o pseudo centro, àgora, servil burocrata, tenta mediar à política com a ultra direita.

    :::: as férias de hegel :::: {https://www.wikiart.org/en/rene-magritte/hegel-s-holiday-1958}

    Citado de Paulo Freire: “Não queremos, porém, com isto dizer – e o deixamos claro no ensaio anterior3– que o radical se torne dócil objeto da dominação.Precisamente porque inscrito, como radical, num processo de libertação, não pode ficar passivo diante da violência do dominador.Por outro lado, jamais será o radical um subjetivista. É que, para ele, o aspecto subjetivo toma corpo numa unidade dialética com a dimensão objetiva da própria idéia, isto é, com os conteúdos concretos da realidade sobre a qual exerce o ato cognoscente. Subjetividade e objetividade, desta forma, se encontram naquela unidade dialética de que resulta um conhecer solidário com o atuar e este com aquele.”

    à página 13 (ha, essa realidade…) da Pedagogia do Oprimido (https://www.anarquista.net/wp-content/uploads/2013/07/Pedagogia_do_Oprimido-Paulo-Freire.pdf)

  9. Nassif continua sonhando… Que plano tao bonito! Pena que nao tenha a MENOR CHANCE de ser posto em prática, menos ainda de dar certo.

  10. Muita gente, que pouco conhece de história, não sabe o que a política de isolamento da esquerda sem um pacto com a centro direita alemã, como facilitou a Ascenção do Nazismo. Estamos numa encruzilhada. Nassif, você tem razão. Trata se de salvar valores básicos civilizatório.

  11. Desde antes das eleições tenho defendido que a formação de uma Frente Ampla Democrática é uma necessidade para restaurar o Estado Democrático de Direito. Nessa frente defendo que devem participar TODOS os democratas (liberais, socialistas, trabalhistas, centristas, conservadores, PQP e etc.) .
    Penso que essa Frente Ampla só se viabilizará se TODOS participarem em igualdade de condições. Ou seja, todos devem sentar numa mesa REDONDA, SEM CABECEIRA.

  12. Que viagem!
    Se o PT fizer isso, ele se suicida.
    Que última oportunidade de modernização, que nada!

    Pensar por aí não é pensar longe, é pensar num lugar que não existe …
    Que viagem!

  13. Luis Nassif,
    O pacto é um termo que se aproxima da ideia de feixe ínsita no fascismo. A diferença do pacto democrático e do fascismo é que o fascismo é uma ordem autoritária e o pacto democrático é a composição de interesses conflitantes via consensos, acordos, conchavos e barganhas.
    Existe um grande pacto nacional sendo executado e que é a Constituição. É um pacto que, hoje, dado a correlação de forças desfavoráveis à esquerda, é para a esquerda um pacto extremamente satisfatório. Dificilmente a esquerda conseguiria nos próximos 50 anos um pacto em melhores condições do que o atual.
    Assim, a ideia do pacto nacional só faz sentido para aqueles que querem se compor com dois grupos que deveriam estar em oposição: a direita e a esquerda, mas agora tem de enfrentar um terceiro grupo que é o bolsonarismo que é a direita autocrática e individualista que faz farol com sua ala radical pelo preconceito de todas as espécies e que estigmatiza a direita centrista e ela então pede por socorro.
    A esquerda em minoria como sempre gosta desse estilo bolsonarista pois ele serve para enxovalhar a direita. Ela não tem o que ganhar com o pacto que alterasse o atual pacto, isto é, que alterasse a Constituição, pois ela sairia perdendo.
    A alteração da previdência foi desfavorável as classes mais pobres que vivem menos e, portanto, terão menos retorno da previdência, mas a reforma é de certo modo uma alteração bem vinda pela esquerda. É bem vinda pela esquerda pelo menos para aqueles que reconhecem que tributo é valor e valor é trabalho (tributo é a mais valia do Estado apropriada seja do lucro do empregador seja do salário do trabalhador) e que a reforma vai significar mais trabalho, ou seja, mais valor, portanto, mais tributo, disponibilizado ao Estado
    Assim, a reforma significa mais tributação e mais tributação é a uma reivindicação que revela solidariedade, pois é uma reivindicação que recai sobre todos. É totalmente diferente de uma reivindicação como passe livre que só vai beneficiar os grupos que vão ganhar com o passe livre.
    As demais alterações na nossa Constituição vão depender da correlação de forças do Estado. Se a direita de centro se identificar com as reformas pretendidas pela ala bolsonaristas há grande risco das reformas serem aprovadas, mas a direita centrista fica maculada do viés bolsonaristas. Para a esquerda o resultado seria ruim, mas ela ganha mais cacife para combater a ala bolsonaristas e ao mesmo tempo pode incriminar a direita centrista de se assemelhar ao bolsonaristas.
    Disso tudo pode-se dizer que o pacto já existe. O pacto existente, a Constituição é fruto de uma ruptura e de um processo democrático. O pacto existente dado a pouca força da esquerda que a esquerda mostra ter hoje por ter sido construído em uma passado um tanto deformado que foi o Plano Cruzado, acabou sendo benéfico à esquerda.
    Qualquer tende a adquirir um viés fascista. Para não ser fascista um novo pacto teria que surgir de uma ruptura e depois desenvolver-se mediante o processo da democracia representativa. Dada a concentração do poderio econômico tanto espacialmente (O poder econômico que está em São Paulo influencia o mundo político de forma mais que proporcional ao seu poderio econômico) como socialmente (a imensa desigualdade fazem os mais poderosos elegerem seus representantes com mais facilidade), um novo pacto seria prejudicial a esquerda.
    Os três únicos pactos que até certo ponto deram certos nos últimos cinquenta anos, foi o de Moncloa do direitista Adolfo Suárez que garantiu a Constituição Espanhola, o do primeiro ministro trabalhista inglês James Callaghan, que até abaixou a inflação na Inglaterra de 27 a 9% e como havia prometido baixá-la para 5% perdeu para Margaret Thatcher, e do Chanceler austríaco Bruno Kreisky do partido Social Democrata da Áustria que governou aquele país de 1970 a 1983 e que manteve um pacto como o inglês em que pedia sacrifícios a classe trabalhadora e tinha aceitação social porque era proposto pela esquerda.
    Todos esses países hoje convivem com o radicalismo de direita e não há como a esquerda propor um pacto com a direita menos radical, pois a direita menos radical é radical também no seu conservadorismo e não aceita ver a realização do desiderato da esquerda por ver nesse desiderato uma destruição do tecido social em que ela paira soberana.
    Assim, a ideia de pacto hoje no Brasil é proposta nefasta. De um lado teria nuances de fascismo, pois a própria idéia de pacto abre espaço para o lema fascista: “o país acima de tudo e de todos”. De outro é espaço apenas para oportunistas que desejam ficar livre de oposição. Além disso para ser democrático o pacto teria que de certo modo deixar de ser democrático ao estabelecer uma ruptura com a conseguinte criação de uma constituinte para se ter uma nova constituição.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 19/11/2019

  14. Luis Nassif,
    O pacto é um termo que se aproxima da ideia de feixe ínsita no fascismo. A diferença do pacto democrático e do fascismo é que o fascismo é uma ordem autoritária e o pacto democrático é a composição de interesses conflitantes via consensos, acordos, conchavos e barganhas.
    Existe um grande pacto nacional sendo executado e que é a Constituição. É um pacto que, hoje, dado a correlação de forças desfavoráveis à esquerda, é para a esquerda um pacto extremamente satisfatório. Dificilmente a esquerda conseguiria nos próximos 50 anos um pacto em melhores condições do que o atual.
    Assim, a ideia do pacto nacional só faz sentido para aqueles que querem se compor com dois grupos que deveriam estar em oposição: a direita e a esquerda, mas agora tem de enfrentar um terceiro grupo que é o bolsonarismo que é a direita autocrática e individualista que faz farol com sua ala radical pelo preconceito de todas as espécies e que estigmatiza a direita centrista e ela então pede por socorro.
    A esquerda em minoria como sempre gosta desse estilo bolsonarista pois ele serve para enxovalhar a direita. Ela não tem o que ganhar com o pacto que alterasse o atual pacto, isto é, que alterasse a Constituição, pois ela sairia perdendo.
    A alteração da previdência foi desfavorável as classes mais pobres que vivem menos e, portanto, terão menos retorno da previdência, mas a reforma é de certo modo uma alteração bem vinda pela esquerda. É bem vinda pela esquerda pelo menos para aqueles que reconhecem que tributo é valor e valor é trabalho (tributo é a mais valia do Estado apropriada seja do lucro do empregador seja do salário do trabalhador) e que a reforma vai significar mais trabalho, ou seja, mais valor, portanto, mais tributo, disponibilizado ao Estado
    Assim, a reforma significa mais tributação e mais tributação é a uma reivindicação que revela solidariedade, pois é uma reivindicação que recai sobre todos. É totalmente diferente de uma reivindicação como passe livre que só vai beneficiar os grupos que vão ganhar com o passe livre.
    As demais alterações na nossa Constituição vão depender da correlação de forças do Estado. Se a direita de centro se identificar com as reformas pretendidas pela ala bolsonaristas há grande risco das reformas serem aprovadas, mas a direita centrista fica maculada do viés bolsonaristas. Para a esquerda o resultado seria ruim, mas ela ganha mais cacife para combater a ala bolsonaristas e ao mesmo tempo pode incriminar a direita centrista de se assemelhar ao bolsonaristas.
    Disso tudo pode-se dizer que o pacto já existe. O pacto existente, a Constituição é fruto de uma ruptura e de um processo democrático. O pacto existente dado a pouca força da esquerda que a esquerda mostra ter hoje por ter sido construído em uma passado um tanto deformado que foi o Plano Cruzado, acabou sendo benéfico à esquerda.
    Qualquer tende a adquirir um viés fascista. Para não ser fascista um novo pacto teria que surgir de uma ruptura e depois desenvolver-se mediante o processo da democracia representativa. Dada a concentração do poderio econômico tanto espacialmente (O poder econômico que está em São Paulo influencia o mundo político de forma mais que proporcional ao seu poderio econômico) como socialmente (a imensa desigualdade fazem os mais poderosos elegerem seus representantes com mais facilidade), um novo pacto seria prejudicial a esquerda.
    Os três únicos pactos que até certo ponto deram certos nos últimos cinquenta anos, foi o de Moncloa do direitista Adolfo Suárez que garantiu a Constituição Espanhola, o do primeiro ministro trabalhista inglês James Callaghan, que até abaixou a inflação na Inglaterra de 27 a 9% e como havia prometido baixá-la para 5% perdeu para Margaret Thatcher, e do Chanceler austríaco Bruno Kreisky do partido Social Democrata da Áustria que governou aquele país de 1970 a 1983 e que manteve um pacto como o inglês em que pedia sacrifícios a classe trabalhadora e tinha aceitação social porque era proposto pela esquerda.
    Todos esses países hoje convivem com o radicalismo de direita e não há como a esquerda propor um pacto com a direita menos radical, pois a direita menos radical é radical também no seu conservadorismo e não aceita ver a realização do desiderato da esquerda por ver nesse desiderato uma destruição do tecido social em que ela paira soberana.
    Assim, a ideia de pacto hoje no Brasil é proposta nefasta. De um lado teria nuances de fascismo, pois a própria idéia de pacto abre espaço para o lema fascista: “o país acima de tudo e de todos”. De outro é espaço apenas para oportunistas que desejam ficar livre de oposição. Além disso para ser democrático o pacto teria que de certo modo deixar de ser democrático ao estabelecer uma ruptura com a conseguinte criação de uma constituinte para se ter uma nova constituição.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 19/11/2019

  15. Entre a ultra-direita partidária e institucional propriamente dita – com PSL, tinc-tancs e cia. – e a “base” social da ultra-direita – entenda-se PCC e afins, há uma legião de malfeitores espalhados em todos os setores da sociedade: milicianos nas polícias; agentes do judiciário; setores ruralistas, incluindo sojeiros, pecuaristas, desmatadores ilegais, mineradores; parte do baixo-clero parlamentar; religiões (seitas, melhor dizendo) que prestam culto ao deus-mercado da prosperidade (quanta gente neste setor!!!)… Isto é só o que eu lembro.
    Dito isto, se a intenção de uma coalizão desta natureza – esquerda/centro-direita – é evitar o ocaso da democracia nacional e as consequências limites de um colapso social pleno, com guerra civil, violência aberta e declarada, ou seja, o conflito direto entre o fascismo institucional e a maioria vitimada, sinto em dizer mas, o “acordo” teria de ser com esta gente toda, e não com os que se unem para derrubá-los.
    Se acham que todo este contingente está disposto a largar o osso do poder sem cair atirando, vão perder o tempo.
    Mas, eu creio que esta coalizão toda saiba disto. Só não vão admitir que, caso tenham alguma intenção de negociar com esta turba no poder, a intenção será, no mínimo, oferecer impunidade em relação aos crimes já cometidos e omissão diante daqueles que historicamente nunca deixaram de sofrer nas mão da polícia corrupta, de bandidos (oficiais ou não), nem nunca deixaram de morrer à toa e sumirem do mapa sem que ninguém dê bola.
    Se o ilustre jornalista reconhece neste contingente parte da militância petista, está muito enganado.
    Ser radical, neste momento, não é ser contra a uma coalizão entre todos os que se posicionam contra um governo fascista no Brasil. Ser radical é ser crítico a qualquer possibilidade de negociação de “termos de paz” feita por cima e à revelia da indignação dos que, até agora, sempre foram excluídos dos projetos políticos. Os injustiçados pela democracia de baixo impacto aguardam um tempo em que não se anistiem ou tentem apagar as vítimas dos abusos cometidos pelo fascismo tolerado desde a proclamação da República.
    Seria querer demais que se mudassem as políticas para segurança pública, que se exigissem o cumprimento estrito da Lei a todos os cidadãos? As “cláusulas pétreas” do referido acordo nem passam por estas questões. Receio que sejam elas, mais uma vez, a moeda de troca para o fim desta nova ditadura. Assim como foi no passado, com a Lei de Anistia. A diferença agora é que os mortos são muito mais, são anônimos e não são militantes de nada. Se aceitará a tese de que são “negrozinhos” que cometeram crimes e que, se são maioria, é porque a maioria dos bandidos é preta mesmo.
    Curioso que só o PSOL até agora registrou denúncia contra o dito-cujo que falou isto.

  16. A análise do Bernardo Costa tem muito fundamento. A esquerda precisa começar trabalhando a unidade dela em torno de propostas que (re) constituam um reformismo forte. O Lulismo tende a continuar sendo um reformismo fraco, na definição do jornalista e cientista político André Singer. Respeitam-se, aqui, lógico, todas as opiniões contrárias. E um movimento importante foi a apresentação do projeto alternativo de Reforma Tributária – boa sistematização do acúmulo dos servidores públicos mais qualificados que trabalham na área – no Congresso Nacional. Evidente que Câmara e Senado, reacionários, conservadores, não aprovarão quase nada, mas a iniciativa consistiu em um primeiro passo, visando a avançar em um projeto para o país, com elementos claros, que se contraponham ao aprofundamento do choque de selvageria no modelo liberal periférico levado a cabo pelos governos pós-golpe parlamentar, especialmente, este, de extrema direita. Para lembrar alguns tópicos: 1) Atualização da tabela do IR. 2) Taxação dos dividendos. 3) Definição das grandes fortunas como sendo as quantias acima de 15 milhões de reais, o que deixa boa parcela da classe média alta fora da faixa que efetivamente pode ser “sacrificada” e 4) Distribuição da receita com critérios que levem em conta as disparidades regionais.
    Acrescentaria que as eleições municipais em 2020 não devem ser menosprezadas, pois haverão de ser o primeiro ensaio desta frente oposicionista. E ainda me refiro à articulação PT-PC do B e PSOL. Não estou considerando PDT, Rede e PSB (que assinaram junto o projeto acima mencionado), porque aqui no Rio Grande do Sul, por exemplo, o último deles está muito mais para centro-direita do que centro-esquerda. Em Porto Alegre (onde a Manuela, vice do Haddad, aparece bem nas pesquisas…), a memória do Orçamento Participativo permite às lideranças progressistas contatos sólidos com as comunidades periféricas. Nesta segunda-feira, mesmo, ocorreu um na região leste da capital gaúcha. Entretanto, não devemos nos iludir: o bolsonarismo conserva muita força no Brasil meridional e, presumo, também no sudeste. A aliança mais ampla só pode se dar para evitar retrocessos, uma derrubada das instituições, o mergulho em uma ditadura. O capital financeiro e o agronegócio ditam as regras também através das agremiações de centro-direita. A unificação plena dos “de cima” em torno da radicalização das medidas que vão aumentar ainda mais a desigualdade, precarizando as relações de trabalho e diminuindo benefícios sociais, explica a “normalização”, a benevolência com os medievalismos e pré-medievalismos, as ligações com as milícias etc.
    Em outras palavras, o Nassif pondera, óbvio, de maneira muito bem intencionada, mas não há sinais de que o processo interesse às forças protagonistas da derrubada do Governo Dilma. No máximo, PSDB, PMDB, DEM (o caso do Novo mereceria análise separada) tentarão aproveitar o desgaste da administração catastrófica no próprio campo do centro para a direita.

  17. Jamais, em tempo algum, aceitarei o paz e amor… deu… basta… se o PT e Lula fizerem este papel covarde acabarão diante da História. E sim, sou radical, porque vivendo dentro de um Golpe de Estado sem oposição e presenciando todas as conquistas da classe trabalhadora indo para o ralo é imperativo ir até raiz da luta de classe e sustentá-la. Não aceito.

  18. o fundamntal é a luta pela política de crescimento com inclusão social cujo acerto ficou comprovado na era petista.
    não tem essa de radicais de esuerda, tem um partido com várias tendencias que paricipam democratricamente das decisões, faz tempo que é assim, desde a criação do partido.

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  19. -> Recuperação do conceito constitucional de função social da propriedade, impulso à reforma agrária,
    -> Um novo modelo fiscal, que taxe os ganhos financeiros e seja efetivamente progressivo

    não há nenhum caso histórico de pacto conciliatório com a classe dominante que não tenha sido o das costas com a chibata, seja no Brasil como em toda AL.

    e não se trata de falta de competência política dos negociadores, e sim de impossibilidade imposta pelas condições objetivas do Capitalismo periférico, sob o qual estamos condenados ao papel de colônias de exploração.

    toda conquista sempre foi arrancada com muita luta: sangue, suor e lágrimas.

    a concepção da viabilidade de pactos com uma classe dominante brasileira atavicamente extrativista, tantos dos recursos naturais (madeira, minérios, produtos agrícolas primários) quanto dos recursos financeiros (SELIC), vem da negação de pensar e agir balizado pelo modo de produção capitalista – em especial no seu atual estágio de financeirização globalizada.

    no próprio elenco de “cláusulas pétreas” para um acordo, cfe. apresentadas neste artigo, já se explicita toda sua tragédia: a Reforma Agrária e a Reforma Fiscal.

    é justamente contra a Reforma Agrária que a classe dominante na periferia sempre se colocou, incondicionalmente. do mesmo modo em relação a um modelo fiscal progressivo.

    um filme recente, “Em Guerra” (vide link abaixo), demonstra até seu trágico limite o tamanho do beco sem saída ao qual o Capitalismo contemporâneo nos empurrou a todos – inclusive à própria classe dominante.

    trabalhadores de uma indústria localizada na França, mas sob controle de um grande conglomerado sediado na Alemanha, firmam um acordo para manter seus empregos.

    em troca aceitam trabalhar mais horas, com a mesma remuneração, e cumprir metas de produção.

    antes da metade do prazo de vigência do acordo, a diretoria decide fechar a empresa.

    os operários tentam de todas as formas garantir o cumprimento do que foi acordado: manifestações, greve, negociações com a direção local, contato com órgãos governamentais franceses, negociação direta com os alemães, ocupação da fábrica, enfrentamento com a polícia, violência contra os executivos.

    mas a decisão é taxativa: foi estabelecida uma rentabilidade mínima para aquela unidade de produção, como não é alcançada ela deve ser fechada.

    os trabalhadores conseguem até mesmo um empresário francês para comprar a fábrica.

    nada feito: vender a fábrica implica em aumentar a concorrência, e isto jamais seria plausível para a Direção do conglomerado alemão.

    a intenção é realocar a indústria em algum país periférico no Leste europeu, para assim, via condições degradantes de trabalho, atingir a rentabilidade projetada.

    no final do filme se impõe de modo brutal o trágico impasse a que todos nós estamos submetidos, sejamos a favor ou não de pactos, alianças e acordos.

    mais do que nunca, hoje fica patente: a verdadeira utopia sempre foi a tentativa de conciliação com a classe dominante e utópicos tem sido seus defensores.

    vídeo: En Guerre, de Stéphane Brizé, avec Vincent Lindon
    https://www.youtube.com/watch?v=B5R-c9wwt00
    .

  20. Tomem-se os exemplos de Portugal e Espanha e junte-se às nossas particularidades. Concordo. A cooperação e construção de um pacto, é o melhor caminho

  21. Correta a avaliação.
    Mas existe um pressuposto anterior ao da implementação: Ter base congressual para aprovar e impor essas pautas.
    Por isso acho que os “puxadores” de voto de cada partido tem que fazer corpo na Câmara e no Senado.
    Acho por exemplo que Lula deveria tentar o Senado ( supondo as anulações dos processos).
    ( acredito que a lei não mudou para puxadores de votos em partidos, apenas para alianças, há de se verificar isso). Esse fato também obrigaria a negociar os apoios para cadeiras no Senado, caso contrário “tiros no pé’ como Lindberg e Chico Alencar concorrerem ( e consequentemente um tirar o voto do outro e acabarem por ambos perderem as cadeiras) vai acontecer.

    Um projeto amplo o suficiente em torno de pautas minimas comuns é o melhor caminho, concordo. Há de se perceber que nesse projeto de “pauta minima” tem que ser pactuado entre os arcos desde a centro direita até a esquerda.Portanto, esse projeto será a “clausula petrea”. Obviamente, haverão diferenças, que serão deixadas de fora. Esses diferenças serão os pontos que o candidato vencedor terá liberdade de implementar, depois de negociar no Congresso. Mas o arco democrático já terá garantido “o minimo comum” no projeto inicial. O resto entra na disputa da arena política republicana.

    O republicanismo e o apoio dos governadores precisa ser recuperado. As regiões do país são extremamente diversas, por isso um projeto conjunto para cada região e amplo de pautas minimas também precisa ser abordado nesse projeto do “arco democrático” de nível nacional. O Senado é um ótimo locus pra essa discussão, porque muito provavelmente os próximos candidatos a governo do estado estão ali, além dos candidatos a reeleição.

  22. Correta a avaliação.
    Mas existe um pressuposto anterior ao da implementação: Ter base congressual para aprovar e impor essas pautas.
    Por isso acho que os “puxadores” de voto de cada partido tem que fazer corpo na Câmara e no Senado.
    Acho por exemplo que Lula deveria tentar o Senado ( supondo as anulações dos processos).
    ( acredito que a lei não mudou para puxadores de votos em partidos, apenas para alianças, há de se verificar isso). Esse fato também obrigaria a negociar os apoios para cadeiras no Senado, caso contrário “tiros no pé’ como Lindberg e Chico Alencar concorrerem ( e consequentemente um tirar o voto do outro e acabarem por ambos perderem as cadeiras) vai acontecer.

    Um projeto amplo o suficiente em torno de pautas minimas comuns é o melhor caminho, concordo. Há de se perceber que nesse projeto de “pauta minima” tem que ser pactuado entre os arcos desde a centro direita até a esquerda.Portanto, esse projeto será a “clausula petrea”. Obviamente, haverão diferenças, que serão deixadas de fora. Esses diferenças serão os pontos que o candidato vencedor terá liberdade de implementar, depois de negociar no Congresso. Mas o arco democrático já terá garantido “o minimo comum” no projeto inicial. O resto entra na disputa da arena política republicana.

    O republicanismo e o apoio dos governadores precisa ser recuperado. As regiões do país são extremamente diversas, por isso um projeto conjunto para cada região e amplo de pautas minimas também precisa ser abordado nesse projeto do “arco democrático” de nível nacional. O Senado é um ótimo locus pra essa discussão, porque muito provavelmente os próximos candidatos a governo do estado estão ali, além dos candidatos a reeleição.

  23. A Centro direita quer mudança a fim de que tudo continue como antes no quartel de Abrantes.

    Os partidos de centro direita, inobstante incensados pela mídia, estão definhando, juntamente com a extrema-direita do Bolsonaro. Os partidos de esquerda, ao contrário, e nada obstante o conluio jurídico-midiático-parlamentar, resistem heroicamente. Assim, a tenta direita tenta se salvar montando nas costas do Lula/PT.

    Acho que essa aliança não vai beneficiar o PT, muito pelo contrário. Ela só vai beneficiar a centro direita, pois vai permitir a sobrevivência desses crápulas.

    Quanto aos Milicianos, eles, por si sós, estão se destruindo. Bebianno entrega Moro, Guedes e Bolsonaro. Joice e o Capitão debandam e denunciam as maracutaias do governo. O Aras está aparentemente contra o Flávio Bolsonaro e Queiroz, o Bivar briga com o Bolsa de bosta, etc. Não é necessária essa aliança para derrotar essa meia dúzia de milicianos que cabem na palma da mão.

    Lula, qual’é, Mano?

  24. A Centro direita quer mudança a fim de que tudo continue como antes no quartel de Abrantes.

    Os partidos de centro direita, inobstante incensados pela mídia, estão definhando, juntamente com a extrema-direita do Bolsonaro. Os partidos de esquerda, ao contrário, e nada obstante o conluio jurídico-midiático-parlamentar, resistem heroicamente. Assim, a tenta direita tenta se salvar montando nas costas do Lula/PT.

    Acho que essa aliança não vai beneficiar o PT, muito pelo contrário. Ela só vai beneficiar a centro direita, pois vai permitir a sobrevivência desses crápulas.

    Quanto aos Milicianos, eles, por si sós, estão se destruindo. Bebianno entrega Moro, Guedes e Bolsonaro. Joice e o Capitão debandam e denunciam as maracutaias do governo. O Aras está aparentemente contra o Flávio Bolsonaro e Queiroz, o Bivar briga com o Bolsa de bosta, etc. Não é necessária essa aliança para derrotar essa meia dúzia de milicianos que cabem na palma da mão.

    Lula, qual’é, Mano?

  25. Sabe Nassif, de uma coisa tenho certeza absoluta.
    Por meios pacíficos o que você propõe no artigo JAMAIS vai acontecer.
    Os políticos brasileiros não tem inteligência suficiente para promover um arranjo deste porte.
    Se tivessem, o judiciário impediria. Ali dentro só tem reacionários e golpistas.
    Lamento.

  26. Dificilmente a esquerda voltará ao poder no Brasil, a direita se uniu toda em torno do Bolsonaro, com o mesmo discurso, falando todos a mesma língua, PSL, PP, PR, PRB, PTB, PSDB, MDB etc. Enquanto a esquerda PT, PCdoB, PSOL, PDT, cada um fala uma coisa e cada um quer aparecer mais que o outro. Sobressaí o PT que é maior e perde para a direita que unida e falando a mesma língua, ainda conta com o mercado, a mídia como um todo a seu lado, o único órgão de imprensa que não apoia a direita é a Carta Capital e os blogues sujos, infinitamente inferiores em tamanho e alcance que os demais.

  27. O Nassif como político é um excelente jornalista!
    Quando se faz qualquer aliança é necessário saber se os dois lados estão de acordo e neste caso o que propõe o Nassif é que o PT entre com os votos e os outros saiam com o dinheiro.
    O proposto pacto é o mesmo que uma sociedade comercial em que um entra com o dinheiro (no caso os votos) e os outro entra com a experiência, o resultado será que quem entra com os votos sairá como a experiência e o outro lado continuará com o poder.
    Há uma ilusão que a chamada polarização é algo criado artificialmente, na verdade a polarização é resultado do processo político iniciado pela própria direita e suas variáveis como a centro-direita e a extrema direita.
    A existência de uma centro-direita independente da extrema-direita e vice-versa é uma ilusão e querer fazer pactos com as duas para combater uma delas é um erro.
    Milicianos e PCC não são os “faccio di combattimento” muito menos as Sturmabteilung (SA) alemãs, são criminosos comuns e não criminosos políticos e não há esquema “republicano-político” que combata as organizações criminosas, logo tentar fazer frentes parlamentares para combatê-las é uma tolice imensa, a única força capaz de combater estas organizações é exatamente os “radicais de esquerda” que no momento que virem a união das forças do PT com os associados limpinhos (PSDB, por exemplo), das mesmas organizações sendo apoiadas pelo PT. Não podemos esquecer que o PCC é aliado exatamente com os partidos de centro-direita como ocorre em São Paulo.

  28. O mais interessante são as sugestões de alguns comentaristas que procuram simplesmente fórmulas para anular o PT, como:
    1) Os radicais de esquerda estão fora do PT (gostaria de saber quem são estes radicais de esquerda)
    2) Deve ser feito um pacto como o de Portugal e Espanha, onde a esquerda entra com seus votos e na primeira oportunidade levam um pontapé na bunda.
    3) Que o Lula deve concorrer ao Senado (parece que querem excluir da votação majoritária, que ele em condições de ganhar, para neutralizá-lo num cargo do legislativo)
    São muito espertinhos, mas conheço esta esperteza de longa data.

  29. A parte da correlaçao de forças é a mais interessante. O ponto de partida é identificar QUEM SÃO esses do chamado “centro”, se é que existem; depois, se perguntar se eles querem mesmo algum tipo de conversa com algo que se mexa e pareça “de esquerda”; por último, “dialogar”, ou seja, ouvir que DHs é coisa de “radical”, Direitos Civis de minorias é coisa de “radical”, Direitos Sociais são coisa de “radical”, meio ambiente é coisa de “radical”….e assim, costurar um acordo.

  30. O fim dos privilégios no Estado e a redução do altíssimo custo da política no Brasil não entram como cláusulas pétreas? O Estado é uma das fontes da desigualdade. O fosso entre sociedade e Estado permanecerá enquanto não houver República neste país. Acho que a geringonça proposta é conservadora e os brasileiros querem reformas anti sistema.

  31. O último pacto com o centrão resultou em mensalão, petrolao e golpe na Dilma. Aprendizagem zero? O Brasil precisa uma República para dar legitimidade a política, acabar com privilégios que aumentam a desigualdade e diminuir pela metade o altíssimo custo da política no Brasil. Para começo de conversa.

  32. + comentários

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