Os atos do Ministro Dias Toffoli, ainda que atabalhoados, respondem a uma estratégia contra o lavajatismo, ainda muito presente na Polícia Federal, com suas extensões na mídia.
É preciso uma visão de conjunto para entender o que acontece nesse tiroteio com a Policia Federal.
Peça 1 – a partidarização da Polícia Federal
- Caso Paulo Lacerda: em plena Operação Satiagraha, Lacerda, então diretor da ABIN, foi acusado falsamente de instalar grampos telefônicos, em articulação de ministros do STF com apoio da revista Veja. Apesar de a denúncia ter sido desmentida, Lula cedeu às pressões e o afastou.
- Consequência: a saída de Lacerda abriu espaço para a politização da PF, que nos anos seguintes atuou em favor de Aécio Neves e, depois, se consolidou na Lava Jato, utilizando vazamentos seletivos como arma.
Na época da demissão de Lacerda, Lula incumbiu a então Ministra-Chefe da Casa Civil e Tarso Genro de telefonarem para Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e eu, para garantir que nada mudaria. Éramos os três que estávamos na linha de frente do combate ao Opportunity.

Logo após o impeachment, fiz uma entrevista com Dilma. Terminada a entrevista, ela me contou que, na época, o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos telefonou pedindo “encarecidamente” que alertasse Lula para não tirar Paulo Lacerda. Se isso ocorresse, não haveria nenhuma liderança capaz de impedir a politização ampla da PF.
Não adiantou. Nos anos seguintes, o que se viu foi a montagem de grupos deletérios na PF, e a parceria com jornalistas-sela (que se deixam cavalgar pelas fontes), culminando na Operação Lava Jato, o maior episódio de antijornalismo da história. Suas armas eram, justamente, o vazamento de informações.
Peça 2 – o padrão jornalístico da Lava Jato
O padrão jornalístico da Lava Jato é o seguinte:
- Vazamento inicial: uma nota sem provas concretas ou sem evidências de crime. Como os vazamentos vêm das forças policiais envolvidas com a operação, fornecem uma vantagem inicial para os jornalistas aliados.
- Amplificação midiática: cada nota é seguida de um sequência de matérias escandalosas ou denúncias frágeis, fatos ou rumores, pouco importa, para garantir a continuidade.
- Construção narrativa: suspeitas se acumulam, mesmo sem evidências, reforçando a musculatura da campanha.
- Frente ampla: instala-se a adesão de outros veículos, entrando na disputa de notícias dentro da pauta definida pelas primeiras denúncias.
- Álibi universal: a intimidação da crítica é a alegação convencional: quem é contra é a favor da corrupção.
Peça 3 – a quem serve?
Um grande jornalista investigativo, José Roberto Alencar, tinha uma definição exemplar sobre o lobby.
Há duas maneiras de fazer o lobby:
- a primeira, defendendo o lobista;
- a segunda, mais eficiente, atacando os adversários do lobista.
Sempre que surgirem campanhas sistemáticas na mídia, contra alvos específicos, a informação mais relevante a ser levantada é: a quem serve?
Hoje em dia, há um sem-número de interesses ameaçados pela ação da parte legal da PF, com o amplo apoio do Supremo Tribunal Federal.
- a atuação contra o crime organizado no mercado financeiro, através das operações Colossus e Carbono Oculto;
- as operações contra o crime organizado instalado no Congresso Nacional, agindo através das emendas secretas;
- a operação, avalizada por Toffoli, que levantou os arquivos da 13a Vara Federal, em um inquérito que poderá levar à prisão do ex-juiz Sérgio Moro e, por tabela, de procuradores e delegados envolvidos na trama.
Peça 4 – o caso Master
A parceria lavajatista entre PF e jornalistas foi desarmada – e desmoralizada – com a operação Spoofing.
Quando a PF teve acesso ao material levantado por Walter Delgatti, a primeira atitude do então Ministro da Justiça Sérgio Moro, foi ligar a vários parlamentares declarando que estava atento para poupá-los de eventuais denúncias e vazamentos.
Quem tem a informação, tem o poder.
Quando surgiu o caso Master, os Ministros manifestaram a preocupação de que poudesse se transformar em uma nova Lava Jato.
O quadro é favorável:
- Um escândalo que envolve desde caciques do Centrão a autoridades atuais, que aceitaram propostas do banco antes de saber de suas irregularidades.
- Vem no bojo da Operação Colossus, envolvendo todo o mercado financeiro.
- A apreensão em massa de celulares e computadores, gera uma quantidade infinita de informações.
- Os vazadores podem direcionar a cobertura selecionando as informações para vazamento.
- Apesar da óbvia intimidade entre os dirigentes do Master e as lideranças do Centrão, a cobertura ficou focalizada exclusivamente no contrato da esposa de Alexandre de Moraes, extravagante, pelos valores sugeridos.
De fato, com o caso Master, o lavajatismo volta à toda, com os mesmos objetivos de antes: com os delegados lavajatistas utilizando vazamentos para o chamado jornalismo-sela para ampliar seus poderes e voltar ao reino dos vazamentos com objetivos políticos.
Peça 5 – os cuidados de Alexandre de Moraes
Inquérito das fake news: quando Alexandre de Moraes instaurou o inquérito, trouxe policiais de sua confiança, consciente da contaminação da PF após a saída de Paulo Lacerda.
Inquérito da 13a Vara – Toffoli só conseguiu avançar nessa operação quando colocou um delegado profissional, e foi alertado para boicotes que partiam de outros setores envolvidos no caso.
Nos últimos tempos, a PF parecia ter recuperado seu profissionalismo, com operações contra o crime organizado sem vazamentos e sem show midiático, sob o comando de um delegado sério.
Provavelmente foi esse comportamento que fez o STF se descuidar.
O primeiro vazamento foi contra o Ministro Moraes. Seguiu-se a suspeita de que lavajatistas do COAF e da Receita tivessem acessado dados dos ministros.
Peça 6 – aula prática do modelo jornalístico Lava Jato
Na Peça 2 expliquei o modelo de cobertura Lava Jato.
A força da campanha reside na capacidade de colocar, enfileiradas, várias sequências de denúncias, tendo como ponto de partida o primeiro vazamento. Amplia-se a onda e deflagra-se um movimento de denúncias por toda a imprensa, sem nenhum contraponto. O efeito-manada é invencível no jornalismo pátrio.
No caso, de Moraes, na sequência veio a história dos supostos telefonemas a Galípolo (atribuídos a “fontes do mercado”), transformando dicas em denúncia, desacompanhada de qualquer prova ou evidência.
E, agora, os investimentos de fundos ligados ao Master no resort montado por parentes de Toffoli. Para aumentar a “gravidade” da denúncia, veio a informação de que Toffoli já se hospedara no resort.
Os fundos aplicaram em um ativo real, com valor de mercado definido ou pagaram um sobrepreço? É o ponto central para separar uma operação comercial de um suborno. Mas pouco importa. Detalhes, ainda que essenciais, atrapalham o carnaval. Afinal, nós ganhamos para conquistar likes.
O carrossel tem que rodar, assim como a relevante informação de que Toffoli foi de carona em um jatinho para assistir a um jogo do Palmeiras, e, junto com ele, também de carona, estava um advogado conhecido, colega do Largo São Francisco. E dois dias depois saiu o sorteio do STF, passando o caso Master para Toffoli.
É o mesmíssimo sistema da Lava Jato, de estabelecer correlações sem sentido: o caso caiu para Toffoli porque ele e um advogado de um diretor do Master viajaram juntos de carona. Mas sempre confiando na ignorância do leitor-massa.
É evidente que suspeitas devem ser apuradas, é evidente que são situações incômodas para o STF, exigindo um código de conduta. Mas, aí, nosso jogo volta para a Peça 3: a quem serve essa campanha?
Peça 7 – as complicações de Toffoli
Tem-se, de um lado, portanto, a ala lavajatista da PF recorrendo a vazamentos e reativando sua parceria com o jornalismo lavajatista. De outro lado, um Ministro fechado, sem interlocução com a imprensa e sem estratégia clara de defesa. É o campo aberto para levar tiro.
Tome-se o caso dos quatro auditores que Toffoli indicou para as investigações.
Como um deles é meu homônimo, Luíz Nassif (com Z) – o nome completo é Luíz Filipe da Cruz Nassif e não temos nenhum parentesco – fui investigar seu currículo.
Prof. Luíz Filipe da Cruz Nassif
- Graduado em Engenharia da Computação pelo Instituto Militar de Engenharia. Mestre em Engenharia Elétrica com ênfase em Segurança da Informação e Informática Forense pela Universidade de Brasília. Professor da Academia Nacional de Polícia e do Instituto de Pós-Graduação.
- Já atuou como professor da Faculdade de Tecnologia Avançada, professor convidado da Escola Nacional do Ministério Público e da Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro. Ex-oficial do Exército, servindo no Centro Tecnológico do Exército em 2006.
- Perito Criminal Federal da Polícia Federal desde 2006.
- Trabalhou no Setor Técnico-Científico da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo por 11 anos.
- Atualmente trabalha no Serviço de Perícias de Informática do Instituto Nacional de Criminalística, desenvolvendo pesquisas e projetos nas áreas de Computação Forense, reconhecimento de padrões e recuperação de dados.
- Criador, líder do projeto e principal desenvolvedor do software de análise de dados IPED, utilizado em mais de 40 países.
Ou seja, um técnico de renome internacional, orgulho da PF, pelo currículo provavelmente o mais respeitado perito da PF. Seria o último nome a ser pensado, caso houvesse intenção de Toffoli de mascarar a investigação.
Peça 8 – o inquérito
Nenhuma informação ficará fora dessa perícia. Não há como.
A única diferença é que não haverá vazamentos de informações, alimentando a estratégia lavajatista.
Se a estratégia Lava Jato não conseguir derrubar Toffolli, suspeitas serão investigadas pela parte séria da PF, acusações serão embasadas em evidências e provas.
E não haverá maneira de um Ministro, isoladamente, interferir no julgamento final: que falta antes de um julgamento “definitivo”
Antes que o STF possa julgar (votar) as acusações — caso elas sejam formalizadas como uma ação penal — os seguintes passos típicos ainda podem ocorrer:
- Conclusão das diligências investigativas (PF/PGR) e envio de um relatório final ao STF;
- Apresentação de denúncia pelo Ministério Público Federal (ou PGR) ao STF, se houver indícios suficientes;
- Distribuição da ação penal entre os ministros, com sorteio de relator;
- Oitiva dos investigados e produção de provas na Corte, sob sigilo;
- Julgamento em plenário (se envolver ministros/parlamentares), ou em turma, dependendo do caso e das regras internas do STF.
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Marcio
17 de janeiro de 2026 3:01 pmOi Nassif, dos jornalistas citados só nos resta você, Paulo Henrique e Mino não estão mais para a briga. Os Delegados sumidos, Protogenes escondido na Suíça com a ex mulher perseguida aqui. O Hum Milhão de dólares que ele denunciou ter recebido sumiu?
No master as quantias são astronômicos! Mata-se por muito menos!
Os produtos de guerra quimica/biológica usadas na tomada da guarda de maduro não são citados em lugar nenhum, só que foram mortos.Cub a divulgarâ alguma coisa?
+almeida
17 de janeiro de 2026 7:45 pmAcredito que essa monumental explosão sigilosa de crimes, traições, indecências e alucinadas ações gananciosas, certamente são vergonhosas e repugnantes missões originadas e comandadas diretamente do trono maior, onde se assenta o Excelentíssimo Capo Rentista Mor, que é aquele que tem bem guardado no cofre o poder financeiro, o poder midiático, o poder policial federal, o poder congressional e o alto poder judicial. Porém, faltou a cereja do bolo do poder quase indestrutível, que é a embalagem da proteção. E, talvez, essa enigmática embalagem tenha sido tecida dos fios mais secretos e escabrosos que escondiam segredos pecaminosos e aviltantes, das ações e das condutas das mais altas autoridades do país. Quem é o teu poderoso sócio, Brasil? Qual é o teu verdadeiro negócio? Quem te pagou para que tudo chegasse a se tornar essa fétida latrina federal. br?
Confia e conta pra gente.
+almeida
17 de janeiro de 2026 8:09 pmO pior é que parece existir algum interesse maior, que até pode estar ptovocando e incitando a consolidação da flagrante insegurança jurídica, no tema 1102, que trata da Revisão da Vida Toda. Por que será que tanto insistem na realização dessa aberração constitucional? O que pretendem com isso? Será que também querem consolidar uma jurisprudência da injustiça, para depois denegrir, difamar e provar na justiça, a injustiça e a inconfiabilidade da justiça e do Poder Judiciário? Será que conseguirão destruir a última barreira da resistência e da autoridade jurídica e constitucional?
Cego mesmo é aquele que enxergar, só até onde a vista alcança.
+almeida
17 de janeiro de 2026 8:13 pmO pior é que parece existir algum interesse maior, que até pode estar ptovocando e incitando a consolidação da flagrante insegurança jurídica, no tema 1102, que trata da Revisão da Vida Toda. Por que será que tanto insistem na realização dessa aberração constitucional? O que pretendem com isso? Será que também querem consolidar uma jurisprudência da injustiça, para depois denegrir, difamar e provar na justiça, a injustiça e a inconfiabilidade da justiça e do Poder Judiciário? Será que conseguirão destruir a última barreira da resistência e da autoridade jurídica e constitucional?
Cego mesmo é quem só enxerga, até aonde a vista alcança.
fabricio coyote
18 de janeiro de 2026 7:03 amxadrez não é jornalismo: nem Lula defende quem indicou com tanto amor. e nem se diga que o tofu de milico cria a própria legislação processual. os juízes e juízes + ministério púdico fazem o que bem entendem com o sistema de justiça. a diferença é que a lava jato buscou o holofote. e a sorte do trabalhador e da trabalhadora é que temos um último suspiro até 2030, pois a reeleição de Lula é certa, até pq como político não tem ninguém que chegue aos pés do torneiro mecânico e a nossa sorte é que o dedo decepado sempre o lembra da perversidade do capitalismo. a única oposição é a globo, que precisa de um monte de cicerone para tentar arranhar a desenvoltura do nor-destino. Viva Exu que pariu Luis Gonzaga! Laroiê!
evandro
18 de janeiro de 2026 8:05 amNassif.
O presente caso é emblemático pelo tamanho não por tudo que envolve. De minha parte tenho que se a gana (grana?) não fosse tanta, embolsaram milhões e estariam tranquilos. Até pq, basta ver o que se faz no judiciário.
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/01/18/tj-rr-pagou-r-15-mi-de-bonus-a-26-juizes-e-desembargadores-em-2-meses.htm
CEOjotaJUDICIARY
18 de janeiro de 2026 9:40 amTá suave Nassif,veja q nas denúncias de Delgatti no caso Lula,escolheram aquelas q PODERIAM ser reveladas,Tofoli tem o poder maior,terá q AGUENTAR PANCADA e terminar de exterminar os lavajatistas agora se voltar atrás os bandidos alcançarão nas Instituições de vez,ora precisa revelar os elos dela com a midia mimada e seus funcionariozinhos do jogo sujo jornalistas,só mete um na cadeia q a midia silencia rapidinho,Tofoli não se botre todo não,saiba q bc é do SUPREMO!!!
José de Almeida Bispo
18 de janeiro de 2026 9:16 pmO partidarismo continua escancarado também nas outras polícias, e em parte maior de judiciário e quase todo o Ministério Público. Funcionários pagos pela democracia para defender os princípios sagrados da democracia, a Justiça, obviamente atacando a democracia em nome da velha e paralizante oligarquia. Antiprogressista, obviamente. Um câncer.
Rui Ribeiro
19 de janeiro de 2026 9:37 amA suspeição do Ministro Toffoli estaria enquadrada em qual dos incisos a seguir?
Art. 145 do CPC: Há suspeição do juiz:
I – amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados;
II – que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio;
III – quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive;
IV – interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes.
§ 1º Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões.
§ 2º Será ilegítima a alegação de suspeição quando:
I – houver sido provocada por quem a alega;
II – a parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta aceitação do arguido.”
Alguma das partes é CREDORA ou DEVEDORA do Toffoli ou de algum de seus parentes ou de seu cônjuge? Há alguma prova de que o Toffoli tenha interesse no julgamento da lide em favor de qualquer das partes? O Toffoli recebeu presente de alguma das partes? É inimigo íntimo ou amigo íntimo de qualquer das partes? Senão, deixem de mimimis e chorumelas.
Valter luiz Peluque
19 de janeiro de 2026 9:48 amÉ um imbróglio tamanho e nenhum dos nomes envolvidos estão livre de suspeitas. E muitos outros nomes também surgirão se a investigação for levada a sério contra tudo e todos. Hoje ouvimos Eduardo Moreira no encalço dê Toffoli e de Moraes.
Está td muito confuso e parece que a tendência é ficar mais ainda.
angelaneves
19 de janeiro de 2026 3:45 pmNassif, voce poderia dar aula de como deve ser fazer jornalismo decente!!!