A eleição de Milei e 2026, por Ricardo Mezavila

As próximas eleições para presidente no Brasil serão em 2026, três anos após o provável desgaste do governo Milei.

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A eleição de Milei e 2026

por Ricardo Mezavila

O governo brasileiro não pode se deixar pautar pela extrema direita e a imprensa. É isso o que desejam com a eleição de Javier Milei na Argentina, em segundo turno no último domingo.  

Antes mesmo do total das urnas serem apuradas, o peronista Sérgio Massa fazia uma coletiva para reconhecer a derrota. A imprensa brasileira ficou na expectativa se Lula iria postar uma mensagem em rede social ou se ligaria para Milei. 

Minutos depois a assessoria do Presidente postou na rede social X uma mensagem desejando boa sorte e êxito ao novo governo, sem citar o nome de Milei. 

Milei já chamou Lula de “comunista” e “corrupto”, além de ter declarado que não pretende se reunir com o presidente brasileiro durante seu mandato. Ele também defendeu, em entrevistas, a retirada da Argentina do Mercosul. 

A extrema direita brasileira comemorou o resultado das eleições, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi convidado e irá à posse de Javier dia 10 de dezembro. 

Assim como no conflito entre Ucrânia e Rússia e, depois, Israel e Hamas, os derrotados na eleição de 2022 cobram uma posição do governo brasileiro para que isso alimente suas pautas ideológicas, que é o único terreno em que conseguem alguma vantagem. 

O governo brasileiro deve ter prudência ao lidar com a nova realidade na América do Sul, limitar qualquer tipo de interferência diplomática, para que as questões externas não tomem o rumo do caos como desejam os inimigos do Brasil. 

Em análise fria e egocentrista, a eleição de Javier Milei tem algo de positivo. A situação econômica na Argentina é insustentável, o presidente eleito não tem maioria no Congresso, caso consiga colocar em prática o que vem anunciando, como a saída do Mercosul, a dolarização da economia e a extinção do Banco Central, ficará pior ainda. 

As próximas eleições para presidente no Brasil serão em 2026, três anos após o provável desgaste do governo Milei. A extrema direita brasileira e a imprensa não terão a oportunidade de comparar os governos da Argentina e do Brasil, enfraquecendo o futuro candidato da oposição. 

O governo do Presidente Lula tem que dar prioridade à agenda interna, sem desgaste externo, não pode cair na armadilha de entrar em campo minado, que seria um presente para bolsonaristas que estão preparando as armas para criar um clima de conflito entre Brasil e Argentina, onde o Brasil tem muito mais a perder. 

Ricardo Mezavila, cientista político

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Redação

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