A grande apologia do capitalismo de Umberto Eco no livro sobre o Ur Fascismo, por Rogério Maestri

Umberto Eco traça um fascismo atemporal e moral que poderia existir em qualquer época da história depois do início do Neolítico.

A grande apologia do capitalismo de Umberto Eco no livro sobre o Ur Fascismo

por Rogério Maestri

Quase 100% desde os liberais aos marxistas acadêmicos adoram o pequeno livro de Umberto Eco denominado o “Ur fascismo”, um pequeno livro que é um desenvolvimento de uma palestra que o intelectual italiano deu numa universidade norte-americana que virou coqueluche de uma imensa parte da intelectualidade que dá uma definição atemporal e totalmente desvinculada dos tipo de sociedade que pode a grosso modo ser utilizado por qualquer governo autoritário ou totalitário, desde os Mongóis do reinado de Gengis Khan, passando pelo príncipe Vlad Țepeș da Transilavânia (mais conhecido por conde drácula), se fixando no Duce Mussolini, indo terminar no patético ocupante atual da cadeira da presidência da república. As características são tão genéricas que muitos as acham em Stalin, Getúlio Vargas e qualquer outro governante que seja antipático a quem deseja desqualificar regimes políticos e/ou governantes.

A esquerda geralmente abusa tanto da definição, que utiliza essa denominação para policiais violentos com mais características de homicidas psicopatas do que adeptos da ideologia fascista. Ou seja, virou um chavão sem a mínima coerência que serve para substituir palavrões em atos públicos ou privados.

Porém há somente uma ideologia que é poupada desse desaforo pelo texto, pois poderíamos dizer que o livro é uma santificação e congelamento da relação de forças da ideologia capitalista, indo bem longe da luta antifascista daqueles que tombaram na luta contra os fascistas como Antonio Gramsci e milhões de outros comunistas, anarquistas, sociais democratas e até liberais, adotando o antifascismo na ausência do mesmo para uma parte da esquerda abandonar a luta contra o capitalismo e o imperialismo deixando de lutar contra um inimigo vivo em nome de um espantalho.

Umberto Eco e seus admiradores trabalham com uma concepção idealista da existência de um “Fascismo Eterno” o “Ur Fascismo” que fica totalmente descolado de razões históricas sendo somente uma característica inata da natureza humana que pode voltar a qualquer tempo sem nenhuma vinculação a situações objetivas políticas e econômicas. Essa concepção idealista fica claro no seguinte parágrafo.

“Tuttavia, anche se i regimi politici possono venire rovesciati, e le ideologie criticate e delegittimate, dietro un regime e la sua ideologia c’e sempre un modo di pensare e di sentire, una serie di abitudini culturali, una nebulosa di istinti oscuri e di insondabili pulsioni. C’e dunque ancora  un altro fantasma che si aggira per l’Europa (per non parlare di altre parti del mondo)?”

(No entanto, mesmo que os regimes políticos possam ser derrubados e as ideologias criticadas e deslegitimadas, por trás de um regime e sua ideologia há sempre uma forma de pensar e sentir, uma série de hábitos culturais, uma nebulosa de instintos obscuros e impulsos insondáveis. Então, existe outro fantasma vagando pela Europa (para não mencionar outras partes do mundo)?

Ou seja, Umberto Eco trabalha com um conceito de ideologia não algo a serviço das classes dominantes, mas sim de algo misterioso, sombrio e instintivo, como algo atávico da natureza humana.

O texto de Umberto Eco desdobra-se entre uma Ode aos seus libertadores norte-americanos, despreza os partigiani comunistas italianos, comparando as lutas com mortes dos mesmos com a pluralidade que ele notava escutando belas mensagens da BBC e citando uma frase de Roosevelt.

Depois de todo esse introito vem a sua teoria do fascismo atemporal e eterno que ele faz uma lista de características que permite encaixar qualquer ditadura em qualquer período da história da humanidade, não colocando nessa lista algo que ele coloca escondido no texto que o fascismo foi sempre apoiado pelos latifundiários sem citar os industriais, ou seja, que o fascismo que ele enumera era essencialmente uma evolução do capitalismo.

Ou seja, Umberto Eco traça um fascismo atemporal e moral que poderia existir em qualquer época da história depois do início do Neolítico.

Mas o mais interessante é que Eco cai num sabujismo incrível na citação de Roosevelt que diz:

“La vittoria del popolo americano e dei suoi alleati sarà una vittoria contro il fascismo e il vicolo cieco del dispotismo che esso rappresenta”

“A vitória do povo americano e de seus aliados será uma vitória contra o fascismo e o impasse de despotismo que ele representa.”

Ou seja, se os americanos não tivessem entrado na Europa quase no fim da guerra, o fascismo perduraria para sempre, pois somente a democracia burguesa seria capaz de vencer o fascismo, pois essa é a quintessência da libertação que eles levam aos povos de todo o mundo, como os Vietnamitas, os Iraquianos, os Sírios e todas as nossas repúblicas bananeiras.

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