A polarização é problema ou solução?, por Gilberto Maringoni

O objetivo maior deve ser quebrar a falsa ideia de que nosso problema é a polarização. Polarizar com o bolsonarismo deve ser a meta das oposições. É o passo inicial para derrotá-lo.

A polarização é problema ou solução?

por Gilberto Maringoni

Um lugar comum disseminado nas análises sobre a situação brasileira é o de que o país estaria polarizado e este seria um problema a ser enfrentado. A saída para a despolarização estaria no fortalecimento de um incerto “centro” político, que abandonaria os extremos e recolocaria o país nos trilhos. Não é difícil ver quem a mídia aponta como solução “de centro”.

É uma tese tão certinha e tão redondinha que tem toda a pinta de ser furada.

Não há polarização política alguma. O que há é o fato de um setor extremo da direita ter ganho legitimidade popular para radicalizar um projeto ultraliberal de país. Para sua materialização acontecer é essencial quebrar resistências de todo tipo. Isso só se faz rompendo com as regras democráticas da Constituição de 1988.

Não há polarização quando essa extrema-direita convoca um golpe e líderes da esquerda seguem com suas agendas ególatras e saudosistas ou ficam na pasmaceira do nem-nem. Há exceções. Sorte que o golpe se desmancha por contradições entre a própria direita.

Não há polarização quando essa extrema direita avança no desmonte do país e do outro lado há vacilações na defesa do Estado, do desenvolvimento e do mundo do trabalho.

Evidentemente que tais ataques suscitam resistências e mobilizações de variados setores sociais. Mas ainda não conseguimos criar um polo consistente de enfrentamento ao esculacho ultraliberal.

Construir um projeto a partir das demandas concretas das pessoas – emprego, salário, comida, serviços públicos de qualidade e perspectiva de futuro – é tarefa mais que imediata. Penso que este movimento já começou, mas falta muito para seu amadurecimento.

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O objetivo maior deve ser quebrar a falsa ideia de que nosso problema é a polarização. Polarizar com o bolsonarismo deve ser a meta das oposições. É o passo inicial para derrotá-lo.

Polarizar é bom e não é pecado.

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3 comentários

  1. O que me deixa perplexo nesse momento é a perspectiva de uma certa esquerda que parece ignorar que o golpe foi há 4 anos atrás, em março de 2016. Dizem hoje que há “perigo de golpe” com o Planalto coalhado de militares e o Judiciário sob tutela militar.

    Uma esquerda que considerou “normal” uma eleição com Lula preso só poderia ser isso que é: um poço de tibieza, de falta de rumo e até mesmo de caráter.

    Com o desastre total de suas perspectivas políticas fantasiosas, “descobrem” o que a esquerda mais ligada à realidade sempre disse: que esse governo é inviável e deve ser derrubado, que a polarização política é desejável, que vivemos em uma ditadura, e que só a mobilização popular pode ser uma força política capaz de impor o interesse popular nesse momento.

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  2. Se saírem às ruas ou não, pouco importa, porque continuarão sendo, alegremente, a base bovina do Bozo. O ogro já rasgou a constituição trocentas vezes e nada acontece. Esperar reação dos demais poderes ??? Esqueçamos, todos tem o seu projeto totalitário particular. Na questão “rua” quem tá perdendo de lavada somos nós, morrendo de medo sair de nossas casas. Falta liderança? Não, tá faltando brio e compromisso.

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  3. Ao contrário do q pensam renomados acadêmicos e destacados líderes políticos, penso q a tal Polarização é uma situação extrema caracterizada pelo “Nós OU Eles”. Não concebo “Polarização Graduada” com variações na escala “Nós E Eles”. Bolsonaro tem ensaiado eliminar o seu oposto. As chamadas “esquerdas” têm força suficiente pra eliminar o seu oposto ? A Polarização é um caminho viável às “esquerdas” ?

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