A Razão da Necropolítica: 90% de nós somos dispensáveis
por Rogério Maestri
Entro no sexto ano escrevendo sobre o mesmo assunto, só que é a primeira vez que coloco um título que fará coro com centenas de artigos que estão sendo escritos mais recentemente, a NECROPOLÍTICA.
Necropolítica é simplesmente um desdobramento das políticas neoliberais do nosso capitalismo atual, ou seja, a extinção de grande parte da população para tornar o nosso planeta agradável, limpo e prazeroso para os 10% (ou até menos) que terão direito a gozá-lo.
Em 26/12/2014 escrevi um artigo que se chamava “Eles escolheram a barbárie” em que nesse e outros que o seguiam constatei que as Oligarquias Imperialistas Internacionais não estavam mais interessadas em dominar os países do terceiro mundo, coloca-los a trabalhar para o Império e retirar o máximo da mais valia do trabalho dos povos colonizados para que nas capitais dos impérios gozassem o fruto dessa exploração, em artigos posteriores segui com títulos sugestivos tais como “o Império não quer mais sócios, quer servos”, entretanto como em seis anos de estudo sobre do assunto e vendo o surgimento do termo Necropolítica, aprofundei ainda mais a minha conclusão, poderia substituir o último título por “O Império não nos quer nem como servo, nos quer mortos”, ou seja, a razão da necropolítica.
Mas simplesmente colocar uma frase de efeito é só para quem gosta de microblogs, o mais interessante é explicar porque essa frase tem sentido e razão.
Desde o primeiro artigo em 2014, me chamou a atenção, que o preço das guerras no Iraque, Líbia e finalmente na Síria, não eram compensadas pelo lucro que seria extraído pelo petróleo roubado por nesses países, se verificarmos que no Afeganistão o maior produto extraído pelas tropas norte-americanas é a papoula para produzir ópio, coisa que atualmente a indústria farmacêutica com seus opiáceos são produzidos a um custo extremamente baixo, parece que o importante não é o lucro com esses, mas a quantidade de pessoas em todo o mundo que se drogam e obtém uma felicidade instantânea deixando de lado a revolta, é o produto mais importante.
Mas voltando ao Iraque e Líbia, o que caracterizavam esses dois países, um alto IDH e uma sociedade que consumia não só o seu petróleo, mas também outras coisas que particularmente deixaram de consumir muito, comida.
A diminuição do consumo de petróleo e de produtos básicos pelos milhões que são mortos e mais o que estão em campos de refugiados, diminui em muito a pressão ambiental sobre commodities como as alimentícias, não fazendo que seus custos atinjam as capitais do Império e pressione a inflação sobre os seus pobres e miseráveis, ou seja, diminui-se a pegada ecológica simplesmente cortando os pés.
Vários países do mundo, nos últimos anos estão invertendo a expectativa de vida e as pessoas morrendo mais cedo. O tratamento dado aos velhos durante a epidemia também está levando ao mesmo resultado.
Se pensarmos no Brasil, um país que produz alimentos a baixo custo para toda a sua população, a volta da fome, promovida exatamente por um ministro da economia que fez um belo curso de especialização em morte na ditadura Pinochet, encaixa-se perfeitamente na noção de necropolítica.
Mas o título do artigo traz uma surpresa aqueles que ainda não entraram na lista de pobres e miseráveis no nosso país. Vocês não entraram, mas certamente a maioria de seus filhos e netos entrarão.
A última frase pode parecer fantasiosa, mas se fizerem uma pequena análise histórica do ganho de produtividade de qualquer empregado em qualquer setor, verão que esse ganho nos últimos 100 anos no mínimo foi quadruplicado. Porém esse ganho de produtividade não foi transformado em ganho de salário ou diminuição de horas trabalhadas, e poderia dizer sem medo de errar que com a robotização e informatização do trabalho, acrescida da última moda, o home office, ainda se trabalhará mais, com menor custo ao patrão e com o salário reduzido.
Para a afirmação do desemprego estrutural que está se criando no mundo vou utilizar os resultados de uma pesquisa citada em várias revistas de economia feita por dois pesquisadores de Oxford em 2013 (The future of employment: How suceptible are Jobs to computerisation?) de Carl Benedikt Frey e Michael A. Osborne, dois pesquisadores doprograma Impacts of Future Technology for hosting the “Machines and Employment”, cito o texto não para mostrar erudição e conhecimento, simplesmente para não acharem que foi tirado do data-center do Facebook do titio.
Pois bem, em 2013 esses autores pesquisaram em 2013 detalhadamente 702 ocupações e verificaram qual a percentagem dessas que num futuro próximo poderiam ser substituídas por um trabalho automatizado. A grande conclusão que num período de 25 anos 47% dessas corriam sérios riscos.
A conclusão acima, agregada ao custo ambiental que tem uma pessoa, em menos de trinta anos podemos chegar a conclusão que 50% dos trabalhos simplesmente deixarão de existir. Se olharem em propagandas de cursos, escolas e universidades verão que há uma constante elogio das novas profissões que irão surgir, profissões essas que depois de uns cinco anos de graduação, dois anos de mestrado, quatro ou cinco anos de doutorado e mais algum pós-doc numa universidade de prestígio, um neto de quem está lendo esse texto poderá ganhar o mesmo salário que seu avô que tinha o curso técnico de contabilidade ganhava.
Além desse processo de sucateamento das pessoas, temos que entender que com essa diminuição dos postos de trabalho, naturalmente a contribuição para impostos e previdência social diminuirá em muito, tirando toda a possibilidade de implantação de um estado de bem estar social, logo, a saúde, a educação, a aposentadoria e qualquer outro benefício serão regiamente pagos diretamente por quem os recebe, voltando-se as condições anteriores a idade média
Por esses e por outros motivos, criar uma necropolítica é uma primeira aproximação de esvaziamento do nosso planeta
Wilton Cardoso
10 de janeiro de 2021 9:34 amCaro Maestri, de fato a automação e a racionalização do trabalho está tornando a maior parte da população mundial supérflua (um termo da nova crítica do valor) para o capitalismo. E isto desde a década de 1970, com a 3a revolução industrial da microeletrônica. Na indústria e agricultura, onde a maior parte do valor e do lucro é produzido, a mecanização e a automação já expulsaram a maior parte da mão de obra, que agora infla o comércio e serviços, que oferecem vagas cada vez mais precárias (empregos nos quais as pessoas sentem na pele o que é ser supérfluo/descartável). E agora a automação já avança no próprio setor terciário: bancos e compras online, serviços de entrega automatizado, 5g etc, o que vai precarizar ainda mais o setor.
Mas você diz, por outro lado, que tudo isso é um plano da oligarquia mundial que quer eliminar os supérfluos e preservar uns 10% do povo (digamos, o 1% rico e seus capatazes de classe média alta). Na verdade, este processo que torna as pessoas supérfluas e resulta em necropolíticas neoliberais não é controlado pelas elites e nem desejado por elas, mas um “efeito colateral” do colapso do capitalismo e da crise de valorização do capital.
Afinal, se a automação premia os capitais particulares que inovaram primeiro, no todo capitalista ela diminui a massa global de lucros e, claro, de impostos, provocando caos politico em estados incapazes de arrecadação e gastos sociais, desemprego estrutural e aumento da dívida (familiar, empresarial e estatal) para compensar a queda da renda, do lucro e da arrecação, obrigando o capitalismo a funcionar a base de bolhas de crédito. A financeirização não é a causa da crise capitalista, mas sua consequência, ou seja, não é um plano malévolo ou decisão política equivocada das elites, e sim uma necessidade de alimentar o capitalismo com o valor (fictício, em forma de crédito) que ele não consegue mais criar por meio do lucro.
Eu diria, até, que as elites estão muito preocupadas com a situação atual, pois uma crise pior que a de 2008 pode vir a qualquer momento a haver uma desvalorização geral do capital, não poupando nem mesmo os grandes capitais.
AS elites são insensíveis ao sofrimento do povo e fazem de tudo para permanecer no topo do sistema, mas não conspiram para eliminar os supérfluos: elas apenas seguem a lógica mercantil, cuja consequência é o crescimento da massa de supérfluos e uma crise social e ecológica cada vez pior. Não são inocentes, mas também não têm o controle da dominação do capital, que é autônoma, cega, abstrata e impessoal.
A solução, portanto, não é uma guerra contra as elites e pela distribuição da riqueza em forma de capital (em colapso). A solução e sair do modo de produção capitalista, da lógica do valor, acabando com o valor e sua substância, o trabalho abstrato (assalariado). Só assim podemos utilizar a automação a nosso favor e sem agredir a natureza.
Antonio Uchoa Neto
10 de janeiro de 2021 10:16 amAs pessoas parecem ter dificuldade para admitir que o cálculo frio, pragmático, e não a compaixão solidária, é o componente que dirige a ação, ou a inação deliberada, da classe dirigente.
Aliás, rejeitam o termo “classe dirigente”; afinal, são gente como a gente.
Efeito provável, pelo menos aqui no Ocidente, da persistente influência da moral cristã.
A qual, como se sabe, na prática, é inexequível.
Alguém aqui conhece alguém que, tendo levado um tapa na cara, ofereceu a outra face?
Eu não. todas as pessoas que eu vi, na vida, serem agredidas, revidaram.
Inclusive, e principalmente, alguns deles, cristãos convictos e praticantes.
Eu faço parte do quadro que o Maestri pinta, nesse post; tendo trabalhado, com carteira assinada, praticamente a vida toda na área administrativa, não tenho a menor perspectiva de voltar a esse nicho, como seria natural, pela experiência; o algoritmo já nasce sabendo, dispensa treinamento, não pede aumento de salário, e pode ser substituído, se for o caso, instantaneamente.
Uma maravilha.
O computador substituía braços, antigamente.
Agora, dispensa cérebros, também.
A gravidade desse assunto, ou seja, a transformação do ser humano em item dispensável, inútil mesmo, das relações sociais do trabalho, da produção, ainda não foi percebida pela maioria esmagadora da população que, um dia, será afetada por esse estado de coisas.
A grande mídia, principalmente, foge do assunto como o diabo da cruz.
Quando a situação estiver escancarada, batendo na porta de cada um dos novos “dispensáveis”, “inúteis”, talvez venha a ser tarde para qualquer solução.
Até um paliativo, como a renda básica, provoca urticária em certas pessoas.
Entre estes, alguns que, brevemente, necessitarão dela.
Entre a classe dirigente, nada de urticária; apenas, tédio, para seguir com a pantomima de que o dinheiro sairá do bolso deles.
Mas paro por aqui. Por muito menos, já sou chamado, por alguns colegas comentaristas, de triste, desanimado, desalentado.
O pessoal que adora um wishful thinking.
Não há receita para o otimismo, que não tê-lo dentro de si.
Já para o pessimismo, sobram fatos, motivos e razões, e basta um pouco de análise desinteressada, para abortá-lo no mundo, sob a forma de um texto, ou silêncio obsequioso.
ROGERIO D. MAESTRI
12 de janeiro de 2021 1:57 amCaro Antonio, numa sociedade justa onde se procurasse pessoas com reais habilidades, como a tua de construir um texto límpido e claro, chegando em poucas linhas a uma excelente síntese, as tuas habilidades seriam de grande valor, porém numa sociedade em que o humano é pura mercadoria capacidade de reflexão não tem valor.
Antonio Uchoa Neto
12 de janeiro de 2021 8:08 amObrigado, Maestri, com toda a sinceridade. Suas palavras são um alento para mim.
Na minha juventude, lá pelos anos 80, eu escrevia muito; e, como um personagem de Salinger, não conseguia escrever nada sem já visualizar, antecipadamente, o texto em formato de livro.
Os tais tempos da inocência.
Depois, já perto dos trinta anos, vim para Salvador, onde a necessidade de sobreviver apertou, e eu abandonei, praticamente, essas veleidades.
Não há muito espaço para autodidatas no mundo, hoje, e minhas paredes não ostentam diplomas.
Nesses últimos anos, quando saí do mercado de trabalho, e para onde, provavelmente, pelo andar da carruagem, aos 57 anos e tendo trabalhado quase sempre em uma área onde o ser humano não é mais necessário, não conseguirei voltar, dediquei-me a desenterrar velhos projetos, e dentre eles, alguns que ainda conservam certa relevância, creio eu.
Tenho dois originais prontos, e estou concluindo um terceiro. E voltei a fazer algo que fizera no final dos 80 e começo dos 90: enviar textos para editoras, apesar de já ter acumulado uma cota razoável de rejection slips.
As editores acrescentaram uma nova justificativa para a recusa. Aos tradicionais “nossa programação para o período está fechada”, “seu texto é bom, mas não se enquadra em nossa linha editorial”, soma-se o “devido à pandemia, não estamos aceitando originais para avaliação, boa sorte”.
Sequer se dão o trabalho de ler. Sinceramente, eu preferia receber algo como um conselho para procurar fazer outra coisa na vida, desde que o texto fosse, ao menos, lido.
Qualquer semelhança com o novo mantra da “reestruturação”, como, por exemplo, acontece na Globo, e agora na Ford, é meramente a mesma coisa.
Mas sigo tentando. Suas palavras, repito, com toda sinceridade, são de grande valor para mim.
Um abraço.
ROGERIO D. MAESTRI
21 de janeiro de 2021 7:05 pmCaro Antonio.
Não desista, pois textos como os teus são difíceis de encontrar, eu por exemplo tenho uma enorme dificuldade. Assunto e ideias vem fácil mas uma formatação e uma clareza como a do teu texto não consigo.
Lembro lá dos meus anos do curso primário quando devia ter uns 9 anos fazia redações criativas sobre figuras que o professor colocava no quadro, ganhando boas notas. No quarto ano tive uma professora que corrigia todos os meus erros de morfologia como a palavra “nessessidade”, que sempre saía errada, erros de pontuação (que faço até os dias de hoje) e concordâncias eram comuns, e as notas foram caindo até que ganhei meu primeiro “UM”, ou seja,por pouco um zero, ao chegar em casa meus pais olharam o boletim e disseram de forma condescendente:
– Típico de um Maestri, bom em matemática, ruim em português.
Como me senti integrado na maldição familiar, daí por diante continuei sem mais escrever textos mais criativos e tive ótimo desempenho nas ciências exatas.
Ao no fim da vida profissional recomecei a escrever comentários no antigo Blog do Nassif até que um dia ele promoveu meu comentário a artigo. Fiquei tão orgulhoso que comecei a escrever mais (sempre com erros de pontuação e concordância), mas feliz da vida pois conseguia me comunicar, peguei o hábito e continuei, mais uma vez, com erros de pontuação e concordância, porém feliz e dando pouca bola para as críticas, pois ao ouvir os comentários de uma agora ausente comentarista do antigo espaço (Anarquista Lúcida) que trabalhava na área da linguistica, e defendia que o importante na comunicação é ser entendido e não ser impecável, segui em frente.
Hoje continuo a escrever, e acho que muitas pessoas me leem.
Conclusão: Siga em frente, que vencerás os obstáculos (mesmo que lhe disserem que os Uchoas não são bons em escrever)
Nêmesis
10 de janeiro de 2021 11:21 amBoas colocações, tanto no artigo, quanto no comentário.
Certamente, a automação está tornando dispensável parcela cada vez maior dxs trabalhadorxs. O que é questionável, é se esse processo é algo deliberado pelos donos do poder (o qual vai muito além de ter N bilhões na conta bancária).
Aliás, as discussões sobre os desdobramentos do, digamos, “pós-capitalismo”, volta e meia, aparecem por aqui.
Infelizmente, acredito que tais consequências sejam, no mínimo, desejadas por parte dos plutocratas. Como exemplo, as “pedras da Geórgia”, erguidas em 1980.
https://jornalggn.com.br/analise/cobertura-midiatica-da-pandemia-oculta-calculo-do-necrocapitalismo-e-capitalismo-gore-por-wilson-ferreira/#comment-1284790
Quanto ao colapso do capital, o Big Money já se antecipou, com o “Grande Reset”, que parece já estar em andamento, com o coronavírus, lockdown mundial, interrupção da atividade econômica e desemprego em massa. O próximo passo, possivelmente, é inflação à la Alemanha de 1920.
https://jornalggn.com.br/artigos/astrologia-transdisciplinar-com-grande-reset-big-money-tenta-reverter-grande-conjuncao-astral-por-wilson-ferreira/#comment-1284340
Outra coisa que aconteceu em paralelo às transformações econômicas: a deterioração mental de várias gerações, em decorrência do lixo (des)cultural apresentado pela televisão. Esta parte, era algo que a elite tinha controle. Vamos combinar que, se o povo fosse mais lúcido, aqueles teriam mais dificuldades de implantar sua agenda.
Entre as consequências disso, tivemos a eleição do Trump, nos EUA, e do Fantoche, no Brasil.
https://jornalggn.com.br/artigos/o-direito-a-literatura-e-os-meios-para-a-resistencia-por-arnaldo-cardoso/#comment-1284991
Embora isso soe como “Teoria da Conspiração”, fica difícil não acreditar, quando se abordam estes ângulos.
O problema é que a automação está sob o controle das grandes corporações. E estas não vão entregá-la, assim, de mão beijada. Deste modo, fica complicado esse uso mais social da automação – o que possibilitaria o aperfeiçoamento do ser humano.
Antonio Uchoa Neto
10 de janeiro de 2021 7:05 pm“Deterioração mental de várias gerações…”
Já li isso, em algum lugar, não lembro onde, descrito como “Campanha mundial de idiotização do ser humano”.
100% absolutamente certo.
Tendo como carranca de proa, em tempos idos, a televisão, e, hoje, a internet.
O assunto – a crescente desnecessidade, no âmbito das relações sociais e de produção, do ser humano, repito, é o mais grave que se apresenta ao ser humano, desde a bomba atômica, e ninguém dá a mínima.
ROGERIO D. MAESTRI
10 de janeiro de 2021 2:16 pmMais uma vez um comentário melhor que o próprio texto original, sintetiza, acrescenta e reescreve magistralmente o texto. Parabéns pela capacidade que eu não tenho e muito obrigado por tudo.
Antonio Uchoa Neto
10 de janeiro de 2021 4:28 pmAs pessoas parecem ter dificuldade para admitir que o cálculo frio, pragmático, e não a compaixão solidária, é o componente que dirige a ação, ou a inação deliberada, da classe dirigente.
Aliás, rejeitam o termo “classe dirigente”; afinal, são gente como a gente.
Efeito provável, pelo menos aqui no Ocidente, da persistente influência da moral cristã.
A qual, como se sabe, na prática, é inexequível.
Alguém aqui conhece alguém que, tendo levado um tapa na cara, ofereceu a outra face?
Eu não. todas as pessoas que eu vi, na vida, serem agredidas, revidaram.
Inclusive, e principalmente, alguns deles, cristãos convictos e praticantes.
Eu faço parte do quadro que o Maestri pinta, nesse post; tendo trabalhado, com carteira assinada, praticamente a vida toda na área administrativa, não tenho a menor perspectiva de voltar a esse nicho, como seria natural, pela experiência; o algoritmo já nasce sabendo, dispensa treinamento, não pede aumento de salário, e pode ser substituído, se for o caso, instantaneamente.
Uma maravilha.
O computador substituía braços, antigamente.
Agora, dispensa cérebros, também.
A gravidade desse assunto, ou seja, a transformação do ser humano em item dispensável, inútil mesmo, das relações sociais do trabalho, da produção, ainda não foi percebida pela maioria esmagadora da população que, um dia, será afetada por esse estado de coisas.
A grande mídia, principalmente, foge do assunto como o diabo da cruz.
Quando a situação estiver escancarada, batendo na porta de cada um dos novos “dispensáveis”, “inúteis”, talvez venha a ser tarde para qualquer solução.
Até um paliativo, como a renda básica, provoca urticária em certas pessoas.
Entre estes, alguns que, brevemente, necessitarão dela.
Entre a classe dirigente, nada de urticária; apenas, tédio, para seguir com a pantomima de que o dinheiro sairá do bolso deles.
Mas paro por aqui. Por muito menos, já sou chamado, por alguns colegas comentaristas, de triste, desanimado, desalentado.
O pessoal que adora um wishful thinking.
Não há outra receita para o otimismo, que não tê-lo dentro de si.
Já para o pessimismo, sobram fatos, motivos e razões, e basta um pouco de análise desinteressada, para abortá-lo no mundo, sob a forma de um texto, ou silêncio obsequioso.