A verdadeira independência ainda não foi conquistada, por Albertino Ribeiro

A Auditoria Cidadã da Dívida estima que 70% da nossa dívida pública seja ilegal. Com efeito, se fôssemos independentes do capital financeiro internacional, teríamos condições de canalizar recursos e quebrarmos as correntes que nos aprisionam

A verdadeira independência ainda não foi conquistada

por Albertino Ribeiro

Das margens calmas do rio Ipiranga, Dom Pedro I gritou a independência do Brasil, mas nossa metrópole impôs uma condição, ou seja, ser livre dependeria que o Brasil aceitasse um outro tipo de submissão. Dito de outro modo, teríamos de aceitar o julgo da dívida que a coroa portuguesa havia contraído da Coroa Inglesa. Pois é, o Brasil já nasceu com dívidas, é como se fizesse parte do nosso inconsciente coletivo.

Ao longo da história, a dívida pública brasileira vem sendo um obstáculo ao desenvolvimento econômico e social do país, mas é a partir da década de setenta com o choque do petróleo e a alta taxa de juros internacionais, que a dívida se transforma numa bola de neve e num rolo compressor da nossa economia.

Na década de 80, por estar impagável, o governo Sarnei declara a moratória. Em razão disso, ocorrem graves consequências para a economia brasileira que ficou sem crédito e precisou pedir ajuda ao FMI. Porém, a referida instituição estava mais preocupada em garantir os recebíveis dos credores do que socorrer a economia do nosso país e melhorar as condições de vida da população brasileira.

Chegamos então à década de 90 onde finalmente o “dragão da inflação” foi derrotado. Com o plano real, o país alcançou a estabilidade desejada, “mas nem tudo foi flores”. A estabilidade teve um  alto custo, pois a taxa de juros do Brasil tornou-se a mais alta do mundo e chegou aos 45% ao ano logo após a crise da economia Rússia em 1998.

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A política das altas taxas de juros fez com que a dívida pública chegasse a R$987 bilhões, o equivalente a 57% do PIB.

Naquele decênio, aconteceram manifestações contra o pagamento da dívida pública. Lideradas por instituições de credibilidade como OAB e a Auditoria Cidadã da Dívida, essas instituições pediam a auditoria da dívida pública dada a nebulosidade de sua origem e das cláusulas visivelmente desvantajosas para o Brasil.

Ficava cada vez mais notório que estávamos sendo explorados e tendo nossas riquezas levadas, não mais por uma metrópole que tinha um lugar fixo no planeta e existia concretamente, mas agora estávamos sob o domínio de um ente virtual e etéreo chamado mercado financeiro internacional. Este, muito mais insensível e sedutor, mantém o Brasil ainda dependente.

Aquele pequeno embrião de dívida que nasceu junto com o novo país tornou-se um gigante em plena atividade que através de um sistema de dívida controla as políticas econômicas dos governos que até agora tem passado por aqui, independente destes serem de esquerda ou direita.

A Auditoria Cidadã da Dívida estima que 70% da nossa dívida pública seja ilegal. Com efeito, se fôssemos independentes do capital financeiro internacional, teríamos condições de canalizar recursos e quebrarmos as correntes que nos aprisionam, isto é, a pobreza, o serviço de saúde precário, a educação deficitária, a falta de saneamento e o desemprego.

Contudo, não tivemos, ainda, um governo que conquiste com braço forte a nossa independência, exigindo uma auditoria que nos permita pagar, apenas, o que é justo. Não estamos falando de calote! Estamos falamos de pagar somente o que devemos e nada mais!

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A maioria dos cidadãos dessa antiga Terra de Vera Cruz não é contra economizar recursos e administrar o dinheiro público de forma responsável. Ninguém em sã consciência seria a favor de que o estado brasileiro torre o orçamento público e deixe de pagar os seus compromissos, porém não queremos deixar de alimentar nossos filhos e melhorar a qualidade de vida do nosso povo, pagando uma dívida abusiva que torna a nossa mãe cada vez menos gentil com os seus próprios filhos.

“ Ó pátria amada, idolatrada. Salve! Salve! ”

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5 comentários

  1. Não vivemos em uma democracia? Caro autor me apresente um país onde há uma democracia pura. Duvido que haja algum

  2. Não vivemos em uma democracia? Caro autor me apresente um país onde há uma democracia pura. Duvido que haja algum

  3. Caro autor nos mostre um país onde há uma democracia pura. Duvido que haja algum.Acredito mais que tudo isto é relativo , como dizia aquele personagem de Chico Anísio.

  4. “…A Auditoria Cidadã da Dívida estima que 70% da nossa dívida pública seja ilegal. Com efeito, se fôssemos independentes do capital financeiro internacional, teríamos condições de canalizar recursos e quebrarmos as correntes que nos aprisionam…” Mais uma estória de DÍVIDA EXTERNA? Lembram? Cada Brasileiro já nascia devendo cerca de 25 mil dólares, diziam. Era impagável. ‘Gênios’ que vieram a governar o país, exigiam Moratória, exigiam o não pagamento. E tantas outras balelas, de um Estado que se sujeita a seguir e não a criar sua própria realidade. Lá se vão 9 décadas de Caudilhismo Absolutista Ditatorial Esquerdopata Fascista. Uma Nação doutrinada à Vitimização e ao Cabresto. A Dívida Externa (do Estado) transformou-se nas brilhantes e totalmente apoiadas ‘PRIVATARIAS TUCANAS’ em Dívida Interna (Privada de Empresas Estatais Privatizadas) As dívidas foram socializadas e as Empresas, totalmente rentáveis, em Patrimônio Privado. E Estrangeiro. Então o Príncipe FHC era o Lula com Diploma. Para Nossas Elites Esquerdopatas, o Estadista à altura da Nação que comandava. Agora enxergam a aberração? 40 anos de Redemocracia era para isto? Onde estão as Promessas de 1980? Precisamos de Dinheiro e Investimentos Externo para que? Alimentos? Somos o maior produtor mundial? Energia? Maior produtos de Energia Elétrica limpas e sustentável. Uma das Maiores Petroleiras do planeta. Minerais? Maior produtor mundial. Mercado? Água, Sol? Somos dondos destes recursos, como nenhum outro país. Mais de 200 milhões de consumidores, acrescidos de Parceiros e Vizinhos históricos e amistosos que formam um Mercado de 500 milhões de Cidadãos somente na Am. Latina. O que mais o Brasil precisa, fora acabar com o ‘Coitadismo e a Indústria de Desculpas’? Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

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