4 de junho de 2026

Ah, a Vale, por Gilberto Maringoni

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Ah, a Vale

por Gilberto Maringoni

A Companhia Vale do Rio Doce, estatal fundada por Getúlio Vargas, era, nos anos 1990, um conjunto de 27 empresas, cujas atividades iam da prospecção do subsolo, extração e processamento de minérios, transporte ferroviário, até sofisticadas atividades de quimica fina. Além disso, a Companhia era caracterizada por inúmeros projetos culturais, sociais e comunitários em todo o Brasil. Entre 1942 e 1997 – periodo em que pertenceu ao Estado brasileiro – nunca houve desastre ambiental que chegasse perto dos de Mariana e Brumadinho.

Privatizada sob o argumento de ser ineficiente, a Vale – nome insosso e que não diz nada – foi reduzida a uma mineradora. Extrai ferro e outros metais e os vende em estado bruto principalmente para a China. A Vale foi literalmente desindustrializada e transformada em agente de economia de enclave. Ou seja, especializada em atividade extrativista, com poucas atividades que desenvolvam o seu entorno. Tem baixo efeito multiplicador em termos de emprego e de dinamismo econômico. A companhia hoje é especialista em cavar buraco.

A Vale só pode deixar de ser uma empresa marcada por agregar pouco valor aos seus produtos e danosa ao meio ambiente se for estatal e se estiver articulada a um projeto de desenvolvimento. Na atividade privada ela pode, no máximo, ser melhor fiscalizada. Mas seu potencial de gerar emprego e uma cadeia produtiva com sinergias em áreas afins seguirá sendo baixo . Ela se subordina à demanda externa por minérios e ponto.

A privatização da Vale por FHC foi um atentado à economia nacional. O fato de governos seguintes jamais terem questionado sua venda – cercada de denúncias de ilegalidades – mostra como desenvolvimento, papel do Estado e soberania são temas difíceis de ganharem prioridade na agenda nacional.

Ah, a Vale, nessas duas últimas décadas, financiou centenas de campanhas de candidatos a todo tipo de cargo eletivo. É também algo próprio da iniciativa privada.

É possível que isso explique muita coisa sobre a atual relação da empresa com o Estado.

 

Gilberto Maringoni

Gilberto Maringoni de Oliveira é um jornalista, cartunista e professor universitário brasileiro. É professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, tendo lecionado também na Faculdade Cásper Líbero e na Universidade Federal de São Paulo.

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8 Comentários
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  1. jofra

    26 de janeiro de 2019 1:47 pm

    Privatização Resolve Tudo

    A CPFL foi privatizada! Melhorou ou piorou?

    A RFFSA foi privatizada! Melhorou ou piorou?

    Quantas barragens estouraram qdo a Vale era controlada pelo governo? 

    A educação quando era controlada, praticamente só pelo governo, até a decada de 60 quiçá 70, era melhor ou pior que a Educação de Agora?

    As Universidades Públicas são melhores ou piores que as Universidades privadas?

    O que é melhor, público ou privado?

    Realmente, não sei!

    Certamente um dia descobriremos, espero,como País, que não estejamos no “Pau da Goiaba”,”No Bico do Corvo”, “No Fundo do Pito ou do Poço”!

     

     

  2. celso silva

    26 de janeiro de 2019 2:05 pm

    O PHA postou que quando era

    O PHA postou que quando era estatal a Vale não matava ninguém. Perfeito. Daí eu pergunto: Cadê os privatistas classe média e panaca que dizem que a solução de tudo é dar o estado pros empresários?

    Mudando de assunto, a coisa mais comum quando algo começa a embaraçar os golpistas é eles mudarem de foco. O janô que o diga. Sendo assim e considerando o tipo de ser humano que está habitando o palácio central, não é de se duvidar que esteja comemorando esta tragédia em Minas. O príncipe deve estar aliviado.

  3. ze sergio

    26 de janeiro de 2019 2:44 pm

    VALE DO RIO DOCE VIROU APENAS VALE, DEPRESSÃO, BURACO, COVA,…

    Mas lembro da cara sorridente de FHC, Tucanato, Redemocracia, Progressistas, Soluções e Privatarias : ‘Privatiza que melhora ‘. O problema não era o cancro, a metástase que se alastrava por intermináveis 88 anos, dentro do Estado Brasileiro a consumir a Nação. O problema era o Corpo Sadio. A Maior Mineradora do Planeta com as Maiores e Únicas Resrevas Minerais existentes. Pobre país rico, com sua Elite Nababesca Ambientalista, querendo salvar a ‘Humanidade’ com Nosso Meio Ambiente. Mia uma Privataria de Boas Intenções. A ‘Humanidade Brasileira’ de mais 400 Cidadãos, não estava nestas prioridades. País de muito fácil explicação.     

  4. Jose Erivaldo F Silva

    26 de janeiro de 2019 2:49 pm

    privatização

    Acho que isso por si, são já responde muitas coisa. Sem dúvida, nunca vão reconhecer que o governo falhou nas privatizações quando este (tucanos) não exigiu um projeto de desenvolvimento em seu entorno. Dai que vem aquela pergunta que só o tempo faz aos Privatistas: Por que o período em que pertenceu ao Estado brasileiro a VALE, nunca houve desastre ambiental entre 1942 e 1997?

  5. walter araujo

    26 de janeiro de 2019 3:54 pm

    Alguém pode ajudar?
    “Talvez

    Alguém pode ajudar?

    “Talvez isso existe muita coisa. Está lá

    no ultimo parágrafo.

    Não seria, por acaso: “explique”?

  6. Sidnei

    26 de janeiro de 2019 4:46 pm

    A privatização da vale
    Foi vendida por uma merreca. 3 bilhões.
    A finada constituição diz que o subsolo deste país pertence ao Estado. Portanto o subsolo do Brasil é brasileiro. No entanto a Vale cava onde quer e arranca tudo o que quer…e FHC é perante a grande mídia “o grande presidente”.

  7. Horacio Duarte

    26 de janeiro de 2019 9:05 pm

    Heresias

    Acho que concordo sob o ponto de vista economico e social. Mas a privatização é um absurdo tão grande que contradiz até os preceitos petreos do liberalismo. Primeiro privatizou-se um monopólio que era estatal e que simplesmente  passou a ser privado. E por um valor igual ao dinheiro que a empresa tinha em caixa para o giro.

    Reza a lenda que o liberalismo devende a concorrênca, não o brasileiro. Não bastasse isto, comprou ou fundiu com grande parte de outras  empresas do ramo que eram privadas.

    Uma das primeiras decisões foi aumentar o preço do minério para o mercado interno, buscando escala,  praticamente fechou as pequenas siderúrgicas que não tinham minas próprias.

    Não bastasse isto a ‘governança corporativa’ parece ser uma lenda. Depois de um desastre ambiental como o de Mariana permite que outro ocorra. Uma empresa com ações nas bolsas internacionais !!

    Sim a empresa influi nas eleições, mas quem foi grampeado vendendo o um cargo de diretor executivo da empresa para a JBS foi o Aécio Neves. Que tipo de empresa tem governaça corporativa deste tipo? Que eficiência ela trouxe a economia? Alguém se beneficiou além das siderúrgicas chinesas?

    Quanto ao desastre, agora ocorreu em uma região mais rica, não no meio da pobreza da região rural de Mariana. Imagino que vamos ter ações milionárias nas cortes americas. Americanas, certamente os resultados virão mais rápido e antes do dramático caso de Mariana.

  8. Horacio Duarte

    26 de janeiro de 2019 9:44 pm

    Heresias

    Acho que concordo sob o ponto de vista economico e social. Mas a privatização é um absurdo tão grande que contradiz até os preceitos petreos do liberalismo. Primeiro privatizou-se um monopólio que era estatal e que simplesmente  passou a ser privado. E por um valor igual ao dinheiro que a empresa tinha em caixa para o giro.

    Reza a lenda que o liberalismo devende a concorrênca, não o brasileiro. Não bastasse isto, comprou ou fundiu com grande parte de outras  empresas do ramo que eram privadas.

    Uma das primeiras decisões foi aumentar o preço do minério para o mercado interno, buscando escala,  praticamente fechou as pequenas siderúrgicas que não tinham minas próprias.

    Não bastasse isto a ‘governança corporativa’ parece ser uma lenda. Depois de um desastre ambiental como o de Mariana permite que outro ocorra. Uma empresa com ações nas bolsas internacionais !!

    Sim a empresa influi nas eleições, mas quem foi grampeado vendendo o um cargo de diretor executivo da empresa para a JBS foi o Aécio Neves. Que tipo de empresa tem governaça corporativa deste tipo? Que eficiência ela trouxe a economia? Alguém se beneficiou além das siderúrgicas chinesas?

    Quanto ao desastre, agora ocorreu em uma região mais rica, não no meio da pobreza da região rural de Mariana. Imagino que vamos ter ações milionárias nas cortes americas. Americanas, certamente os resultados virão mais rápido e antes do dramático caso de Mariana.

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