6 de junho de 2026

Ajustando as bússolas para um futuro próspero, por Augusto Rocha

Discutir política com ciência parece ser uma necessidade em todo o ambiente acadêmico e social. Precisamos parar de fugir do debate político.
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Ajustando as bússolas para um futuro próspero

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por Augusto Cesar Barreto Rocha

As bússolas para a construção de um futuro mais próspero vez por outra perdem o alinhamento de seu azimute (medida angular que aponta a direção). As universidades, junto com a imprensa e outras instituições, visam manter o entendimento e a calibragem do pensamento e das discussões públicas para a construção do desenvolvimento e harmonia.

Como alertou o Prof. Muniz Sodré, em sua coluna da Folha de São Paulo (15/06/25), há um “eterno espírito das universidades”, onde afirmou que “nenhuma comunidade de saber é possível num sistema educativo à distância nem em universidades-empresas” e que “vivem na corda bamba de orçamentos mesquinhos e corte drásticos” e que o “ambiente universitários no mundo todo é conservador”, com “espírito libertário sujeito aos debates”.

Suas reflexões são muito importantes, pois vivemos em um país com orçamentos pífios, críticas vazias e surpreendidos pelo que acontece no ambiente universitário dos EUA, que eram até a pouco tempo um oásis de criação de ciência, tecnologia e progresso, com uma certa independência.

Nos últimos dias tive a alegria de lecionar gestão da inovação tecnológica para o doutorado em biotecnologia, em um auditório da UFAM com 20 alunos e remotamente para outros 160, da Rede Bionorte (em universidades de toda a Amazônia Legal). É uma experiência que faço faz mais de uma década, onde aprendo e ensino, ao conhecer pesquisas em vários estágios, da básica, até as startups como a @elevaramazonia, com o seu Vinagre de Cupuaçu, em fase final de desenvolvimento.

Mesmo ali, com tantos alunos mergulhados em suas pesquisas e bancadas, é perceptível como o debate de política anda superficial. O que é extrema direita, extrema esquerda, por que não temos bolsas suficientes, quais as saídas institucionais, como construir o diálogo e o trabalho em grupo, como atuar em sociedade para melhorar o país ou erguer sua empresa, onde e como entra a remuneração da universidade. São tantas as faltas de clareza, que brinquei que era um “jardim da infância do cientista”, afinal o doutorado é para formar cientistas. Discutir política com ciência parece ser uma necessidade em todo o ambiente acadêmico e social. Precisamos parar de fugir do debate político.

Precisamos de muito mais discussões de ciência política e sociologia nas escolas e universidades. Fora disso, teremos muita massa de manobra para se auto-subordinar para cada nova moda do marketing, do influenciador ou do discurso de ódio. Repete-se tanto que universidades são naturalmente de esquerda, que existem pessoas que acreditam que isso é uma regra. Ao contrário, universidades são ambientes plurais e um tanto conservadores, salvo nas ciências sociais. Fala-se tanto que não há criação de empresas, que há pessoas que esquecem que a inovação tecnológica é para gerar negócio. Estuda-se gestão, que é a ciência onde se constroem líderes, que coordenarão e controlarão atividades.

Importante ainda notar que no Brasil são as universidades públicas as principais instituições do registro de patentes e da formação de mão de obra qualificada para a alta tecnologia. Precisamos promover um reencontro das universidades com a sociedade e eliminar os discursos de ódio no ambiente que poderá ajudar na construção de um país mais próspero, com mais riqueza e menos desigualdades. Reduzir a dependência tecnológica estrangeira, neste mundo de bússolas perdidas só será possível com mais atenção, para que paremos de entregar nosso subsolo e nossa soberania em trocas desiguais, como toneladas de soja, por alguns eletrônicos. Chegou a hora de desenvolver nossos próprios veículos autônomos e drones, pois o mundo está cada vez mais belicoso. Ajustemos as bússolas para não voltarmos a ser colônia. Há muito além do que um mero debate sobre direita e esquerda.

Augusto Cesar Barreto Rocha – Professor da UFAM.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Augusto Cesar Barreto Rocha

Augusto César Barreto Rocha é Professor Associado da UFAM. Possui Doutorado em Engenharia de Transportes pela UFRJ (2009), mestrado em Engenharia de Produção pela UFSC (2002), especialização em Gestão da Inovação pela Universidade de Santiago de Compostela-Espanha (2000) e graduação em Processamento de Dados pela UFAM (1998).

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