4 de junho de 2026

As chances de Moro, por Luis Felipe Miguel

Para a jogada mirando 2022 ter dado certo, Moro teria que ter garantido um vice-reinado no governo

As chances de Moro

por Luis Felipe Miguel

Sei que a eleição passada mostrou que não há limite para a capacidade do eleitorado brasileiro escolher um demente para a presidência, mas acho que Sérgio Moro faz bem em ficar no seu cantinho, aguentando as humilhações públicas quase diárias que seu chefe lhe proporciona e esperando o tempo passar para chegar ao STF.

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Não creio que ele tenha condições de disputar as eleições. Como juiz, tornou-se uma espécie de mito exatamente por não ter limites éticos na sua atuação. Péssimo traço de caráter, mas não necessariamente um óbice a futuras pretensões eleitorais. Como ministro, porém, rapidamente revelou-se também frouxo e incompetente. Aí a coisa complica.

As chances de Moro dependeriam de dois fatores. Primeiro, a manutenção de sua imagem heroica, mas é improvável que ela resista à sua passagem pelo ministério. Depois, a possibilidade de escapar de qualquer debate eleitoral, já que ele é notavelmente desprovido de capacidade argumentativa. Mas Bolsonaro já usou esse recurso, que ficará mais custoso depois de sua presidência desastrosa.

Quando o acerto para que Moro virasse ministro foi publicizado, os jornalistas ainda em lua de mel com a direita vitoriosa se apressaram em dizer que o único problema da escolha era que Bolsonaro estava nomeando alguém que ele não poderia demitir. Em menos de um mês de governo, já estava claro que não era nada disso e Moro se tornara um mero enfeite do gabinete; mais exatamente, um capacho.

Para a jogada mirando 2022 ter dado certo, Moro teria que ter garantido um vice-reinado no governo, uma área em que pudesse agir por conta própria. Mas não tinha a habilidade ou o brio para isso. Na verdade, provavelmente nem saberia o que fazer com um poder assim.

Se chegar ao STF já estará no lucro. E, lá chegando, encontrando gente como Toffoli, Fux, Barroso, Alexandre de Moraes e Carmen Lúcia, nem se sentirá um peixe fora d’água.

Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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5 Comentários
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  1. Chris

    14 de maio de 2019 11:55 am

    Cada dia que passa, menos provável será a aprovação dos senadores para que Moro vá para o STF e menos utilidade ele terá para que possa compor com os militares, que não vão querer o Mourão ofuscado. Aliás, o Mourão é o único que está sabendo se capitalizar politicamente no meio da insanidade que é este desgoverno. Ainda é um pouco cedo para o Moro pular do barco do Bozo, para se descolar do show de horrores, e se colocar como candidato… o desgaste está vindo rápido demais e até os que o veem como “o super caçador de corruptos” vão ter tempo de ver os pés de barro do herói ruir.

  2. C.Poivre

    14 de maio de 2019 12:43 pm

    O marreco de Maringá não é apenas um mau caráter, ele representa com perfeição a escória da humanidade.

  3. Sandra Bernardelli

    14 de maio de 2019 1:14 pm

    Moro não irá para o STF. Eu penso que Bolsonaro não queimou o filme do Moro, mas o próprio Moro queimou seu próprio filme desde quando inventou de entrar no governo de laranjas. MORO VENDEU A SUA ALMA AO DIABO.

  4. Paulo de Lacerda

    14 de maio de 2019 3:29 pm

    Mais um desserviço ao Brasil que trabalha e paga impostos discutindo o que NÃO interessa a nação, cansada de tanta FALÁCIA e conversa fiada… BASTA

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