Brasil: Saindo das cordas, o Basta
por Arnobio Rocha
É preciso reconhecer uma similaridade entre Mãos Limpas e a lava jato, ainda que seja no campo da política, não no jurídico, pois forma e conteúdo são discrepantes.
Ambas as operações visavam uma moralização pública, combate à corrupção, as relações entre máfias e políticos, que saneasse a República.
Ambas surgem e são impulsionadas por governos de esquerda, prosperaram e tiveram todas as liberdades de apurar, investigar, justamente pelo conceito de republicanismo dessa matiz política.
Contraditoriamente, essa ampla liberdade de investigação se voltou quase que exclusivamente contra os políticos de esquerda, a perseguição implacável, em especial ao PT e Lula, na Itália provocou a ruptura do PCI, depois PDS.
A última coisa em comum, o resultado de ambas, foram governos com características despóticas, bonapartistas, Berlusconi e Bolsonaro. Rapidamente, na Itália, Berlusconi enterrou a Mãos Limpas, o que está em processo no Brasil. A Lava Jato, foi capturada pela lógica bolsonarista e, em grande medida, serve de suporte para atacar a esquerda e de proteção à família Bolsonaro, nomeadamente, o ex-juiz, convertido em Ministro da Justiça.
Ora, as consequências para Itália, foi o distanciamento econômico na UE, um país em seguidas crises econômicas e políticas, são quase 30 anos de profunda instabilidade, nenhuma maioria se forma, a divisão provocada e o desarranjo político, atrasou a Itália, que continua claudicando.
Essas lições históricas servem para entender os caminhos que se apontam. Aqui no Brasil, são 6 anos de intensa crise econômica, política e social.
Os ataques à Democracia, à Política e ao Estado de Direito é a maior marca, a sanha moralista, que ganhou simpatia, apoio, levou ao caminho oposto do desejado, elegeu-se o que havia de pior (igual ao fenômeno italiano), pensando que estava se mudando.
Parece que o fôlego e o poder de emparedar e intimidar os poderes constituídos se esgotou, há um período, incerto, que se abriu.
Um governo desastrado, autoritário e francamente estúpido, mas eleito e legitimado pelo voto, lembremos, vai se desmilinguindo em pouco mais de seis meses. Os afoitos querem abreviá-lo, mas como fazer?
Uma nova ruptura institucional, GOLPE, via impeachment? Ou tenta-se um rearranjo que ponha para debaixo do tapete Bolsonaro e sua trupe de selvagens.
É fato que descemos ao inferno, não se tem uma saída negociada, mas a resposta do outro lado pode ser um Golpe de estado clássico, em autodefesa.
A paciência para suportar mais três anos e meio desses aventureiros, que, diga-se, nem em sonho imaginavam chegar à presidência, portanto, não se prepararam minimamente, governam como se não fosse governo, produzindo um caos econômico e descontrole social visível.
Qual a saída? A conversa Tofolli e Maia, a necessidade de uma recomposição das pontes pela democracia, um semiparlamentarismo, mas qual reação? Qual a possibilidade de anular todo o processo eleitoral passado, pelos vícios, as fakenews?
Nada simples, tudo complexo, as instituições precisam voltar a funcionar, a “pausa” democrática acabou.
Anônimo
9 de agosto de 2019 10:41 amEu sempre quiz um regime parlamentarista,se assim fosse essa crise toda ja estaria sendo resolvida
Anônimo
9 de agosto de 2019 12:28 pmSe estivesse preocupado de fato com o país, o nosso grandíssimo bolsonaro deveria estar de olhos bem abertos para o que pode estar vindo por aí, pois a perspectiva de chumbo grosso no horizonte não pode ser desprezada.
Este alinhamento cego ao outro grande, o Trump, faz com que a próxima eleição americana também deva ser considerada como eleição brasileira. Com USA dividido ao meio, não é nada impossível uma derrota de Trump, e aí, como é que fica o nosso querido submisso?
Já ficou fora do BRICS, demonstrou completa má vontade com a China ( aqui eu e lembro o diagnóstico de Einstein a respeito da estupidez humana), afastou-se de VPutin, quer porque quer invadir a Venezuela, estourou com algumas regras elementares de controle ambiental combinadas com a liberação de cerca de 250 tipos de agrotóxicos, medidas que incomodam bastante diversos países europeus permite a invasão de áreas de reserva indígena, criou caso com o Irã, ou seja, quem sobrou, de razoável relevância, para receber e ouvir o distinto presidente tupiniquim e sua prole ? Qual será o tamanho do prejuízo a ser causado ao país ?
Como o tosco não sabe nada de nada e nem faz força para aprender, só quer saber de arminha e Johnny Bravo, é possível que fiquemos no mato sem cachorro a fabricar uma crise institucional sem precedentes.
RONALD
9 de agosto de 2019 12:58 pme sermos convernados por este congresso que está aí? Maia/Acool lumbre presidente?
Não é o comentarista político
9 de agosto de 2019 1:34 pmE o Congresso?
Gente, olha o Congresso, aquela bela porcaria!
A Deforma da Previdência passou pela Câmara, a oposição tentou fazer “redução de danos” por meio de destaques e foi tratorada.
Bozo impichado ou não, será a mesma coisa que aconteceu com o Temer em termos de cenário. Mas para a pior.
As instituições e as pessoas dentro delas que resistem a este acinte fazem o que deve ser feito, de forma republicana (tudo pra escumalha bozonara é ideologia, inclusive o estado de direito).
Para a oposição, restaria fazer o seu discurso, seu próprio discurso, e se colocar como aquilo que diz ser. Você pode falar sobre o discurso bozolista, mas sem o trabalho de sempre – mais que necessário – é ficar a reboque daquilo que odeia, sempre como reflexo, nunca se autoafirma.