10 de junho de 2026

Café com hambúrguer pacificam o país e elegem Lula, por Ricardo Mezavila

O café e o hambúrguer, símbolos de consumo diário do estadunidense, provaram ser mais poderosos que discursos inflamados. 
Divulgação

Café com hambúrguer pacificam o país e elegem Lula

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por Ricardo Mezavila

Essa reviravolta na relação Lula-Trump, não é apenas uma anedota diplomática; é um lembrete de como a globalização entrelaça economias. O café e o hambúrguer, símbolos de consumo diário do estadunidense, provaram ser mais poderosos que discursos inflamados. 

Com exportações brasileiras para os EUA caindo 20,3% em setembro, e os EUA enfrentando inflação alimentícia, o pragmatismo prevaleceu sobre o personalismo. O encontro Trump-Lula pode não resolver tudo – questões como sanções ao Judiciário brasileiro persistem –, mas sinaliza uma trégua nas relações bilaterais.  

Caso Donald Trump atenda ao que foi pedido por Lula na vídeoconferência, e as sobretaxas caiam, será uma vitória econômica para nós; para os americanos, alívio nos preços. E assim, em um ano de tarifas e tensões, uma xícara de café mais barata e um hambúrguer acessível se tornarão os verdadeiros pacificadores. 

No espectro político ideológico, bolsonaristas acreditam, sem convicção, de que a indicação do Secretário de Estado, Marco Rubio, para negociar com o governo brasileiro, representa um presente dos ‘gregos aos troianos’. Mas, no entanto, se queixam que Lula roubou o elogio de ‘homem bom’ atribuído outrora por Trump a Bolsonaro. 

O legado eleitoral do bolsonarismo vai sendo diluído nos gabinetes e corredores do Congresso Nacional. Potenciais candidatos à sucessão em 2026, fazem cálculos e chegam à conclusão de que Lula tem um caminho pavimentado para a reeleição. Muito difícil de ser batido. Melhor não arriscar uma reeleição ao governo de seu Estado. Vai sobrar para quem já não pode concorrer, a derrota para Lula no primeiro turno. 

Um analista amigo meu, costuma dizer que Bolsonaro, pelo bem do país, acertou na educação de seus filhos, tornando-os fracos de caráter e fortes no servilismo, tal o pai. Se Eduardo não fosse o espelho de Jair, com certeza se sentaria na cadeira presidencial no máximo em 2030, e o bolsonarismo perduraria pelo menos 20 anos. Bastava parecer normal.  

Ricardo Mezavila, cientista político

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