4 de junho de 2026

Nem panela, nada, por Ricardo Mezavila

Sr. Bolsonaro, seu tempo na política acabou, agora vai conviver com o peso de sua ‘burrice’ crônica e no isolamento do seu deboche barato.
Foto de Adriano Machado - Reuters - Reprodução

Nem panela, nada

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por Ricardo Mezavila

O julgamento na Suprema Corte que condenou autoridades militares e civis, como o general Braga Neto e o ex-presidente Jair Bolsonaro, entra para a história como um acerto de contas com o passado, o general Augusto Heleno era capitão ‘linha dura’ na ditadura militar, e um aviso para o futuro, de que é crime tentar abolir o Estado Democrático de Direito. 

Foi pedagógico o gesto do Ministro e Relator Alexandre de Moraes, quando exibiu vídeo de Bolsonaro ameaçando a justiça. O eminente Relator disse que aquelas ameaças, se não punidas exemplarmente, poderiam se repetir em qualquer cidade onde o prefeito pratique abuso de poder e pretenda atacar o juiz de Comarca. 

A novidade, ficou por conta dos eleitores de Bolsonaro, que não reagiram diante do 11 de setembro da democracia. Não houve ‘panelaços’, orações ou contatos imediatos com extraterrestres. Mantiveram-se no silêncio acusatório de uma descarga elétrica, como se assumissem a pena para eles. 

O que se viu foi uma mulher, que perdeu o pai na pandemia, gritar da janela de seu apartamento após a decisão do STF: “foi por você pai, que não teve direito de se vacinar, nunca foi uma gripezinha, um mimimi”. Milhares de pessoas devem estar com esse mesmo sentimento de dor e revolta, mas de alma mais leve e tranquila. 

O crime não compensa, sr. Bolsonaro. O seu tempo na política acabou, daqui para frente vai conviver com o peso de sua ‘burrice’ crônica e no isolamento do seu deboche barato. Você não sabe, porque o desvio de caráter não permite, mas a DEMOCRACIA é um bem de valor inestimável para uma nação, não se pode querer usar como brinquedo. 

A discussão da hora é para onde Bolsonaro será conduzido para pagar a sua pena de vinte e sete anos. Devido ao seu histórico de atleta, e por se tratar de uma condenaçãozinha, é quase certo que a Papuda lhe espera, mas como eu não sou carcereiro, finalizo: e daí?  

Ricardo Mezavila, cientista político.

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