Candidaturas de agentes de Estado, por Francisco Celso Calmon

Usaram despudoramente suas carreiras de Estado para palmilhar suas entradas na política, com um projeto de Estado autoritário e vassalo dos EUA.

Candidaturas de agentes de Estado

por Francisco Celso Calmon

As eleições de 2022 não se revestem de importância crucial para o Brasil somente para a presidência da república, mas de igual forma para o Congresso nacional.

O histórico das Forças Armadas brasileiras é de golpes, autoritarismos e ditaduras. O histórico das polícias (federal, estadual, civil ou militar) é de violência contra pobres, negros, mulheres e às pessoas do grupo LGBTIQ+, diuturnamente, e quase sempre reprimindo as manifestações de ruas dos estudantes, trabalhadores e opositores do sistema. A defesa da propriedade e da ordem é o vetor de suas operações. São adestrados para o uso da violência desmedida nessa defesa.

Essas instituições são corporações armadas. Detêm o poder da força. Durante a ditadura militar, sem exceção, foram nossos algozes. Algumas disputavam entre si quem seria mais verdugo. 

Quando uma pessoa entra em qualquer dessas instituições, entra, em regra, para fazer o mesmo. Ninguém presta concurso para entrar e modificar o modo de atuar delas.

Seus membros não fazem atividade de política cidadã, quando fazem política é geralmente corporativista. E quando saem candidatos estão apoiados e contando com os votos de suas corporações. Não são candidaturas de representação social, em princípio, e sim de suas instituições, que são corporações de Estado e não da sociedade civil. São com o apoio e os votos de seus pares que contam para se elegerem, são com eles seus compromissos estruturais.

É sintomático como esses policiais candidatos se apresentam com a patente ou função, capitão, delegado etc., evidenciando as suas identidades com as corporações das quais são oriundos.

Lênin em o “Estado e a Revolução”: “Como o Estado nasceu da necessidade de refrear os antagonismos de classes, no próprio conflito dessas classes, resulta, em princípio, que o Estado é sempre o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante que, também graças a ele, se torna a classe politicamente dominante e adquire, assim, novos meios de oprimir e explorar a classe dominada”.

O fato de serem assalariados não os colocam no rol das classes trabalhadoras. Não estão na base produtiva. A função dessas instituições armadas é a manutenção da ordem capitalista. É o braço repressivo da classe dominante e protagoniza abusos às mulheres, às pessoas do grupo LGBTIQ+ e assassinatos de negros e pobres cotidianamente.

Para a polícia, a propriedade está acima da vida, por causa de um furto de celular é capaz de matar, diretamente ou por bala perdida. Por tudo, é uma instituição odiada pela maioria do povo, com todas as razões.

Trotsky, organizador do Exército Vermelho, em “Revolução e Contrarrevolução na Alemanha” debatendo contra as ilusões da socialdemocracia alemã na polícia, afirmava que “um trabalhador que entra para a polícia deixa de ser um trabalhador, passa a ser um agente fardado da burguesia”.

Tanto as FFAA como as instituições policiais devem ser estruturalmente reformadas, começando pela desmilitarização da PM e o direcionamento das Forças Armadas para as fronteiras, combatendo o tráfico de armas, drogas e de madeiras, e deixando de ter como alvo o “inimigo interno”.

A história do STF e MP é também de cumplicidade, quando não de protagonismos, a golpes e regimes de exceção.

Membros dessas instituições, que desejarem entrar para a política partidária, deveriam antes se desligarem, entregando, inclusive, as suas armas.

Os parlamentares da bala são exemplos que não devem prosperar.

Em toda seara profissional e política há pessoas progressistas, contudo, nessas instituições o comum não é este, e não poderia ser diferente, pois enquanto estão incorporadas vão cumprir suas atribuições de Estado, conforme adestramento recebido.

Os policiais defensores da democracia e dos direitos humanos deveriam concentrar, prioritariamente, a sua luta internamente à sua corporação.

Para se candidatarem aos cargos eletivos careceriam cumprir uma quarentena de quatro anos. As carreiras de Estado não deveriam ser trampolim para candidaturas políticas, e, para evitar isso, a quarentena deveria ser extensiva a todas. 

Os exemplos degenerados para além dos policiais e militares, são os dos agentes do grupo da lava jato, e especialmente do ex-magistrado, o juiz ladrão Sérgio Moro, e o do líder dos procuradores daquela força-tarefa, o ambicioso e enricado Deltan Dallagnol, provavelmente possuidor de TOC por dinheiro e riqueza (Transtorno Obsessivo Compulsivo).

Um e outro são cavalgaduras da delinquência.

Usaram despudoramente suas carreiras de Estado para palmilhar suas entradas na política, com um projeto de Estado autoritário e vassalo dos EUA.

Ambos são fichas sujíssimas, na moral, na política, na ética, no patriotismo, são infiltrações alienígenas a serviços dos ‘steitis’

A candidatura do juiz parcial, perseguidor punitivista, promíscuo, é uma bofetada no STF, especialmente no ministro Gilmar Mendes, que já os qualificou como “moleques, delinquentes, transgressores das leis, torturadores”, e declarou que atuavam como “juiz e bandeirinha”, a serviço do jogo sujo, fraudado, corrompido.

O canalha e o moleque amestrado não poderiam sequer ser filiados de partidos, pois criminalizaram a política, partidos e políticos. Deveriam ser rejeitados de pronto, pois chega de canalhas, corruptos e cleptomaníacos na política.

Essa dupla é pior, por que em resumo são infiltrações das agências dos EUA promotoras da guerra híbrida.

Até quando coexistir com elementos deletérios? A história do agente cabo Anselmo não deixou lições aos que não combateram a ditadura?  Terão que destruir o que mais, assassinar quantas reputações mais, quantas Marisas Letícias? Condenar quantos inocentes mais?

Será que lideranças democráticas sofrem da síndrome de Estocolmo?

Parece que sim, o exemplo mais recente foi a aprovação do terrivelmente evangélico para o STF. Que fora capaz de invocar a Lei de Segurança Nacional da ditadura militar para perseguir adversários do Bolsonaro e foi desonesto em algumas das respostas aos Senadores, é capaz de tudo para incrementar o projeto de poder do qual faz parte.

André Mendonça não cumpriu os princípios da Administração Pública, como servidor que é não poderia faltar com a verdade e nem tergiversar ou sofismar, durante a sabatina no Senado.

Os pulinhos e gritinhos histéricos da Michele (a dos cheques) na comemoração da aprovação do terrivelmente evangélico é de quem sabe do significado dele no STF e os processos que herdará do ex-ministro Marco Aurélio.

Bolsonaro, Moro, Dallagnol e demais cafajestes políticos são pulverizadores do ódio, da descriminação, são nazifascistas raiz; sem a lava jato não haveria o golpe de 2016 e o bolsonarismo.

Atacaram muito o PT de ter projeto de poder e aparelhar o Estado, antes fosse, pois o que fica evidente é que essa camarilha que está dentro do governo e a da lava jato que quer chegar, é que estão aparelhando o Estado para institucionalizá-lo como um Estado policial-miliciano de natureza nazifascista, ou seja; punitivista, terrorista e antidemocrático.

A lava jato foi a rameira do bolsonarismo.

Combater a raiz do nazifascismo nacional, é combater os lavajatistas. Eles representam a direita conservadora, reacionária e golpista.

A rede globo assim como no passado deu fomento à candidatura de Bolsonaro, no presente agasalha e promove a do Moro, à revelia da lei eleitoral, e, relembrando Brizola, onde está a Globo golpista os democratas devem estar do outro lado.

Francisco Celso Calmon, da coordenação do canal Resistência Carbonária, ex-coordenador da Rede Brasil Memoria, Verdade e Justiça – RBMVJ

Nenhuma família sem teto/Nenhum trabalhador sem emprego/Nenhum brasileiro sem comida.

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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Jossimar

- 2021-12-08 14:49:22

"A lava jato foi a rameira do bolsonarismo." É por isto que chamo aquele moleque ladrão de putagnoll. E o juiz ladrão de ladrão FDP.

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