4 de junho de 2026

Cara de pato, por Vitor Hugo Tonin

O pomposo Paulo Skaf é um sindicalista profissional, sem nenhuma indústria e sustentado por verbas públicas desviadas para fazer agitação em defesa dos patrões.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Cara de pato

por Vitor Hugo Tonin

A atual situação política brasileira é devastadora. Sequer as expressões populares mais enraizadas passarão incólumes. É popularmente designado como “cara de pau” a pessoa que é ou apresenta comportamento desavergonhado, não no sentido ágil, valente, articulado e corajoso, mas no sentido mentiroso, cínico, descarado.

A depender das espalhafatosas ações de Paulo Skaf, presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) a expressão será suplantada pela sua criatura, o pato amarelo. “Poser de industrial, Skaf é, na verdade, um sindicalista. Isto mesmo, um sindicalista dos patrões. Assim como sua entidade, a aparentemente ilustrada e garbosa Fiesp não é nada além de uma federação de sindicatos.

Mas Skaf vai além. Não é um simples sindicalista, é um sindicalista PROFISSIONAL. Não tem uma mísera indústria sob seu comando. Não cria, portanto, nenhum posto de trabalho. Vive apenas e tão somente de fazer agitação para os patrões que o escolheram para aumentar seus lucros em detrimento dos direitos do povo. Se fosse submetido à mesma lógica a qual julga os representantes dos trabalhadores como deveríamos qualificá-lo? Será que ele já ouviu um “vai trabalhar, vagabundo” na vida?

Eu sei, você deve estar surpresa ou surpreso. Nunca deve ter ouvido falar em “sindicatos patronais”. Mas certamente você já ouviu falar nos “representantes” da indústria, da agricultura ou do comércio. Ou então já deve ter visto as suas siglas por aí: FIESP, FIRJAN, CNI, CNA e CNC. Em cada estado do país há uma federação patronal para cada setor da economia, assim como há em nível nacional as suas confederações. Haja vagabundos, não? Mas como eles são sustentados?

Na base destas federações e confederações estão os simples sindicatos patronais. Estes sindicatos patronais só tem acesso ao “imposto sindical” dos patrões, uma quantia equivalente ao capital social da empresa que todo ano é repassado ao governo. Muitas empresas, no entanto, não contribuem seja porque estão no sistema “Simples” e portanto desobrigadas, seja porque simplesmente não pagam. O calote dos patrões aos seus sindicatos parece ser bem alto, mas arrisca sugerir que existe uma crise de representatividade da burguesia brasileira, como não cansam de fazer com os dirigentes das entidades dos trabalhadores.

Isso torna os sindicatos patronais, os da base, extremamente frágeis, sua situação financeira respira por aparelhos. Já as suas estruturas superiores, as Federações e Confederações, são extremamente “rycas”. Como isso é possível? A diferença é que estas contam com recursos bilionários desviados do chamado “sistema S”(Sesc, Senai, Senac, Sest, Senat, etc). Criado para oferecer cursos e serviços de qualificação, cultura e lazer aos trabalhadores o sistema S recebeu 16 bilhões do governo federal só em 2016. Graças a total falta de transparência na utilização desses recursos, parte deles são desviados para sustentar os sindicatos e os “vagabundos” que defendem os patrões.

Skaf é um sindicalista profissional sem indústria e sustentado por verbas públicas desviadas. Mas é também um grande cara de pau. Diante da atual proposta de acabar o imposto sindical dos trabalhadores, divulgou nota apoiando a medida e para “ser coerente” defendeu o fim do imposto sindical dos patrões. O que ele não disse é que diferente dos sindicatos dos trabalhadores, os sindicatos patronais não dependem dessa forma de financiamento. Se quer ser coerente mesmo deveria deixar de desviar parte do dinheiro sistema S. Esse filé que representou 61% do orçamento da FIESP e 72% da FIRJAN. Mas nessa hora ele faz cara de pato!

Nenhuma surpresa vinda de alguém que teve a pachorra de transformar em símbolo de uma campanha contra corrupção que ele mesmo é acusado de praticar, uma obra de arte plagiada.

Vitor Hugo Tonin é economista e membro da direção nacional da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Renato Lazzari

    4 de maio de 2017 2:06 pm

    O império dos “despachantes”…

    E a molecada da FIESP criando startups para venderem a estrangeiros e passarem a viver de renda? Há até manuais de como criar uma startup vendável…

    Trabalhar, produzir com vistas a engrandecer nosso país, a consolidar soberania e prosperidade nacionais, isso essa molecada não quer. Natural, não foi forjada na lide. Juventude dourada, talçvez na firma “LIDE”… (Que ironia do empresário Doria nomear sua firma como “LIDE”, né? Que cara-de-pau!)

    E que exemplo de industrial, esse Paulo Skaf. Que mau exemplo, isso sim. Mas tá certo, é esse o tipo de industrial que tem prestígio em tempos de enganação e golpe que vivemos.

  2. carlos Taurus

    4 de maio de 2017 3:20 pm

    Falido

    Essa anta faliu a empresa do papai

  3. adroaldo lima linhares

    4 de maio de 2017 3:51 pm

    Como todos já perceberam,

    Como todos já perceberam, estamos em uma ditadura resultante do golpe de estado aplicado em abril de 2016. Após a derrubada da Presidenta eleita democráticamente por 55 milhões de BRASILEIRÍSSIMOS petistas. fernando henrique cardoso clinton e sua máfia de ditadores corruptos, pagaram aos seus parlamentares, mais ou menos 90% do total de cadeiras, para votarem a favor do impeachment criminoso por falta de embasamento judídico empora totalmente apoiados pelos golpistas do stf. Então, não adianta discorrer sobre a “atual situação política brasileira”, pelo simples fato de que no lugar de políticos, o Brasil está sendo comandado por maioria de 95% de bandidos ditadores! Alguem por aí chama ditador de político? Se chama, tem que ser internado e isolado com camisa de força prá não contaminar a maioria desavisada de bons brasileiros políticamente “zéros”.  Alguem por aí já chamou estuprador de “cara de pau”, ou de “pessoa que é ou apresenta comportamento desavergonhado  ou de “cínico” ou de “descarado”? Óbviamente que não né pessoal! E a mesma coisa aplica-se a ditadores! Quem é que vai chamar ditadores golpistas de anti-democráticos? Ou de rasgadores da codenstituição? Ou de humanistas?  Ou de honestos? Ou de ficha limpa?.. Ninguém né pessoal… mas, se alguem cometer êsse engano, pode internar no manicômio devidamente isolado prá não contagiar as pessoas de bem desavisadas! ABAIXO FERNANDO HENRIQUE CARDOSO CLINTO COM CADEIA SUMÁRIA PRÁ ÊLES! BEM ISOLADO SENÃO ÊLE COMANDA O TRÁFICO DE COCAÍNA DO AÉCIO E A DITADURA LÁ DE DENTRO DA CÉLA DA CADEIA DOS SEUS FILHOTES, O MORO E SUA ESCÓRTE-GUÉL!

    Resultado de imagemResultado de imagem para josé serra jovem

    Resultado de imagem para fhc imagemResultado de imagem para fhc imagemImagem relacionadaResultado de imagem para gilmar e fhcResultado de imagem para rosangela moro flavio arns imagens

     

     

  4. Jofran Oliva

    5 de maio de 2017 2:36 am

    E eu sempre me perguntava. . .

    E eu sempre me perguntava, que tipo de indústria o Skaf tem? Deve ser uma indústria muito produtiva e exemplar, pensava eu. Então o Skaf não passa de um pau mandado. Um industrial falido, com um emprego de favor de seus amigos.

Recomendados para você

Recomendados