4 comentários

  1. Tolerância

    Lembrei do Norberto Bobbio, que no livro “A Era dos Direitos” tem um capítulo intitulado “As Razões da Tolerância” (cap. XI). Lá podemos ler:

    “pode-se aduzir à tolerância uma razão moral: o respeito à pessoa alheia”.

    E minhas crenças vão ao encontro da opinião do mestre italiano. As divergências não devem ignorar o respeito à pessoa alheia. Como diria Voltaire, “não concordo com o que dizes, mas morrerei defendendo o direito de dizeres” (ou algo mais ou menos assim). Fui, então, intolerante? Voltemos ao Bobbio:

    “As boas razões da tolerância não nos devem fazer esquecer que também a intolerância pode ter suas boas razões”.

    Hummmmm… a intolerância também pode ter “suas boas razões”… Como assim? Até que ponto?

    “Nesse ponto, cabe esclarecer que o próprio termo ‘tolerância’ tem dois significados, um positivo e outro negativo, e que, portanto, também tem dois significados, respectivamente, negativo e positivo, o termo oposto […] tolerância em sentido negativo, ao contrário, é sinônimo de indulgência culposa, de condescendência com o mal, com o erro, por falta de princípios, por cegueira diante dos valores”.

    A tolerância, portanto, não pode impedir nossa justa indignação diante do mal-feito, do erro.

    “nossas sociedades democráticas e permissivas sofrem de excesso de tolerância em sentido negativo, de tolerância no sentido de deixar as coisas como estão, de não interferir, de não se escandalizar, nem se indignar com mais nada”.

    A intolerância positiva é a correção necessária à tolerância negativa (ou permissiva). 

  2. Como diferenciar Trump de Hillary? E é necessário?

     

    Talvez seja possível numa primeira impressão estabelecer uma ligação entre Trump a fascistas fanáticos e Hillary a libertários. Porém como o mundo não é descrito pelos discursos que as pessoas fazem, mas sim pelos seus atos, esta primeira divisão entre os malvados fascistas e os inofensivos liberais possa se desmanchar nas ações e nas bases populares que cada um possui, entretanto, os discursos servem para motivar os movimentos sociais e intensifica-los para a direção que os oradores desejam.

    Assim como J. F. Kennedy conseguiu colocar seus boys para matar os fedorentos comunistas na indochina e o suado e feio Nixon teve que tirá-los, Hillary distribuiu os assassinatos no terceiro mundo sorrateiramente com seus drones.

    Mas como Kennedy, Hillary foi sempre amiga das minorias, mesmo que esta amizade nunca tenha servido serviu para melhorar as condições econômicas destas, aumentou um pequeno número de afro-americanos que lucraram com o famoso e mitológico sonho americano e encarcerou a maioria daqueles não aceitaram o seu destino. Porém por outro lado, o discurso de Trump (olhem a observação acima sobre discursos e fatos) deixou de lado um pouco as minorias e falou as maiorias oprimidas e empobrecidas depois da época de ouro do USA.

    Quando um discurso político dominante não cita uma parte da população, esta geralmente não se revolta, simplesmente se afasta, logo um discurso centrado em minorias leva simplesmente a maioria a apatia. Num país como os USA em que a fé na figura do “self made man” é o maior e mais terrível mito que é implantado pelas oligarquias o resultado é mais ou menos evidente, ou seja, o fracasso é um problema pessoal.

    Mas voltemos as fascistas versus libertários, os primeiros no momento são marginais em todos os sentidos e os segundo são os hegemônicos. Hegemônicos não só em termos de domínio da sociedade, mas como também na capacidade de influenciar os corações e mentes do povo norte-americano colocando nestas os ideais liberais como métrica. O vitorioso, o número 1 é aquele que conseguiu por seus méritos e esforço pessoal vencer todas as barreiras, logo quem é um “loser” é uma pessoa que não seguiu o sonho norte-americano, apesar de ter ou não abraçado os ideais libertários, não teve capacidade individual de vencer.

    A gênese da frustração de uma camada de filhos de operários, que no meio do século XX viviam melhor e com mais esperança que as gerações atuais, não está na derrota simplesmente numa sociedade cada vez mais excludente e sem a mínima mobilidade vertical, é o sentimento de frustração que é deixado pela crucificação diária daqueles que de bons jogadores de futebol americano no colégio passaram a ser lavadores de carros. Inclusive exatamente esta imagem é reforçada pela cultura de massa Hollywoodiana em inúmeros filmes e séries.

    O Homer Simpson, que devido a degradação do emprego na América do Norte por mais incrível que possa parecer tornou-se um cidadão bem-sucedido, pois ainda tem um emprego, é a imagem deste homem branco de escolaridade média e futuro mínimo

    Pois este Homer Simpson, não era um fanático, não era um adepto da KKK, mas de cidadão médio está deixando de ser cidadão. Como ele não tem capacidade de abrir um “startup” sobra para ele a frente do computados a única coisa que ele tem capacidade, preencher o seu Twitter ou Facebook de mensagens de ódio contra aqueles que na sua visão de Homer Simpson são os judeus de Hitler da América do século XXI, os imigrantes, as minorias, e por que não, os judeus de Wall Street.

    Voltando desta vez ao título, quem abanou para estes Homer Simpson com alguma esperança, Hillary Clinton que sucederia a Obama que transferia o seu dinheiro dos seus impostos para as minorias, ou Trump que prometeu junto com menos impostos empregos.

    Trump mentiu? Claro que sim, pois com menos impostos para os ricos estes ficariam mais ricos e os pobres mais pobres, seus muros, o real contra os migrantes latino americanos e o virtual contra os malvados chineses só ficou no contra os mexicanos, porém Clinton também estava mentindo, certamente, porém o que condena Clinton foi o que ela fez em termos de assassinatos.

    Porém o básico não é Trump nem Clinton, são os libertários que com suas teses que já se mostraram erradas levando ao empobrecimento de inúmeros países e gerando a reação ao mundo ideal e impossível de se realizar, o mundo liberal com progresso humano, pois bem quem é o mais culpado, o criador ou a criatura?

  3. bem difícil dialogar com facistas

    Mas creio que vale insistir ao menos pela certeza de que nós não nos tornamos um entende? Ou também para não deixar que falem sozinhos e engariem facilmente mais adeptos. O comentário virou um ótimo textão.

    Abraço

  4. bem difícil dialogar com facistas

    Mas creio que vale insistir ao menos pela certeza de que nós não nos tornamos um entende? Ou também para não deixar que falem sozinhos e engariem facilmente mais adeptos. O comentário virou um ótimo textão.

    Abraço

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