10 de junho de 2026

Como falta inteligência nas chamadas Gestora de Ativos como a BlackRock, por Rogério Maestri

Apesar desses executivos possuírem informações privilegiadas, quando se deparam com uma situação inédita fora de controle, como a Covid-19, demoram 20 meses para chegar a conclusões simples que um velho aposentado chegou já no início da pandemia. 
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Como falta inteligência nas chamadas Gestora de Ativos como a BlackRock

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por Rogério Maestri

Quando ouvimos o nome BlackRock duas coisas vem a mente, uma das maiores Gestoras de Ativos do Mundo (se não for a maior) e uma imagem de executivos extremamente bem pagos, para além de especularem no mercado internacional fazerem previsões de comportamento desse a partir de situações que vão aparecendo ao longo do tempo. 

Apesar desses executivos possuírem informações privilegiadas tais como, qual governo do terceiro mundo que vai cair nos próximos seis meses (ou que eles mesmo vão ajudar a derrubar) barateando ou subindo o custo de determinada comodity, quando se deparam com uma situação inédita fora de controle, como a Covid-19, demoram 20 meses para chegar a conclusões simples que um velho aposentado chegou já no início da pandemia. 

Em 28 de fevereiro de 2020 e em 4 de outubro de 2021 fiz o segmento do previsto em 2020 que era a quebra das cadeias de abastecimento no artigo publicado em fevereiro de 2020, intitulado  “Coronavírus: As cadeias de suprimento poderão ruir em intensidade defasada no tempo.” e em 2021 concluí com “A crise de desabastecimento: Filha querida do “just in time” e da globalização.”. 

Mas porque organizações poderosas, cheias de analistas de todos os ramos da economia e política, chegam a resultados tão fracos como o publicado em janeiro de 2022 intitulado “A world shaped by supply” (Um mundo moldado pela oferta). 

Desculpe-me a pretensão, mas vou comparar as conclusões chegadas quase dois anos antes com o relatório da “Grande” gestora de ativos. Antes vou dizer por que um engenheiro civil professor de Mecânica dos Fluidos aposentado, mas com algum conhecimento de Estabilidade de Sistemas Dinâmicos consegue detectar um problema que as “grosses têtes” regiamente pagas demoram tanto para enxergar. A resposta é simples, os economistas sempre estão pensando, teorizando e estabelecendo modelos para sistemas em equilíbrio ou mesmo estão tentando levar ao equilíbrio economias que estão sujeitas a pequenas oscilações em torno de pontos de equilíbrio. Por outro lado, alguém que trabalhou algumas décadas de sua vida em sistemas dinâmicos com grandes perturbações, sabe que as soluções linearizadas de pequenas oscilações não produzem soluções úteis para grandes perturbações. 

Ao seguir alguns programas da TV francesa vi que analistas com um belo currículo e vários livros publicados, ao responder sobre a crise da ruptura das cadeias de suprimento, não sabem se essa se resolverá em meses, anos ou mesmo próximo de uma década. 

O diagnóstico das oscilações nas cadeias de suprimento já no primeiro parágrafo que escrevi em fevereiro de 2020 dizia: 

Empresas em todo o mundo estão, devido ao coronavírus, parando por falta de suprimentos fornecidos pela China. Entretanto, os técnicos da área não estão levando em conta que esta falha poderá e será feita em cascata por todo o mundo e isto pode ser bem pior do que somente a China parando.” 

O tal relatório da grande empresa somente na sua página 6 sai de considerações gerais, muitas delas explicando o que inflação de demanda e inflação de oferta, para brilhantemente chegar à conclusão de que estamos no caso de uma inflação de oferta. Depois de um belo papo furado vem uma tentativa furada de explicar o problema das “Tendências globais aumentam os problemas de fornecimento”. Digo que é uma tentativa furada pois dizem no relatório que “As empresas estão mudando de uma abordagem “just in time” para “just in case” e adquirindo mais fornecedores locaisPodemos ter atingido a marca d’água da globalização – veja o gráfico abaixo, à esquerda”. 

Digo que essa explicação é furada, pois devido a desindustrialização nos USA, na Europa Ocidental talvez poucos países da Europa Oriental tenham ainda algum vigor, mas não substituirão os países do oriente. Ou seja, ou colocam em banho maria as suas indústrias, enquanto os orientais continuam a crescer, ou voltam aos fornecedores de cadeia longa ficando cada vez mais dependentes. Quanto ao gráfico citado acima só mostra que no entre o fim da primeira e o fim da segunda o comércio exterior decaiu. 

O que invalida a retomada de fornecedores locais, são várias coisas, a perda de “savoir faire” e a perda das pequenas empresas locais que eram os fornecedores das grandes e o mais grave a falta dos itens básicos para a produção industrial, energia, água e pessoal qualificado. Pode-se agregar outro fator que é citado no texto da BlackRock, o ambiental. Tanto nos USA como na Europa não será possível a implantação de um parque industrial da forma selvagem que foi feita a partir de 1945 que levou a problemas ambientais que, por exemplo, quase transformou o rio Reno numa imensa cloaca, o Tâmisa num rio quase morto e uma poluição dispersa, porém intensa, em toda a antiga região industrial dos Estados Unidos. 

Há mais outros problemas na chamada retomada de fornecedores locais, que os economistas têm melhores condições técnicas do que eu para descrever, é só utilizarem seus manuaizinhos. 

Quanto ao “retorno da normalidade”, se pensarmos no retorno das cadeias longas, satisfazendo a cultura do “just in time”, que aqueles que não fizerem vão falir, é possível através de um modelo de solução de procura de novos atratores estranhos dentro de regiões predeterminadas prever não só novos pontos de equilíbrio como o tempo estimado para sua estabilização, porém isso não é simples e exige um bom conhecimento no assunto e muito trabalho, mas é um problema com solução. 

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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