Considerações sobre uma nazicomédia, por Gustavo Gollo

O fantoche infanto nacionalista diz ter orgulho do povo americano, mas odeia o povo brasileiro, contra quem governa, retirando-lhe seguidamente garantias sociais

Considerações sobre uma nazicomédia, por Gustavo Gollo

Durante o início do século XXI, o Brasil vinha finalmente dando certo,o gigante começava a despertar e passava a ser apresentado pelo grande capital como opção à China, que já se firmava como grande potência.

A formação dos BRICS, no entanto, prenunciou o direcionamento do país para rumos contrários às determinações do grande capital e o surgimento de uma coalizão sem precedentes.

Em 2013, foi iniciado um ataque híbrido ao país, uma guerra de propaganda articulada através das redes sociais e meios de comunicação que culminou no golpe que derrubou Dilma Roussef da presidência da república e instaurou a rapina do país.

Paradoxalmente, um dos principais motes da campanha consistiu na difamação dos políticos, pintados como criaturas eminentemente corruptas e desprezíveis (o mote garantiu a deposição de Dilma, presidenta sem passado político profissional e cujas insistentes investigações não revelaram corrupção).

A eleição seguinte, pautada pela difamação e impedimento da candidatura do ex-presidente Lula, resultou na posse de um idiota, uma marionete do grande capital plantada na presidência da república para, sob um discurso infanto nacionalista de culto à bandeira, hino e forças armadas nacionais, entregar com avidez as riquezas do povo brasileiro, ainda restantes.

O fantoche infanto nacionalista diz ter orgulho do povo americano, mas odeia o povo brasileiro, contra quem governa, retirando-lhe seguidamente garantias sociais adquiridas com grande esforço ao longo de séculos.

Essa marionete obtusa endossa o movimento de difamação dos políticos, embora tendo vivido toda a sua vida às custas de cargos eletivos.

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Tendo a estratégia de difamação dos políticos brasileiros recebido ampla divulgação, nacional e internacionalmente, convencendo o mundo inteiro de que os políticos brasileiros são criaturas corruptas e execráveis, nada mais óbvio que generalizar a denúncia abarcando de uma feita todos os brasileiros, pintando-nos a todos como criaturas abjetas.

Nossa alegada execrabilidade, aliás – nossa alegada natureza obtusa, preguiçosa, ignorante e corrupta –, tem sustentado a retirada das garantias sociais supostamente indevidas a criaturas de tal matiz, além da rapina do petróleo, dos minérios, da água e de todas as riquezas que são por direito um patrimônio inalienável do povo.

O ataque híbrido ao Brasil tem ressaltado tendências existentes na cultura do país, como o menosprezo ao próprio povo brasileiro. A divisão do país em 2 grupos fortemente antagônicos também foi forjada pelas mesmas forças.

O ataque ao país, a rapina do patrimônio do povo, exige que pintemos a nós mesmos como criaturas reles e execráveis – temos sido induzidos a nos ver e a nos descrever assim.

– Não nós, mas o povo – têm dito os detentores de privilégios que os rapinantes andam apresentando como “elite” controladora das massas, qualidade que os ignorantes agora se atribuem vaidosamente.

Tendo já estabelecido a natureza corrupta dos políticos brasileiros, preparando assim o esvaziamento e rapina do estado e sua transformação em uma milícia de controle do povo, toma curso agora a generalização da imagem pérfida a todos os brasileiros.

O que mais tem feito o imbecil empossado na presidência da república além de ilustrar com seus pronunciamentos e ações a burrice do brasileiro, a sordidez de todo o povo que afinal o elegeu? (defendi desde o início, e mantive após o pleito, que a eleição de 2018 seria uma farsa).

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Qual um palhaço aloprado, o mais notório representante dos brasileiros, o presidente, tem sido instado a alardear sua parvoíce despudorada, orgulhosa e seguidamente ao mundo.

O imbecil que nos representa vai consolidando, desse modo, a imagem asquerosa do brasileiro no mundo, enquanto internamente vamos referendando a imagem aviltante, atribuindo-a a “eles”, ao povão – os imbecis são os outros, afirmamos, tentando imbecilmente excluir-nos da pecha.

Tanto a rapina, quanto a execração do brasileiro, no entanto, acabarão por ser desmascaradas, o que gerará um movimento nacionalista autêntico com vistas a recuperar a estima do brasileiro – lembra que vínhamos começando a alardear, durante contendas esportivas, o orgulho de ser brasileiro? Mas agora o brasileiro tem a cara do imbecil que o governa, e é tão abominado quanto ele.

A iminência do surgimento de um movimento nacionalista autêntico induziu os condutores do fantoche infanto nacionalista plantado aqui como preposto dos patrocinadores da guerra híbrida a promover uma farsa nacionalista nitidamente grotesca, baseada em preceitos e símbolos nazistas execrados no mundo inteiro. Além reforçar a imagem asquerosa do brasileiro no mundo, a pantomima ridícula teve como efeito a associação do nacionalismo ao nazismo, e a um ideário tão tosco quanto execrável.

Junta-se assim mais um tópico à lista impingida pelo ataque híbrido. Soma-se agora à execração dos políticos, estendida subsequentemente a todo o povo brasileiro, a associação do nacionalismo ao nazismo, numa tentativa de inviabilizar a recuperação da autoestima do povo.

Ou seja, a bufonaria pomposa encenada pelo Secretário de Cultura exonerado teve como novidade o propósito de impedir o renascimento de um nacionalismo autêntico que devolva ao brasileiro sua imagem, autoestima, direitos, e patrimônio que vem sendo rapinado após o lauto butim angariado pelos promotores da guerra híbrida.

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Como último comentário, gostaria de externar minha suspeita de que haverá quem depreenda desse texto, que eu esteja fazendo exatamente aquilo que critico, propondo alguma espécie de nacionalismo tão nefasta quanto o nazismo caricatural que gerou essa crítica, confirmando minha crença de ter sido esse o propósito que gerou a pantomima ridícula: o de abarcar doravante qualquer manifestação de nacionalismo sob a fachada nazista.

Uma profecia

Um dos crimes cometidos pela marionete plantada na presidência virá à tona nas próximas semanas ganhando amplo destaque no noticiário internacional. Será a deixa para a destituição do imbecil e início da reconstituição da imagem do brasileiro, recuperação de nossa autoestima, orgulho e patrimônio.

Assim seja!

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