
Contaminação de Bebidas, exige pensar-se bem nas ações de curto e longo prazo
por Luís Antônio Waack Bambace
Independentemente do PCC falsificar as bebidas ou não e usando metanol indevidamente, tem de haver combate ao PCC para conter a crise de bebidas falsificadas. Na série ‘Nova Iorque contra o crime’ tem um episódio de um chefão morto, porque um grupo de soldados da máfia tinha desobedecido uma ordem sua e feito um contrabando que ia pôr em risco a família. Os soldados mataram o chefão, assim a polícia investigando a morte deste ia tirar recursos da contenção do contrabando, e na desorganização da família decorrente da morte e investigação, eles teriam mais tempo para escapar de retaliações ou prisão. Assim mesmo sendo altamente improvável, que o comando do PCC tenha optado por usar metanol em falsificação de bebidas, por saber que haveriam mortes e investigações pesadas, não pode se excluir um fato similar no caso brasileiro. Aqui, o mais provável é que falsificadores que usavam álcool de posto, e que não tinham tido problemas antes, face a ausência de metanol neste álcool, tenham se deparado com álcool batizado, e aí tenha aparecido o problema. Só que o número de empresas clandestinas usam álcool de posto Brasil afora para falsificar bebidas é muito grande.
Face ao baixo nível de instrução destes falsificadores e a dificuldade de acabar com todos eles, há grande dificuldade em acabar com a existência de álcool batizado com metanol nos postos de combustíveis e de seu uso por gente sem instrução na falsificação de bebidas, a solução do problema tem de ser feita em várias frentes. A primeira é agilizar a fiscalização, o sistema de cromatógrafo exige que se leve amostras a um laboratório, o uso de kits de reagentes de detecção permite saber-se na hora que há contaminação na bebida. Fiscal pode passar por bares e adegas e testar garrafas com kits de reagentes, detectada a presença de metanol fecha o estabelecimento, detectada presença leva para análise e suspende o funcionamento até se ter o resultado, que se positivo levará a fechamento do estabelecimento. Há como detectar também sem abrir garrafa alguma, via espectroscopia (VASKOVA, H. Spectroscopic determination of methanol content in alcoholic drinks. Int. J. Biol. Biomed. Eng, v. 8, p. 27-34, 2014 e ELLIS, D. I. et al. Rapid through-container detection of fake spirits and methanol quantification with handheld Raman spectroscopy.) Analyst, v. 144, n. 1, p. 324-330, 2019.). Assim tem de ser feita emergencialmente uma lei, para cobrar do dono do estabelecimento o custo da operação de verificação de todo o estoque via espectroscopia, o que protege gente que foi enganada de perder todo o estoque. Se a lei vai ser federal ou estadual é uma questão a ser analisada, face ao risco de demora.
Outra frente é o combate ao álcool contaminado em postos, já que se ele sumir, cai o risco de uso indevido por falsificadores deste álcool em bebidas, e também o risco aos proprietários de veículos quanto a danos nos mesmos. Acesso generalizado a kits de campo pode permitir ao consumidor testar sua bebida antes de tomar, molha um cotonete na bebida, e pinga reagentes e observa o resultado para saber se há ou não contaminação. Detectada a contaminação, informa aos agentes de segurança sobre o fato e onde comprou a bebida, se o fez com nota. Em bar e restaurante, simplesmente chama a polícia, que pode disponibilizar um número especial de chamada gratuita só para isto. O próprio falsificador, se tiver um mínimo de consciência, vai testar qualquer álcool que use antes de falsificar a bebida, se houver disponibilidade de kits e campanhas informativas. A questão é sempre, analisar todas as opções, com cuidado, afinal segurança em testes exigem planos amostrais. A longo prazo pode-se desenvolver até sistemas de espectroscopia portáteis, para testar para valer em campo.
O fato é que tem de se analisar com calma todas as opções e hipótese, e se achar soluções adequadas de curto e longo prazo, para efetivamente proteger a população. A curto prazo permanganato e reagente de Schiff (este pouco disponível) podem ajudar. Mas a longo prazo, tem de se descobrir o melhor meio de se combater o problema em todas as frentes, falsificadores, destiladores sem técnica, controle de bebidas via QR code de rastreamento. Afinal se o consumidor fotografar a bebida que comprou e der baixa no sistema, e consulta a validade de QR codes válidos, o falsificador não vai ter como enganar usuários que consultam o sistema. Com mais dificuldade de vender bebida falsa, o negócio não será tão lucrativo, e aí, adegas meia-boca, não serão um negócio tão bom como hoje.
Luís Antônio Waack Bambace. Engenheiro Mecânico. PhD em Aerodinâmica Propulsão e Energia.
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