por Wilson Ramos Filho – Xixo
Ninguém é obrigado a aceitar ser nomeado ou a continuar integrando a Suprema Corte de nosso país. Aliás, quem gosta muito de dinheiro e de luxo não deve nem cogitar ser ministro do STF. Com o salário que receberá não poderá ter vida de magnata.
Quem é ministro no Supremo não pode ter mulher que advogue para o maior bandido brasileiro, que lesou milhares de aposentados e deu o maior golpe em nosso sistema financeiro. Não pode opinar sobre o contrato que ela assinará com o escroque para uma consultoria indeterminada por centena de milhões de reais. Ou continua ministro, separado; ou segue casado, e deixa de ser ministro. Ela, cuja superlativa cultura jurídica é reconhecida internacionalmente, terá que optar entre a grana nada fácil e o casamento com um juiz honesto. Ele, da mesma forma. Simples assim. A vida é feita de escolhas.
Quem é ministro não pode viajar em jatinhos executivos a convite de advogados de réus potenciais em processos nos quais, ainda que hipoteticamente, poderá ter que atuar. Nem que seja para assistir jogos de seu esporte favorito em Paris ou para ir a festas bregas em iates nas ilhas gregas.
Caso um de seus talentosos filhos, por mais precoces que sejam, aceite a advogar para um criminoso em processos nos tribunais superiores, você não pode continuar a ser ministro ou terá que deixar muito evidente seu impedimento em atuar naquela ou em causas similares.
Se você integra a cúpula do judiciário você não pode ser sócio, ainda que por intermédio de seus parentes, de empreendimentos empresariais. Não pode. Seria imoral. Mas se seus sócios ou hóspedes forem bandidos, não pode de jeito nenhum, nem recebê-los como se você fosse o dono da ilha da fantasia.
Se você for um dos onze no Supremo você não pode frequentar bacanais no Madame Satã, não pode participar de surubas no litoral baiano, não pode degustar whisky raro em Londres, não pode vestir ternos de alfaiataria famosa pagos por banqueiros, não pode ter bandidos de estimação, não pode receber dinheiro para instituições às quais esteja vinculado, por mais nobres que sejam os interesses promovidos por tais entidades.
Se você estiver disposto a abrir mão de inúmeras dimensões da vida burguesa, do luxo e da futilidade capitalista você tem o mínimo necessário para cogitar aceitar o cargo de ministro no STF. Mas se você for excessivamente vaidoso, se gostar muito daquilo que o dinheiro compra, você não reune as mais mínimas condições para ser ou para continuar integrando a Suprema Corte. É tão difícil assim entender isso?
Por fim, se você considera normal que ministros do Supremo mantenham relações indecentes com criminosos, com estelionatários, com traidores da pátria; se você releva o fato de algum deles ter recebido milhões de reais ou de dólares por intermédio de familiares, em homenagem às decisões jurisdicionais anteriores dele, eu lamento informar: você não é muito diferente.
Xixo, 15 de setembro de 2026.
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