
Do `coxinismo` e adjacências
por Maria Fernanda Arruda
Nossa sociedade em sua ânsia de seguir cultura alheia e se portar como boy ou girl em sacadas gourmet, está dando um espetáculo incrível para um romance de estudo de decadência social. Se preza mais um quadro com certificado de conclusão de cursinho escolar do que conhecimento. O dito título de doutor já amesquinhado pelo judiciário, que o adotou ás suas funções ao arrepio da verdade está passando a ser insultuoso a quem é chamado por ele já que tem mais ironia do que respeito. Vulgarizando-se isso se fotografa a verdade – são todos doutores de fancaria. De ‘facto’ de que adianta um ou outro, que inclusive tenha obtido tal título dentro das regras, se ao se manifestar mostra incrível obtusidade? Se acabamos de ver a vedete dos juízes falar QUERER, quando deveria dizer ‘quiser’…ou seu parceiro usar verbo intervir com flexão INTERVIU? Sendo ambos tri-formados, como eram os generais triplo-coroados e que prestavam continência aos majorengos dos EUA…que valor tem a bagagem que esconde imbecis?
O uso do idioma tem de ser visto como o código que dá legitimidade e nacionalidade ao cidadão. Aqui os que gostam de ser chamados de excelência preferem arranhar ou falar um inglês macarrônico e acabam por esquecer o pouco que sabiam do vernáculo pátrio. Expressam-se, conscientes de sua ignorância, por meio de ‘ghost writer’ sob pacto de segredo, não é, FHC? Ou ouvem mandar seu auxiliar de juiz pesar a mão nas sentenças que assinarão. A pantomima ainda está em ritmo crescente. Vai ao paroxismo de pessoas públicas armarem uma casamata de advogados e amedrontarem quem os criticar pela covardia dos que fogem de um embate. Parecem com os valentes que na hora da briga saem com a desculpa – não brigo com você por que minha mãe não deixa, ou porque agora estou de óculos… Mas se cercados de meganhas são ‘valientes’ como o corpo de magistrados que entraram no forum de Curitiba para interrogar Lula. Que terá havido para que nossa evolução social produzisse essa fauna de lesmas morais?
Maria Fernanda Arruda
escritora e ativista digital
Prof. Pascoal
25 de maio de 2017 7:39 pmÉ isso aí, Maria Fernanda!
“O uso do idioma tem de ser visto como o código que dá legitimidade e nacionalidade ao cidadão.”
Junta-se a ignorância pura e simples com a desculpa de “eu sou americano (ou, pelo menos, me sinto assim)” e o simples desprezo pela língua materna (“é de terceiro mundo, não presta”).
Com isso,
1) Abandona-se o sujeito indeterminado: “você abandona”. Aparentemente, acham que o pronome reflexivo “se” é a última sílaba de “você” (talvez achem que a grafia é “ce”).
2) Não sabem mais a diferença entre sob e sobre.
3) Fazem o verbo concordar não mais com o sujeito, mas com a palavra mais próxima.
4) Não sabem que à=aa. Pensam que a preposição “a” leva crase. Não sabem nem mais diferenciar a preposição “a” do artigo “a”.
É a metrópole destruindo a língua da colônia. São os colonizados com vergonha de serem brasileiros.
bonobo de oliveira, severino
25 de maio de 2017 8:05 pmComo diria o personagem de Curitiba.
Em cognição sumária, deve-se publicizar para que a Globo/Mossack-Fonseca produza a ilusão na massa ignara, que ele chama de “opinião pública”, e as lesmas morais prossigam confraternizando-se e festejando a destruição do país.
AMORAIZA
25 de maio de 2017 8:20 pmClap!Clap!Clap!
Maria, em tempo em que tudo tem preço, o que tem valor soçobra.
É tempo de se fazer triunfar nulidades
Diploma comprado tem preço.
Conhecimento tem valor.
Para que o sistema permaneça lucrativo, para que a desigualdade social e a desonestidade se mantenham,
há que se muito valorizar o que não presta e se depreciar o que tenha real valor.
O difícil é que a final, não sobra mais ninguém com capacidade para apreciar o que tem valor.
Jose de Almeida Bispo
25 de maio de 2017 10:23 pmCoitado do Machado, o de
Coitado do Machado, o de Assis!
Pior, a profeccioa segundo li nalgum lugar, de Humberto de Campos se confirma avalassadoramente; em geral.
“Cai um jequitibá no Nordeste. Qual marmeleiro será plantado em seu lugar?” Humberto de Campos em necrológio ao meu conterrâneo João Ribeiro.