E agora, João?, por Fernando Castilho

Pois bem, agora, com a desistência, para onde irão os 4% de intenções de voto de Doria?

Charge: André Dahmer

E agora, João?

por Fernando Castilho

João Doria, aquele que mandava caminhões pipa jogar água fria nos moradores de rua nas geladas noites de inverno, acaba de desistir de sua campanha à presidência do Brasil depois de resistir a um golpe que seu partido, o PSDB, tentou lhe dar.

O ex-governador havia vencido as prévias tucanas democraticamente, mas o deputado Aécio Neves, que já havia demonstrado seu lado golpista imediatamente à vitória de Dilma Rousseff em 2014, quando afirmou que começaria naquele momento o processo de impeachment que retirou a presidenta de sua cadeira no Planalto, tentou mudar as regras do jogo para emplacar seu preferido, o ex-governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Golpe. Democracia não tem combinado com o PSDB nos últimos anos.

Iniciou-se então uma grande movimentação em torno da disputa por um nome para a tal terceira via, ficção criada para incutir na cabeça do eleitorado brasileiro que é preciso um nome de centro que se coloque entre Lula, chamado inapropriadamente de radical de esquerda (ou corrupto), e Jair Bolsonaro, este de extrema-direita porque o Brasil não aguenta mais tanto radicalismo. Uma falácia.

Na realidade, Doria, Simone Tebet ou qualquer um que postule ser chamado de candidato de centro, nada mais é do que de direita, portanto, próximo ao capitão.

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Isso se revela nos próprios discursos de Doria, Tebet ou Leite. Nada de políticas para o povo faminto e desempregado, neoliberais que são. Pergunte a eles sobre privatização.

Pois bem, agora, com a desistência, para onde irão os 4% de intenções de voto de Doria?

Automaticamente, nossa mente responde que irão para Tebet.

Mas não.

O mais provável é que cerca de 2% podem ir para Ciro Gomes e o resto seja dividido entre Bolsonaro, Tebet e Janones. Praticamente nada vai para Lula.

O que isso significa?

Que nada muda no cenário eleitoral. Nem numericamente, nem simbolicamente.

Mas por que tanto interesse de Ciro, Tebet ou Janones em se colocarem ainda muito distante do segundo lugar, praticamente sem nenhuma chance de seguirem para o segundo turno?

Seria a possibilidade de adesão a um dos candidatos classificados no primeiro turno? Só se for para apoiarem Bolsonaro.

Campanha implica contratação de marketing eleitoral, produção para exposição na TV, gráfica, montagem de comitês, pessoal, etc. Tudo isso, pago com recursos do fundo eleitoral. É muito dinheiro.

Além disso, sempre paira no ar a desconfiança pelos malabarismos para a prática de caixa 2, que, se bem ocultos, não aparecem.

O interesse na defesa da democracia e no combate ao desemprego e à fome é o que menos motiva esses candidatos da terceira via.

Como dizem, follow the money.

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]

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