
Estranhos arquivamentos na Procuradoria Geral da República
por Frederico Rochaferreira
O primeiro nome na lista tríplice para suceder Rodrigo Janot na Procuradoria Geral da República era Nicolao Dino, nome de preferencia da Associação Nacional de Procuradores e do próprio Janot1, mas a escolhida foi Raquel Dodge e na véspera da sua escolha, um fato chamou a atenção; o jantar do presidente Michel Temer com o ministro Gilmar Mendes2.
Ora, é sabido que tanto o presidente Temer quanto o ministro Gilmar Mendes, são críticos da Operação Lava-Jato, portanto, escolher alguém fora do círculo de Janot e menos “austero” para comandar o Ministério Público Federal, era de fundamental importância3, mesmo porque, pesa contra o presidente, acusações de crimes de corrupção4,5.
E assim, Raquel Dodge foi alçada a PGR com aval de nomes como José Sarney, Renan Calheiros, Osmar Serraglio, Torquato Jardim e Gilmar Mendes6.
A expectativa, portanto, sobre o nome da nova Procuradora Geral da República não era boa, fazia lembrar o antigo Procurador de Fernando Henrique Cardoso, Geraldo Brindeiro7, que ficou conhecido como o Engavetador Geral da República, que engavetou 242 inquéritos criminais que recebeu e arquivou 217.
Dos engavetamentos de Brindeiro, destaca-se a compra de votos no Congresso para a reeleição de Fernando Henrique Cardoso. Havia na época provas robustas denunciadas pela Folha de São Paulo, incluindo conversas gravadas, de como os parlamentares recebiam o dinheiro e de quem os pagava, mas Geraldo Brindeiro dizia não ver indícios de crime nas denúncias e nunca abriu inquérito. Foram 8 anos que Brindeiro blindou Fernando Henrique8.
E a expectativa negativa em torno do nome da nova Procuradora não demorou a se confirmar. Raquel assumiu a PGR em setembro e dois meses depois já arquivava a investigação contra o governador do Paraná, Beto Richa, (PSDB), acusado de ser o responsável pela agressão de professores e servidores estaduais na manifestação de 29 de abril de 2015, quando a polícia deixou cerca de 210 pessoas feridas9.
No mês seguinte, em dezembro, Raquel pede o arquivamento 24 inquéritos de uma só vez, a maioria envolvendo políticos do PSDB, PMDB e da base aliada do governo10. Ainda em dezembro, pede arquivamento do inquérito contra José Serra no Supremo Tribunal Federal, que era investigado por ter recebido cerca de R$ 20 milhões do empresário Joesley Batista para a campanha presidencial de 2010, dos quais, só declarou R$13 milhões à Justiça Eleitoral11 e em fevereiro, manda arquivar o processo que Romero Jucá, (PMBD) respondia por desvio de verbas e que tramitava no Supremo a 14 anos12.
Todavia, não só as ações práticas de Raquel Dodge, causam estranheza. Em Londres, onde deu uma palestra sobre “escravidão moderna”, a Procuradora Geral disse: “O Brasil experimenta o momento de maior estabilidade institucional desde a Proclamação da República”13, numa alusão ao caos político-institucional que o Brasil vive.
REFERÊNCIAS:
2. https://exame.abril.com.br/blog/sergio-praca/por-que-raquel-dodge-nao-sera-engavetadora/
3. https://exame.abril.com.br/blog/sergio-praca/por-que-raquel-dodge-nao-sera-engavetadora/
4. https://oglobo.globo.com/brasil/janot-denuncia-temer-ao-stf-pela-segunda-vez-21823266
5. http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/barroso-autoriza-inquerito-contra-temer/
6. https://oglobo.globo.com/brasil/com-apoio-de-caciques-do-pmdb-raquel-dodge-favorita-pgr-21491010
10. http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/12/1940199-dodge-alega-ineficiencia-em-inqueritos-e-dobra-pedidos-de-arquivamentos.shtml
12. https://www.conjur.com.br/2018-fev-05/stf-arquiva-inquerito-juca-14-anos-investigacao
Ricardo Pereira
27 de fevereiro de 2018 11:23 ampra quem nao conhece o lado negro da força
apresento Raquel Dodge “Dart” Vader
Andre Araujo
27 de fevereiro de 2018 1:53 pmÈ absolutamente normal que o
È absolutamente normal que o chefe de um governo indique quem o possa favorecer, é assim em qualquer Pais do planeta.
Nos EUA o Presidente pode indicar TODOS os 79 procuradores federais, lá não há carreira e nem mandato de procurador federal, são 100% indicações politicas diretas do Presidente, do Procurador Geral , do chefe da Divisão Criminal do Departamento de Justiça, tudo isso é considerado perfeitamente normal.
Trum demitiu o diretor geral do FBI porque este o estava investigando. Há exceção quanto ao procurador independente indicado pelo Congresso, esse o Presidente não pode demitir, mas acontece só em situações muito especiais.
Até agora a Procuradora Geral tem favorecido em arquivamentos muito mais o PSDB do que o Governo e seus apoiadores.
Inforo
27 de fevereiro de 2018 1:57 pmCoitado do Nassif
Coitado do Nassif, não está acertando uma
marcio gaúcho
27 de fevereiro de 2018 9:37 pmPIROCOU ???
Você não entendeu nada. Releia o texto!
Ataíde Coutinho
27 de fevereiro de 2018 2:14 pmexpectativas
O ex ministro Aragao garantiu ser uma pessoas séria e compromissada com a carreira .
CB
27 de fevereiro de 2018 2:28 pmEstranhos? Não há nada de
Estranhos? Não há nada de estranho nisso.
alfeu
27 de fevereiro de 2018 2:30 pm*
Inspirando Dalí
Gabinete Antropomorfico
Girafa em Chamas
O Anjo Caído
Francisco Andrade
27 de fevereiro de 2018 2:40 pmjudiciário,…
… o poder mais corrupto da República !!
Afonso Arinos
27 de fevereiro de 2018 2:45 pmFicha corrida
Fica imaginando que cada indicado tem a ficha corrida puxada para futuras chantagens. Penso que Gilmar Mendes é especialista em encontrar fraquezas e explorá-las.
B.V.D.
27 de fevereiro de 2018 2:56 pmQual será a melhor solução?
Não entendi como a PGR passou reter informação de interesse da PF. O caso das contas do Paulo que o delegado disse saber pela mídia (relatado pelo Gilmar) e a negativa inicial de quebrar o sigilo do Temer e o atraso de 2 meses pra PGR se manifestar mostram que pior que arquivar é o atraso e falta de compartilhamento de informação.
O Barroso devia informar indicio de parcialidade e prevaricação ao CNMP?
O CNMP juntaria todos os pontos?
É pior pro país os conselheiros do MP verem dados sigilosos?
jossimar
27 de fevereiro de 2018 4:46 pmSem contart que esta vaca
Sem contart que esta vaca velha abriu inqérito contra a senadora Gleisi e, inclusive pediu sua prisão, sem a menor prova de cometimento de crime por parte da senadora.
Também mandou arquivar o proceso contra o serra(recebimento de R$ 34 milhões em propina com provas documentais) no mesmo dia em que o TRF4 condenava o presidente Lula(sem nenhuma prova concreta).
Esta sem vergonha será pior que o brindeiro, o antonio francisco, o gurgel e o janot juntos.
Nassif e Eugênio Aragão, vocês ainda têm alguma dúvida sobre o caráter desta mulher?
jose adailton v ribeiro
27 de fevereiro de 2018 3:00 pmEstavam incomodados?
Janot era midiático, supostamente parcial. Mesmo assim incomodou muita gente de todos os lados e todas as cores.No mandato da Dodge é que tudo isto aconteceu. Isto é só o começo?
Contrariando pedido feito pela Polícia Federal, a procuradora-geral da República Raquel Dodge se negou a requisitar ao Supremo Tribunal Federal a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Michel Temer. Alegou que não há, por ora, el… – Veja mais em : Josias de Souza
https://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2018/02/27/raquel-dodge-barra-quebra-de-sigilos-de-temer/
Antonio Carlos Silva - Brasil
27 de fevereiro de 2018 3:00 pmHÁ SAÍDA INSTITUCIONAL PARA TODA ESTA SACANAGEM ?
Que os que criticaram os rebeldes que entraram na “aventura” da resistência armada(guerrilha) ao golpe de 64 .
FAÇAM MEA-CULPA !
Orlando Soares Varêda
27 de fevereiro de 2018 3:29 pmQUEM QUISER QUE COMPRE ESSE
QUEM QUISER QUE COMPRE ESSE DODGE.
Estranhos arquivamentos? Permita discordar caro articulista. A sensação que tenho é a de que tudo isso, é um descarado faz de conta. Ou seja, trata-se de cultivar um legalismo de fachada, tão ao gosto de nossas elites de merda, fissuradas pela aparência.
Quanto a preferência da Associação Nacional de Procuradores pelo nome alinhado ao bando do Janot. Devo lembrar que, as indicações dessa corporação, foram convalidados pelo presidente Lula e pela presidenta Dilma. E, resultaram nas porcarias que todos nós conhecemos e, nem vale comentar.
Estou seguro que para a população trabalhadora, tanto faz: seja esta senhora Dodge assim como, se fosse Chevrolet, Studebaker, Ford de bigode, ou Wolksvagem 4 portas, pelo que assistimos, dessa industria concurseira, diria Collor, só produzem carroça.
Orlando
marcio gaúcho
27 de fevereiro de 2018 9:34 pmPREPOSTOS
De fato, Orlando, essas indicações não são para pessoas ilibadas e de imenso saber jurídico. São apenas elementos ou peças de uma máquina, cuja nomeação já tem uma pré-finalidade, a fim de ajeitar as coisas para a maçonaria reinar (sim, porque é monarquista, não é democrata) livremente nos meandros da administração pública, política e justiça. Na vida privada, um maçom atua da forma que bem entender, pois é protegido e ininmputável.
Alex Silva
27 de fevereiro de 2018 4:03 pmDodge e Segóvia foram apoiados por aqui
O curioso é que Dodge e Segóvia foram apoiados por aqui.
Em nosso contexto, não há agente público confiável. Nenhum.
O corporativismo é uma das marcas da classe.
Maria Luisa
27 de fevereiro de 2018 4:45 pmDe onde nada se espera…
Eu gostaria de saber se a ‘excelentissima’ PGR vai arquivar o inquérito contra a senadora Gleizi Hoffman? Ou a farra das gavetas e dos arquiavmentos so vale para os amigos e socios do rei ?