Lula livre?, por Juca Kfouri

Lula poderia, se quisesse, ceder aos apelos e sair. E isso não faria Kfouri mudar uma linha sequer de seu texto. E isso porque não se pode ‘exigir heroísmo com pescoço alheio’, e ele sabe o que quer fazer com o seu.

Jornal GGN – Reconheça-se a grandeza de se recusar a ser solto, aponta Juca Kfouri em seu artigo na Folha. Diz o articulista que caso fosse parente ou namorada, gostaria de vê-lo livre nas condições oferecidas. Caso amigo fosse, também. Mas como não é nada disso, e diz não saber o que é melhor para ele, deixa então um testemunho de quem o visitou.

Desmonta a tese de Lula estar em sala VIP, coisa que não está. Kfouri o visitou e confessa que enlouqueceria em três meses caso confinado naquele espaço claustrofóbico.

Aponta as teses de comunicadores que dizer existir a recusa de saída porque logo mais terá que voltar em nova condenação.

E reclama do absurdo de dizerem que Lula só está jogando para a torcida, pois que são incapazes de reconhecer a grandeza do gesto de alguém que, indignado com a injustiça sofrida, não se aceita pombo-correio para usar tornozeleira e que se recusa a ser solto a não ser inocentado.

Kfouri aponta o grande espaço dado à cafajestagem de delações de Silvérios e Paloccis, e que a história irá se fazer cumprir para tais formadores de opinião. E lembra Sobral Pinto e João Saldanha, comportamentos dignos para tempos não tão auspiciosos.

Aponta que não reconhecer a dignidade contida na recusa de Lula é pequenez sem tamanho. Estamos vivendo tempos sombrios, vide o que aconteceu com Fernanda Montenegro e Chico Buarque, e compactuam com isso jornalistas que destratam Lula.

Lula poderia, se quisesse, ceder aos apelos e sair. E isso não faria Kfouri mudar uma linha sequer de seu texto. E isso porque não se pode ‘exigir heroísmo com pescoço alheio’, e ele sabe o que quer fazer com o seu.

‘A pretensão destas linhas se limita a reforçar o direito à dúvida sobre a justiça da sentença, dada a reação do sentenciado e, mais, reconhecer a raridade do gesto, algo jamais visto no Brasil, quiçá no mundo’, diz Kfouri.

E aceita, mesmo discordando, as opiniões de quem consideram Lula culpado, e querem vê-lo morrer na prisão comum. Entende, ainda, que a intoxicação pela parcialidade alçou juízes e procuradores a santos, mesmo com as conversas publicadas pelo Intercept.

Mas repele a falta de caráter, a linguagem chula e a desonestidade dos que cabem em tal carapuça. ‘E termino como Sobral Pinto, pedindo a eles a Lei de Proteção aos Animais. Com todo o respeito’, finaliza.

Leia o artigo na íntegra aqui.

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