10 de junho de 2026

Lula na ONU: Democracia e Soberania Global, por José Manoel Gonçalves

De maneira direta é preciso reconhecer: Lula hoje se  destaca como uma voz equilibrada e respeitada no cenário mundial.
Lula - ONU 2025 - Ricardo Stuckert/PR

Lula na ONU: Democracia e Soberania Global

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por José Manoel Ferreira Gonçalves

Um chamado pela ordem democrática

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou ontem, 23 de setembro de 2025,  na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, reafirmando sua  posição como um dos mais influentes líderes globais da atualidade. Em um  momento em que o mundo enfrenta desafios múltiplos — guerras, desigualdade,  crise climática e instabilidade institucional —, Lula ocupou o púlpito da  diplomacia internacional com firmeza, clareza e uma contundente defesa da  democracia e da soberania dos povos.

Sem cair em polarizações, e de maneira direta, é preciso reconhecer: Lula hoje se  destaca como uma voz equilibrada e respeitada no cenário mundial. Não se trata  de aderência ideológica, mas de admitir o que é evidente. E o evidente é que seu  discurso teve peso, conteúdo e propósito.

Democracia e soberania global

Lula iniciou sua fala defendendo o multilateralismo e criticando o  enfraquecimento das instituições democráticas em várias partes do mundo. “A  democracia está sob ataque, e o mundo precisa agir para defendê-la”, afirmou,  categórico. Sem mencionar nomes de países, denunciou a ascensão do  autoritarismo e o uso da mentira como ferramenta política — em clara alusão à  proliferação de desinformação que contamina eleições e enfraquece a  legitimidade das instituições.

Ao tratar de soberania, Lula foi direto: “Nenhum país tem o direito de interferir na  autodeterminação de outros”. A frase ecoou forte na sala, especialmente diante  dos conflitos armados ainda ativos, como o da Ucrânia e o mais recente embate 

no Sahel africano. Reivindicou a necessidade de uma ordem internacional  baseada no respeito mútuo e na paz, não na imposição de interesses geopolíticos.

O genocídio em Gaza: uma denúncia histórica

Em um momento especialmente marcante, o presidente Lula se referiu ao  genocídio em Gaza, uma questão que tem mobilizado a opinião pública mundial.  Sua declaração foi clara e contundente: “O que estamos vendo em Gaza é um  genocídio, uma atrocidade inaceitável que deve ser reconhecida pelo mundo  como tal.” Essa fala foi aplaudida de forma calorosa pela plateia, refletindo o peso  da denúncia. Lula fez um apelo pelo cessar-fogo imediato e pela abertura de  corredores humanitários para o povo palestino, destacando a importância de

responsabilizar os violadores dos direitos humanos, independentemente de sua  posição política ou geopolítica.

Esse ponto foi, sem dúvida, um dos mais significativos do discurso, dada a  gravidade da situação e o contexto global da Assembleia. Ao se posicionar  firmemente contra a violência e pela defesa da vida, Lula se afirmou como uma  voz de justiça e solidariedade internacional, demonstrando que, além da política  interna, sua liderança está fortemente comprometida com os direitos humanos e  a paz mundial.

Frente comum contra a desigualdade

O presidente brasileiro ressaltou que o combate à desigualdade social deve ser  prioridade global. Apontou o paradoxo de um mundo que produz riquezas em  escala nunca antes vista, mas que continua deixando bilhões de pessoas na  miséria. Denunciou, com veemência, a concentração de renda e criticou o  sistema financeiro internacional por perpetuar esse ciclo.

Lula ainda fez um apelo por uma “nova governança econômica mundial”, com voz  ativa para os países do sul global. Defendeu o fortalecimento do G20 e reiterou a  urgência de reformar o Conselho de Segurança da ONU, para que seja mais  representativo e democrático.

Clima, Amazônia e protagonismo brasileiro

Em outro ponto crucial de sua fala, Lula tratou da emergência climática. Garantiu  que o Brasil está fazendo sua parte para proteger a Amazônia e que não aceitará  sermões daqueles que historicamente destruíram seus próprios ecossistemas.  Afirmou que o país reduziu drasticamente o desmatamento nos últimos dois anos  e voltou a ser um exemplo de compromisso ambiental.

Enfatizou que “a luta contra as mudanças climáticas não pode ser tratada como  retórica”, cobrando ações concretas dos países ricos e exigindo financiamento  climático justo para as nações em desenvolvimento.

O retorno da diplomacia como força civilizatória

Num dos momentos mais marcantes do discurso, Lula disse que “a diplomacia  precisa voltar a ser um instrumento de construção da paz, e não de guerra”. Com  essa frase, resgatou o papel do Brasil como mediador internacional e defensor do  diálogo, não do confronto.

A clareza de sua mensagem não se escondeu atrás de eufemismos: o mundo está  em risco, mas há caminhos possíveis — desde que se ouçam as vozes que pedem  equilíbrio, justiça e solidariedade.

Um líder além das fronteiras

Pode-se discordar de Lula em muitos aspectos, mas sua atuação recente na  arena global evidencia algo inegável: ele fala com autoridade, escuta com empatia  e propõe com coerência. Seu discurso na ONU não foi apenas mais um entre  tantos. Foi uma reafirmação da necessidade de lideranças que compreendam a  gravidade do momento e estejam dispostas a defender a democracia e a  soberania com convicção.

Em um mundo que ainda busca referências sólidas, Lula tem se mostrado, goste se ou não, uma dessas referências.

José Manoel Ferreira Gonçalves é Engenheiro Civil, Advogado, Jornalista, Cientista Político e Escritor. Pós-doutor em Sustentabilidade e Transportes (Universidade de Lisboa). É fundador e presidente da FerroFrente e da Associação Água Viva, coordenador do Movimento Engenheiros pela Democracia (EPD) é um dos fundadores do Portal de Notícias Os Inconfidentes, comprometido com pluralidade e engajamento comunitário.

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