5 de junho de 2026

Marcos Braccini: um artista esplêndido, por Aquiles Rique Reis

Nas Marés (2026) é o terceiro trabalho solo de Braccini – precedido por Pós-Noturno (2014) e Wiara (2015).

Marcos Braccini lança o álbum Nas Marés (2026), com 11 faixas e 12 videoclipes previstos para o ano.
O álbum abre com “Evangelho”, com arranjo de Rafael Martini e participação de músicos como Maria Clara Valle.
“Itinerário” traz vozes de José Miguel Wisnik, Ilessi e Braccini, com arranjos instrumentais e improvisos emocionantes.

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Um artista esplêndido

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por Aquiles Rique Reis

Hoje trataremos do álbum Nas Marés (selo Klave) do cantor e compositor Marcos Braccini. Desde o lançamento, o CD acompanha três videoclipes; ao longo do ano, a eles se somarão outros nove que ilustrarão as onze faixas gravadas. Nas Marés (2026) é o terceiro trabalho solo de Braccini – precedido por Pós-Noturno (2014) e Wiara (2015). Produtor, arranjador, poeta e compositor, Braccini é graduado em Composição pela Escola de Música da UFMG e estudou na Film Scoring Academy of Europe (Bulgária), na Akademia Muzyczna w Krakowie (Polônia) e na Fundação de Educação Artística de Belo Horizonte.

A tampa abre com “Evangelho” (já lançada em videoclipe), obra-primade Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro que vem acrescida do poema incidental “Vidência”, também de Paulinho Pinheiro. O arranjo de Rafael Martini agrega mais vigor à melodia e aos versos enérgicos e fortalece a música, enquanto a intro cabe ao violoncelo de Maria Clara Valle. A flauta de Alexandre Andrés vem, e logo o clarinete de Alexandre Silva se junta a ela. O trombone de Jonas Hocherman encorpa o som com o apoio do baixo de Paulo Sartori e da pegada da batera de Felipe Continentino. O piano de Rafael Martini, ele que é também diretor musical do CD, enobrece a melodia genial de Dori. E assim, Braccini canta convicto de que sua escolha para abrir o álbum determinará a potência do que virá a seguir. Como se não bastasse, a poetisa Brisa Marques faz uma leitura absolutamente emocionada do poema “Vidência” – é quando o comentarista se vê emocionado com o que ouve.

Você, gente boa, que lê esta resenha, precisa ratificar o que digo, para então também deixar-se seduzir pela beleza que tocará o seu coração.

A seguir, “Itinerário”, de Marcos Braccini, Flávio Henrique e Brisa Marques (também já lançado em videoclipe), tem participação especial das vozes de José Miguel Wisnik e Ilessi, juntas à de Braccini. Acompanhado pelos mesmos instrumentistas da faixa anterior, Zé Miguel inicia cantando com violoncelo, flauta, trombone e clarinete, que amparam sua voz diferençada. Logo desponta outra voz de impressionante beleza: Ilessi… ela que antecipa um intermezzo de trombone, piano e batera que, por sua vez, aguardam a voz de Marcos Braccini. E ouve-se as vozes comovedoras. Amparado pelo violão, o piano vem em novo intermezzo. Um improviso de trombone e piano antecede um arranjo que rola arritmo, enquanto o trio canta com alma enternecedora. Eis que o violoncelo, tangendo apenas uma corda, arremata. Meus Deuses!

Concluo: Nas Marés consolida a carreira de Marcos Braccini, um músico de rara criatividade.

Aquiles Rique Reis

Nossos protetores nunca desistem de nós.

Ficha técnica: Produção: Marcos Braccini, Rafael Martini e Pedro Durães; mixagem: Ricardo Mosca; masterização: Carlos Freitas (no Classic Master USA); gravação: Pedro Durães; gravação de vozes: Rafael Dutra; pós-produção: Pedro Durães; pós-produção adicional: Rafael Dutra.

Ouçam o álbum:

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Aquiles Rique Reis

Músico, integrante do grupo MPB4, dublador e crítico de música.

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2 Comentários
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  1. Gaspar Alencar

    27 de março de 2026 8:43 am

    Aquiles, por que nos permitimos ser capturados pela extrema direita, se somos uma nação riquíssimo? Com tamanhos talentos! Valeu GGN!

  2. antonio pereira gomes neto

    27 de março de 2026 8:21 pm

    O artigo do Aquiles Reis sobre o álbum Nas Marés, de Marcos Braccini, além de ser de uma elegância rara, é preciso e sensível, e descreve rigor e emoção o que se passa no álbum. Aquiles tem razão, fui lá conferir. O Marcos Braccini é o cara. Porque ainda não é conhecido? Fui atrás do outro álbum, Noturno. Inacreditável!!!! O que é isso?!?! É muito bonito!! Repito, o Aquiles tem razão. Ouçam Marcos Braccini.

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