21 de maio de 2026

Não está na hora de Juscelino ser demitido?, por Luis Felipe Miguel

A maior parte do União Brasil está se lixando pro destino de Juscelino Filho. Lula está se sacrificando para comprar lealdade que não existe.
José Cruz - Agência Brasil

Não está na hora de Juscelino ser demitido?

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por Luis Felipe Miguel

A Polícia Federal iniciou o ministro das Comunicações, Juscelino Filho.

Não é surpresa: ele está enrolado em escândalos – desde usar jatinho do governo para participar de leilões de cavalos até destinar recursos públicos para beneficiar suas fazendas, passando por desvios na Codevasf.

Também não é surpresa que o ministro seja usado para desgastar o governo. A direita tem um caso de corrupção nas mãos e se refestela.

Mas, segundo o que se lê na imprensa, Lula não cogita demitir Juscelino Filho. Acha que mantê-lo faz com que o União Brasil, seu partido, se comprometa mais com o governo.

Chamar o União Brasil de partido é quase uma piada. Só é partido porque tem acesso ao fundo partidário – o verdadeiro alvo da cobiça de seus dirigentes.

Seus dirigentes, aqueles que ateiam fogo às casas uns dos outros nas disputas pelos cargos.

Fora isso, o União Brasil, fruto da fusão entre PSL e DEM, é um saco de gatos, cheio de oportunistas que vão para onde o vento estiver soprando.

A maior parte do União Brasil está se lixando pro destino de Juscelino Filho. Lula está se sacrificando para comprar uma lealdade que não existe.

Está reeditando uma prática dos primeiros mandatos – segurar ministros encrencados, por longo tempo, como forma de demonstrar deferência à elite política carcomida. Mas eram outros tempos.

O governo tinha popularidade suficiente para absorver o desgaste. A elite política era sensível à deferência.

Nada disso estás presente agora.

Aliás, o União Brasil é um dos partidos que têm um bocado de ministérios mas votam majoritariamente contra o governo no Congresso.

Lula mantém esse pessoal todo – ministros além de tudo incompetentes e cheios de rolos, como mostrou agora o da Agricultura, no caso do leilão do arroz. E fica implorando para que deem maior apoio nas votações de interesse do governo.

Com isso, desvaloriza sua moeda de troca. Perde capacidade de barganha. Desmoraliza o governo.

Devia começar a demitir, fechar a torneira de cargos e recursos públicos, para mostrar que detém – e detém de fato – recursos de poder.

Continuar nessa toada, que já mostrou aonde leva, é fracasso na certa.

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Luis Felipe Miguel

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

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