21 de maio de 2026

Nunca foi tão escancarado, por Gianluca Florenzano

Valendo-se de seu enorme poderio militar, os EUA interferiram, direta ou indiretamente, em outras nações para assegurar os seus interesses
Reprodução

EUA, sob Trump, realizaram operação militar na Venezuela em 3 de janeiro de 2026 visando capturar Nicolás Maduro.
Maduro foi preso no complexo militar Fuerte Tiuna, enquanto Trump declarou que o objetivo era controlar o petróleo venezuelano.
Trump anunciou administração dos EUA na Venezuela e ameaçou comprar ou tomar a Groenlândia, aumentando tensões globais.

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Nunca foi tão escancarado

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por Gianluca Florenzano

Interrompendo a tradicional calmaria do começo de ano, os Estados Unidos, sob a liderança do reacionário e imprevisível Donald Trump, realizaram uma operação militar na Venezuela.

Tendo como alvo principal a captura de Nicolás Maduro, considerado pela atual gestão republicana como um narcoterrorista, aeronaves e helicópteros estadunidenses, na calada da madrugada de 3 de janeiro de 2026, romperam o céu e atacaram pontos estratégicos venezuelanos.

Enquanto os cidadãos de Caracas e outras regiões ao norte do país acordavam com os estrondos das explosões, agentes especiais invadiram o complexo militar de Fuerte Tiuna onde o então presidente venezuelano estava escondido.

Sem encontrar grandes resistências pelo caminho, os agentes, em questão de pouco tempo, localizaram e prenderam Maduro e sua esposa antes que eles pudessem se esconder em um bunker dentro do complexo.

Aterrorizante tanto quanto a operação militar, sobretudo para os venezuelanos, foram os pronunciamentos dados pela atual cúpula trumpista horas depois do acontecimento. 

Fora a bajulação a Trump e a exaltação extremamente exagerada da suposta excepcionalidade estadunidense, por tempo indeterminado, segundo os próprios republicanos, os Estados Unidos irão administrar a Venezuela.

Sim, claro, ao olharmos para o passado podemos perceber que esse tipo de manobra não é nenhuma novidade na história da potência mundial. Pelo contrário, durante anos, valendo-se de seu enorme poderio militar, os Estados Unidos interferiram, seja direta ou indiretamente, em outras nações para assegurar os seus interesses econômicos e geopolíticos.

O que foge dos padrões habituais, todavia, é o grau de desfaçatez apresentado nas falas de Trump e de seu núcleo político mais próximo.

Se antes, para justificar suas investidas bélicas, os Estados Unidos apresentavam o argumento moral da suposta defesa da liberdade e da democracia, procurando, ainda por cima, legitimar as suas ações com a anuência de órgãos internacionais, com Trump no poder não há mais dissimulação.

Sem rodeios e diante das câmeras dos jornalistas, o atual presidente estadunidense afirmou que o motivo da operação militar na Venezuela era o petróleo, mais precisamente, para que as empresas de seu país pudessem controlar a produção e a exportação do petróleo venezuelano.

Em nenhum momento, em todo o seu pronunciamento oficial, o republicano argumentou em trazer liberdade e democracia à nação invadida. Longe disso, o povo venezuelano nem sequer foi mencionado em seu discurso e a soberania da Venezuela foi simplesmente ignorada.

Assim sendo, nunca foi tão escancarada a doutrina imperialista estadunidense como hoje. À primeira vista, isso pode parecer algo simplório, pois, afinal de contas, os Estados Unidos são imperialistas desde que se tornaram uma potência mundial.

Entretanto, é justamente essa quebra de diplomacia que mergulha o mundo em um cenário de incertezas bélicas.

Ao ignorar os acordo e normas internacionais, Trump demonstra a todos que está disposto a utilizar seu poderio militar de forma unilateral e sem pudor contra qualquer um que se colocar como um obstáculo ao seu projeto de poder.

E pior, isso pode estimular outros líderes autoritários, dentre eles o Putin, a fazer o mesmo. Não à toa, a corrida armamentista global tende a acelerar e as tensões entre os países rivais a aumentarem cada vez mais.

Além disso, não somente para a Venezuela, mas sim para a América Latina como um todo, o quadro é ainda mais alarmante. O republicano, em suas típicas postagens nas redes sociais, disse como todas as letras que “o Hemisfério Ocidental é nosso”, passando a imagem de que a região não passa de um quintal geopolítico e que todos os latino-americanos devem se curvar aos interesses estadunidenses.

Trump já demonstrou também ver com bons olhos operações militares semelhantes em outros países, principalmente na Colômbia, comandada atualmente pelo seu desafeto Gustavo Petro.

Ao que tudo indica, contudo, a bola da vez agora é a Groenlândia. O presidente dos Estados Unidos, em tom de provocação e ameaça, sugeriu que pode comprar a região, ou então, usar a força para tomá-la.

A Dinamarca que se cuide.

Gianluca Florenzano – Cientista social, pesquisador e jornalista. Autor do livro “O jogo das ruas – movimento de atletas contra o racismo”.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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