10 de junho de 2026

O armário do palácio de Luís XVI, por João Furtado e Luiz Marinho

Cada uma das empresas prejudicadas pela ação do herdeiro de Jair pode acionar a Justiça para responsabilizá-lo criminal e civilmente.
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O armário do palácio de Luís XVI

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por João Furtado e Luiz Marinho

O armário do Palácio das Tulherias onde Luís XVI esconderia documentos comprobatórios da conspiração levada a cabo com potências estrangeiras para derrubar o regime da Revolução Francesa ainda é objeto de discussão entre historiadores. Mas o caráter controverso do achado não impediu que a cabeça do monarca fosse decepada pela lâmina afiada da guilhotina da Revolução.

Dois séculos depois, Eduardo, herdeiro do condenado Jair, conspira com uma potência estrangeira para que ela imponha sanções ao Brasil, produzindo penalidades a muitas empresas, provocando prejuízos comerciais, econômicos e financeiros, além de desemprego e sofrimento para muitas famílias em várias regiões.

Luis XVI conspirava ou não com os Habsburgos (família de origem de sua Maria Antonieta) para salvar o regime monárquico e os seus privilégios? Parece certo que sim, como era praxe. As famílias reais protegiam-se mutuamente e para isso selaram acordos político-militares em paralelo aos contratos de casamento.

O herdeiro de Jair que se mudou para os Estados Unidos está tão seguro de sua impunidade que declara o crime nas redes sociais, com descaramento e bazófia. E seu cúmplice no crime de traição ao Brasil é ninguém menos do que o desvairado que ocupa a Casa Branca, mas bem poderia estar no Palácio de Versalhes. Que Trump o faça poderia, em princípio, ser justificado por uma qualquer lógica econômica, não fosse a carta e as declarações que comprovam a motivação política e golpista das sanções. Como mostraram tantas opiniões abalizadas, além das entrevistas do presidente Lula e do seu artigo publicado em jornais de tantos países, a carta anunciadora das sanções não tem pé nem cabeça. Aliás, seria pedir muito ao clã que conspirou contra a vida com as suas amalucadas declarações negacionistas da epidemia.

O Brasil não “rouba” empregos dos EUA, são os Estados Unidos que se beneficiam e aumentam o seu nível de emprego no comércio bilateral com o Brasil, onde ostentam exportações superiores às importações há 17 anos consecutivos. Neste século, o superávit de bens e serviços dos EUA monta a US$ 350 bilhões.

Ao promover a imposição de sanções ao Brasil, o herdeiro e braço operativo de Jair dará causa a prejuízos muito expressivos para algumas atividades econômicas. Café de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo; cacau do Pará e da Bahia; suco de laranja de São Paulo; aço e alumínio de vários estados brasileiros; celulose da Bahia, Espírito Santo e Maranhão – a lista é muito mais extensa, mas fiquemos nos casos mais notórios.

Cada uma das empresas prejudicadas pela ação do herdeiro de Jair tem o direito de acionar a Justiça brasileira para responsabilizá-lo criminal e civilmente. Terão coragem? Se não têm, cúmplices serão, porque o crime e os seus efeitos estão mais do que caracterizados. Aliás, por que razão um simples acionista da Embraer, cujas ações sofreram perdas no pregão imediatamente a seguir à declaração de Trump, não poderia ele também impetrar uma ação de responsabilização contra o representante do clã? Mais ainda, poderiam os sindicatos – de trabalhadores assalariados e das empresas – ser solidárias nessas ações?

O silêncio de tantas organizações empresariais é um salvo-conduto para o crime continuado.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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Joao Furtado

João Furtado, economista, especialista em temas ligados à indústria e às políticas para o desenvolvimento. Casado, tem 3 filhos.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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