O Dia de Al-Qods: um grito de consciência contra o imperialismo
por Mohammed Hadjab
Todos os anos, o Dia de Al-Qods se ergue como um poderoso lembrete da consciência dos povos e da dignidade das nações diante da injustiça. Instituído em 1979 pelo aiatolá Ruhollah Khomeini após a Revolução Iraniana de 1979, este dia ultrapassa amplamente o simples marco político. Ele representa um símbolo universal de resistência contra a ocupação, o colonialismo e todas as formas de hegemonia.
No contexto atual de escalada de tensões e de agressões recorrentes da aliança israelo-americana contra o Irã e contra os povos da região, o Dia de Al-Qods assume uma dimensão ainda mais profunda. Ele se transforma na voz coletiva dos oprimidos diante de uma lógica de dominação que, há décadas, tenta impor pela força uma ordem regional baseada na supremacia militar e na marginalização de povos inteiros.
A escolha da última sexta-feira do mês sagrado do Ramadã para essa celebração não é fruto do acaso. Ela une espiritualidade e compromisso moral, lembrando que a luta contra a injustiça não é apenas política, mas também ética e espiritual. Nas ruas de Teerã, assim como em numerosas cidades do mundo muçulmano e além, milhões de vozes se levantam para lembrar que a questão de Jerusalém — Al-Qods — permanece no coração das aspirações por justiça.
Este dia funciona como um espelho do nosso tempo. Ele revela as tensões profundas de um mundo onde os princípios proclamados do direito internacional coexistem frequentemente com a realidade brutal da ocupação e das guerras assimétricas. Nesse cenário, a mobilização em torno de Al-Qods torna-se um ato de memória e de vigilância.
Para muitos, essa data simboliza também um verdadeiro dique contra projetos geopolíticos que pretendem remodelar o Oriente Médio segundo os interesses de potências dominantes. Diversos analistas denunciam, por exemplo, as visões expansionistas associadas ao conceito controverso de Grande Israel, percebidas como uma ameaça ao equilíbrio frágil da Ásia Ocidental.
Mas para além das relações de força, o Dia de Al-Qods permanece sobretudo como uma afirmação moral: a de que os povos têm o direito de defender sua dignidade, sua terra e seu futuro. Ele recorda que a solidariedade internacional não é uma abstração, mas uma responsabilidade coletiva.
Assim, nesta sexta-feira, 12 de março, a ressonância de Al-Qods ultrapassa fronteiras e ideologias. Ela se torna o eco de uma exigência universal: a de um mundo livre da dominação, onde a justiça e a soberania dos povos prevaleçam sobre a lei do mais forte.
Num século marcado por rivalidades e fraturas geopolíticas, o Dia de Al-Qods aparece para seus apoiadores como um farol de resistência e memória — um chamado para jamais banalizar a injustiça e para rejeitar qualquer forma de supremacia que ameace o equilíbrio do mundo.
Mohammed Hadjab, analista em geopolítica e Relações internacionais.
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Rui Ribeiro
13 de março de 2026 7:07 amVi alguns calunistas murdochianos atacarem a esquerda por esta não concordar com as agressões de U$A e U$rael sobre os Árabes/Palestinos e sobre o Irã. Dizem que somos coniventes com o que os governantes de lá fazem. Tão querendo despartidarizar as vorcariedades, sendo que o Vorcaro patrocinou inclusive a rede bobo
roberto quintas
13 de março de 2026 10:06 amImpressionante. Um jornal dito progressista e independente elogiando e defendendo uma teocracia.