O judiciário está dando um descanso ao legislativo e executivo, por Rogério Maestri

O judiciário está dando um descanso ao legislativo e executivo

por Rogério Maestri

Parece mentira, mas talvez o legislativo e o executivo ganhem posições por conta do desmanche do poder judiciário. Pelo menos não perderão mais e dará tempo para os mais espertos se reposicionarem.

Nos últimos tempos ações contra políticos em geral não estão ganhando mais plateia, principalmente porque o judiciário como um todo está ocupando o lugar de pústula política nas instituições brasileiras, ou seja, a fase número 428 da lava-jato não segura mais a audiência da TV por mais do que dois dias, porém isto é produto de algo que não é novo.

Por milênios no mundo inteiro e por séculos no Brasil os juízes sempre foram reconhecidos como agentes do Rei, o legislativo no momento que começou como instituição tomou a dianteira do executivo e deixou ao judiciário um papel secundário de mero assessor das oligarquias e do Estado. Este papel quando as instituições republicanas pareciam dar certo na democracia burguesa, a figura inexistente de um judiciário cego a quem julgava era enfiado goela abaixo do povo, e máximas como decisão da justiça não se discute eram levadas aos quatro ventos para reforçar o domínio das oligarquias através de um judiciário ao seu serviço.

No momento, toda a farsa jurídica que representa a lava-jato, que para recuperar alguns tostões dos empresários e gerentes corruptos, coloca fogo no circo e faz o país perder cem ou mais vezes de que ganhou com os justiçamentos público dos desafetos pessoais dos juízes.

Porém chamar de uma nova fase da visão de descrédito do povo sobre o sistema de punição do Estado, polícia e judiciário, é um discurso vazio, pois simplesmente o povo em geral nunca confiou nem na polícia ou no judiciário, pode até confiar num político fuleiro de um destes partidos de aluguel que leva uma política de clientelismo, mais jamais confiou ou confiará nos delegados, promotores e juízes.

O que ocorre nos dias de hoje é que parte da burguesia, que tem uma ideologia de esquerda, escancara em público a total falta de isenção do judiciário em geral, ou seja, o peso que era carregado pelos políticos começa a ser distribuído nas costas do judiciário. É mais ou menos a história do rei nu, todos sabiam e todos viam, porém teve que uma criança gritar o rei está nu, para que a nudez real ficasse evidente a todos.

A sociedade brasileira passa no momento algo que acontece raramente em sociedades ao longo do tempo, a demolição dos mitos, no caso o Estado brasileiro como um todo.

Podemos achar ruim, pois quem está no meio de uma tempestade jamais consegue pensar que após a mesma poderão ocorrer tempos muito melhores, isto é ruim para os que vivenciam esta fase devido a necessidade da reconstrução de um novo tecido institucional e um novo arranjo de poder, onde o velho está moribundo e o novo ainda não nasceu.

 

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7 comentários

  1. Boas falas Dmaestri…

    …Estava bem  confuso pela comoção causada por mais uma arbitrariedade entre tantas, a fábula do Rei Nú dá o sentido. A coisa foi tão baixa que os próprios perpetradores que contentavam-se em auto justificarem-se com diálogos e lógicas insanas de Direito inventado ficaram com vergonha – isso para aqueles que a tem, não é o caso dos roceiros iluminados da República de Siló.

  2. É por aí mesmo, o Estado foi

    É por aí mesmo, o Estado foi privatizado, a lava-jato é o judiciário sem máscaras. A ruína pode vir mais rápido pela luta entre as facções da classe dominante e entre os serviçais da classe dominante, porque o PIB será menor, o crime organizado será maior, a terceirização do Estado, nos serviços essenciais, segurança, saúde, educação,  não dará conta de evitar o caos. 

  3. Mais que clarto que o

    Mais que clarto que o judiciario é um poder arcaico…..

     

    que clama por modernização para ser util ao país e seu povo, o problema é quem irá se dispor a faze-lo…..

  4. Desnudado o mais podre, hipócrita e arrogante dos poderes

    Foram ingênuos ou insistentes/persistentes no auto-engano os que acreditaram nas “instituições” e que a reversão do golpismo/desmanche/entreguismo poderia se dar pelas vias institucionais ou jurídicas. Mal aconselhado, o Ex-Presidente Lula foi induzido ao mais grave (acredito fatal) erro da carreira política dele: o de se entregar aos seus algozes togados, acreditando que o acalhado e golpista STF colocaria em plenário as ADCs sobre a constitucionalidade do Art. 283 do CPP, derivado  (e concordante com) o inciso LVII do Art. 5º da Carta Magna. Burocratas, advogados e parlamentares petistas, que agem como quintas-colunas, mas fingindo-se “guerreiros” e defensores do Ex-Presidente Lula levaram o cordeiro a imolar-se, ou seja, a entregar-se à matilha que o deseja ver destruído, aniquilado e impedido de se candidatar (e se eleger) presidente da república para um 3º mandato.

    O único tento político obtido pela defesa do Ex-Presidente Lula, a partir dessa insistência/persistência nas vias jurídicas, é expor todas entranhas corruptas/corrompidas/corruptoras, pútridas e fétidas do sistema judiciário. Nem mesmo os véiculos da mídia canalha e golpista – com destaque para o jornal da família Marinho – conseguiu segurar a onda desses criminosos lavajateiros. Neste domingo, o trio Sérgio Moro, João Pedro Gebran Neto e Carlos Thompson Flores mergulhou/chafurdou de cabeça na pocilga e lama fétidas em que grande parte dos corpos dos integrantes do sistema judiciário (PF. MP e PJ) já estava metida, desde a deflagraçã da Fraude a Jato.

    Há mais de três anos tenho discordado daqueles que postulam ser muito “inteligente” “sutil” e “sofisticado” o golpe midiático-policial-judicial-parlamentar. Se há inteligência, sutileza e sofisticação na trama golpista, elas estão restritas ao alto comando internacional – cuja sede fica nos EEUU, mais especificamente no Deep State estadunidense, na finança internacional, no oligopóli[e]o petrolífero e nao setor bélico estadunidense. Os operadores do golpe no Brasil (PIG/PPV, sistema judiciário, oligarquias golpistas, plutocratas, escravocratas, cleptocratas, privatistas e entreguistas – seja na política, no empresariado, na finança ou no latifúndfio – , FFAA vira-latas e entreguistas, aparelho repressor do Estado em geral) são broncos, primários, violentos demais. Esses operadores têm a inteligência, sutileza e sofisticação de elefantes em lojas de louças. Notem os leitores que, apesar de dominarem TODO o aparato de Estado (inclusive o de violência e repressão), e o poder econômico, esses operadores locais do golpe não conseguiram se legitimar e impor uma narratia convincente. Os INCLAMEs, manifestoches, patos amarelos e lobotomizados que saíram às ruas entre 2013 e 2016 estão sem argumento, sem discurso, sem candidato, sem propostas; a casa grande que os manipulou e usou não consegui produzir um candidato viável. O capitão-do-mato, Joaquim Barbosa, a fadinha da floresta, João Dólar, Luciano Huck, o “maiis chato para pedir propina”, o “santo” das planilhas da Odebrecht, Bernardinho do vôley, Cinco Gomes, Flávio “Riachuelo” Rocha,  Paulo “pato amarelo” Skaf, Henrique “230 milhões da JBS” Meirelles, Aloysio “R$ 500 mil” Nunes, qualquer pupilo do cínico e condutor da ala política do golpe (FHC), o verme moral colocado no Planalto após o golpe de 2016 e qualquer um da quadrilha que o apóia e acompnaha, Cásssio “$$ voador” Lima… NENHUM da direita supostamente “civilizada”, “limpinha e cheirosa” se mostra viável eleitoralmente. O único com potencial e voto para ir ao 2º turno é o nazifascista e desqualidficado Jair Bolsonaro, que embora tenha jurado conversão ao ultraneoliberalismo vira-lata, privatista e entreguista, não tem a confiança da elite “punhos-de-renda”, pois inapto e desqualificado para sentar à mesa e manusear os talheres de prata nos salões da casa grande.

    Toda a hipocrisia, empáfia, suposta neutralidade, imparcialidade, institucionalidade, apoliticidade, pseudo-equilíbrio, respeito à Lei e au suposto Estado de Direito Democrático – até há algum tempo – ostentados pelo poder judiciário e pelos sistema judiciário em gerall, caíram por terra; essas máscaras e vestes foram rasgadas e o que se revela é o que há de mais podre, corrupto, repressivo, violento, preconceituoso, escravocrata e incivilizado nesse país em que a escravidão de índios e negros perdurou por mais de três séculos, mas que 130 anos após a abolição formal retorna à década de 80 do século XIX, sem pejos e pudores. A república brasileira foi parida por um golpe de Estado e o sistema judiciário sempre foi, e continua sendo, herdeiro e representante da casa grande, dos senhores de escravos, dos latifundiários, dos capitalistas, financistas e rentistas.

     

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