5 de junho de 2026

“O ovo da serpente”, pequenas correções para um livro seminal, por Luis Nassif

O capítulo sobre os militares é definitivo para comprovar o envolvimento visceral das Forças Armadas com Bolsonaro, pelo menos desde 2014.

Estou lendo o excelente livro de Consuelo Dieguez, “O ovo da serpente”, a mais abrangente reportagem sobre a ascensão do bolsonarismo.

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O capítulo sobre os militares é definitivo para comprovar o envolvimento visceral das Forças Armadas com Bolsonaro, pelo menos desde 2014. Apenas não contavam com o voluntarismo do candidato. Mas prepararam-se para um governo militar sim.

Há outros personagens centrais, sobre os quais escreverei futuramente.

Apenas duas correções, baseados na minha memória de fatos passados.

A primeira, o álibi de Carlos Andreazza de que, à frente da Editora Record, limitou-se a publicar obras de Olavo de Carvalho mas apenas do período em que ele era um instigante polemista, antes de se envolver na loucura da ultradireita.

Não é fato. Em parceria com a revista Veja, a Record foi peça essencial na disseminação da ultradireita. Foi a editora de “No País dos Petralhas”, de Reinaldo Azevedo, de “Lula, minha anta”, de Diego Mainardi, planejou os lançamentos de livros seguindo o ritual fascista. Só que, em vez de camisas pretas, os seguidores de Azevedo iam aos lançamentos com chapéus panamás.

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Em reportagem de 2016, em O Valor, contava-se:

Na entrevista em que foi formalizada sua contratação como editor de não ficção da Record, revelou a Sergio Machado (1948-2016) – então presidente do grupo – a intenção de explorar esse filão: escritores brasileiros de direita. “Ele era um liberal brigão e me disse: ‘Vai nessa’. Eu botei o bloco na rua”, conta Andreazza.

Vendeu 1 milhão de livros da da chamada “nova direita brasileira” entre 2012 e 2016, 20% da produção de não ficção da editora, até então com catálogo ocupado por uma maioria de autores estrangeiros mais identificados com o campo progressista.

A segunda correção é em relação ao Dossiê Cayman, cujo vazamento foi atribuído ao Pastor Fábio, que seria ligado ao PT. Acompanhei de perto a cobertura porque, colunista da Folha, questionava seguidamente o autor dos “furos”, o jornalista Fernando Rodrigues, que trabalhava em estreita colaboração com Paulo Maluf e o senador Gilberto Miranda.

Amigo de Maluf, mas sem condições de apoiá-lo publicamente, devido ao posicionamento editorial da Folha, Frias incumbiu Rodrigues de dar vazão aos vazamentos de jogadas políticas de Maluf e Miranda. Foi assim no Dossiê Cayman, na CPI dos Precatórios e na guerra da Ambev no CADE.

Aliás, a conselho de Márcio Thomaz Bastos, Lula guardou distância do dossiê. Nem sequer mencionou-o.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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5 Comentários
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  1. José de Almeida Bispo

    22 de agosto de 2022 11:08 am

    Eu sabia que eles iriam retornar, tão logo ficou claro aquela sandice com as instituições se esfarelando, a começar do STF se esfacelando, completamente “perdido de armas na mão”. Eu cantei essa pedra acho que aqui. Só não tinha noção do instrumento que usariam. Foi a cria de casa de desde o início dos 80. Rsrsrsrsrsrsrs Aposta para lá de arriscada.

  2. José de Almeida Bispo

    22 de agosto de 2022 11:11 am

    “Só que, em vez de camisas pretas, os seguidores de Azevedo iam aos lançamentos com chapéus panamás.” Mas… logo o que tanto gosto de usar? Até isso andaram sequestrando?

  3. marco

    22 de agosto de 2022 3:16 pm

    Márcio Thomaz Bastos o ocultador do cadáver do “Banestado ”
    Pagamos o preço até hoje.

  4. antonio cesar perin

    22 de agosto de 2022 9:55 pm

    ora…concordo comtudo , mas faltou ao PT ler MAQUIAVEL…..o pT LÊ DEMAIS Max, Paluo Freire..Temque ler Maquaivel e o Genral Chines

  5. antonio cesar perin

    22 de agosto de 2022 9:59 pm

    É um vício comum a todos os homens o não se importar com a tempestade no perdurar da bonança. (Maquiavel)..O PT achava que era eterno seu mandato

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