Onde deveria estar a diferença entre o jornalismo de esquerda e de direita?, por Rogério Maestri

Porém essa confusão começa a se expandir para terrenos muito mais pantanosos e verdadeiramente cruéis.

Onde deveria estar a diferença entre o jornalismo de esquerda e de direita?

por Rogério Maestri 

O mundo está muito confuso, a extrema-direita fazendo propaganda da liberdade de opinião e de divulgação de ideias e parte da esquerda querendo que essa liberdade seja suprimida pelo judiciário em nome de uma palavra que nem consegue ser definida corretamente, as “fake News”. Porém essa confusão começa a se expandir para terrenos muito mais pantanosos e verdadeiramente cruéis. 

No dia de ontem sem querer assistir, presenciei uma das emissões “jornalísticas” mais cruéis tipo “mondo cane” feita por um canal que muitos consideram ser um canal no mínimo “progressista” e no máximo de esquerda. Na tradição da esquerda há um determinado pudor em apresentar coisas que apesar de darem audiência e muitos “likes” e “mensagens pagas” poupam os que assistem esses programas de apresentar tragédias pessoais mesmo de pessoas de direita e muito menos de esquerda, ou seja, a ética jornalística não permite que a exploração da tristeza e do luto das pessoas sejam utilizados como mecanismos de ganho de dinheiro. Pois bem, com a confusão reinante em que vemos cada dia um presidente da república falar sobre assuntos pessoais dele mesmo, cultuar falas que incitam a violência e perder completamente a capacidade de discernimento até que ponto a liturgia do cargo permitiria, vi algo muito parecido com programas popularescos que foram iniciados na TV pelo “Homem do sapato branco” o jornalista Jacinto Figueira Jr., que começou sua trajetória de programas sensacionalistas desde a década de 60 onde ele inaugurou esse gênero. Ele começa na TV Cultura com em 1963 com os programas “Fato em Foco” e “Câmera Indiscreta”, onde vai aprofundando o gênero “mundo cão” para desenvolvê-lo mais profundamente o personagem em 1966 em “O Homem do Sapato Branco” na TV Globo para essa penetrar no público de baixa renda. 

Seguindo a trilha de Jacinto vem figuras de Márcia Goldschmidt, Ratinho, José Luiz Datena e mais dezenas de outros. O segredo dos programas é explorar a desgraça da população pobre e ignorante expondo suas desgraças e tristezas aumentando a empatia dos espectadores. Desde Jacinto alguns desses apresentadores aproveitam essa imprensa, que está abaixo da chamada “imprensa marrom”, pois as emoções da imprensa escrita que as emoções eram preenchidas pela imaginação dos leitores e por algumas fotos muitas vezes mal tiradas, levava o leitor aos seus piores instintos e finalmente aproveitar politicamente promovendo na imensa maioria dos casos sentimentos punitivistas grosseiros de extrema direita. 

Porém a grande novidade é que a “imprensa marrom” chegou a imprensa “progressista”, como essa é mais intelectualizada e não se propõe, até o momento, usar o povo com fins políticos a pautas de esquerda, se agiu de forma, mais pérfida e sorrateira, ou seja, usando o luto e o sofrimento da perda de sua companheira de um militante de esquerda de décadas como uma forma de aumentar seus “likes” e comentários pagos de seus assistentes. Ou seja, um velho e forte militante de esquerda, calejado por perseguições políticas de mais de meio século, foi aberto as câmaras durante meia hora para que ele falasse o que quisesse. Como esse valoroso camarada acostumado a lutar contra a repressão física e mental, resistiu o máximo que ele pode mesmo estando totalmente debilitado não somente pela morte de sua companheira, mas como pelo convalescimento de uma séria infecção pelo Covid. Sobrepondo discursos sólidos que é esperado de um militante de esquerda de longa data, lágrimas escorriam de seus olhos, que com força e valentia ele procurava detê-las. Ou seja, viu-se assim como um explorador da ignorância do povo pobre brasileiro, que é também um forte, sujeitou-se esse homem de grande estatura meia hora de desnudamento e de oscilações entre a emoção e a razão. Nada diferente que se vê num pobre e bem mais inculto brasileiro, a única diferença era que enquanto os sucessores mais legítimos de Jacinto Figueira Jr. rastejam na política pela direita, os algozes do nosso personagem rastejam pelo “progressismo”. 

Escrevi esse texto para ir contra esse tipo de jornalismo de exploração da miséria tanto na direita quanto na esquerda, pois os “personagens”, não estão representando, estão simplesmente expondo suas dores ao público em geral, para que espertalhões ganhem com isso. 

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

4 Comentários

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ze sergio/sorocabanoburaco

- 2021-11-16 11:23:25

Caro Professor, obrigado por seu extenso texto e explicação, dispensando seu tempo a este aluno. Mas recai novamente no Fatalismo e Vitimização que a Esquerda tanto alardeia. Se não fossem os outros... Somente por esta causa, a Perfeição não se estabelece, não é mesmo? Condenar esta Imprensa Marron, rotulando Espaços Midiáticos de baixa qualidade? Mas esta é a realidade brasileira destes 91 anos. Este é Assis Chateaubriand que dará lugar a Roberto Marinho nestes intermináveis "FAKE NEWS" entre Novelas, Farsas, "Boas Intenções Socialistas", propagadas em Doutrinação entre Novelas e Jornal Nacional. O melhor período do Brasil, segundo a Elite Intelectual de Federais e USP, enquanto 70% da População Brasileira vai se alojando em Cortiços e Favelas, num "Espetáculo de Sucesso" de um tal MEC de Paulo Freire, o Patrono, de mais de 80% de uma Nação Continental entre Analfabetos. Esta Nação é resultado de quem, então? A culpa é do Datena? A mentira, a farsa, o engodo, o golpe, o crime, a Imprensa Marron, o Fake News começou somente agora? A tal falta de liberdade ou intenções malignas a este respeito são obra deste atual Governo, enquanto são praticadas pela 'Gestapo' do STF? E o Higienismo, com as tais Vacinas e Carteirinhas, impedindo ao Trabalhador o acesso a um Emprego? Não é coisa de Fascista, caro Barroso? Entendi perfeitamente seu texto. Espero que entenda o meu, mesmo com muito menos competência. abs.

ROGERIO D. MAESTRI

- 2021-11-15 21:14:18

Caro Zé Sérgio. Existem dois tipos de confusões, as das pessoas que começam a ficar confusas, por diversas questões aleias a sua vontade, e aquelas daqueles que embarcam em qualquer canoa e tentam remando em sentido contrário mudar a direção dessa para chegar num destino em que os outros que remam não querem. Infelizmente parece que estás fazendo parte dos dois grupos ao mesmo tempo! O meu texto nada tem com o teu comentário, para satisfazer o primeiro tipo de confusão vou “desenhar” o objetivo do mesmo para que se houver outra pessoa com a mesma confusão, que é muito comum nos confusos dias de hoje, possam se situar melhor. O objetivo do texto é simples, é chamar a atenção que sensacionalismo barato, típico da chamada imprensa marrom do passado não deve ser assimilada por pessoas que se dizem “progressistas”, esquerdistas, socialistas e mesmo liberais sob o ponto de vista de tentarem preservar a liberdade de todos. A adoção de medidas coercitivas e a exploração do outro foram características de algumas tentativas de implantação de regimes de esquerda, como o da revolução russa, não por propostas iniciais de seus líderes pois logo no início ela era extremamente liberal não sob o ponto de vista econômico, mas cultuavam a liberdade não só do proletariado como das mulheres e quaisquer outras minorias. Como a revolução logo no início sofreu um ataque não só da contrarrevolução czarista mas também de quinze potências estrangeiras, França, Reino Unido, Japão, Estados Unidos, Polônia, Romênia, Australia, Canada, British Raj da Índia britânica, Checoslováquia, Finlândia, Reino da Grécia, Reino de Itália, Império Alemão e Império Otomano, ou seja, a maior intervenção estrangeira sobre um só país que se tem notícia da história, os bolcheviques por simples questão de sobrevivência tiveram que adotar posições de censura para impedir que países estrangeiros influenciassem em seu país. A esquerda tem por origem princípios de liberdade de expressão e opinião, entretanto mesmo em propostas libertária (não economicamente) e democrática, como a de Salvador Allende sempre a reação a qualquer mudança essa é violentamente reprimida por sujeitos antidemocráticos com violência interna e/ou externa. A importância do texto é em reafirmar a raiz dos movimentos de esquerda, que mesmo passando por tentativas contrarrevolucionárias violentas, no momento que essas sejam vencidas se retorne o mais rápido possível as raízes. A conclusão que devemos tirar disso, que o punitivismo e tentativas de se fugir dos ideais de uma sociedade sem classes em que a liberdade deve sempre ser perseguidas e linguagens oportunistas devem ser combatidas pela palavra.

marcio gaúcho

- 2021-11-15 16:01:24

Fora Datena!!! O maior biscateiro da desgraça do povo brasileiro. E vai ser candidato nas eleições do próximo ano, embalado pelos votos dessa explorada camada da população que ele expõe a cada dia na tela da TV Band, e vai se eleger! Pobre povo, pobre Brasil! Me ajuda aí, pô!

ze sergio/sorocabanoburaco

- 2021-11-15 14:45:46

"...O mundo está muito confuso, a extrema-direita fazendo propaganda da liberdade de opinião e de divulgação de ideias e parte da esquerda querendo que essa liberdade seja suprimida pelo judiciário em nome de uma palavra que nem consegue ser definida corretamente, as “fake News”. A palavra ou palavras podem ser definidas corretamente e facilmente: Fascismo, Ditatorial, Censura, Absolutismo, Polícia Política, Doutrinação,..."essa liberdade seja suprimida", define perfeitamente a esquerda e 'seu judiciário'. O Mundo não está confuso. Muito menos o Brasil e os Brasileiros. Estes estão na primeira parte deste parágrafo (Liberdade), junto ao Presidente da República mais democrático, libertário, representativo que foi produzido nestes 91 anos. O Presidente do Brasil que está libertando a Nação Brasileira da Cleptocracia imposta em 1930. Confusas, estão as Elites Esquerdopata Fascistas, que não conseguem "inventar" um discurso, um desfecho para estas 9 décadas de mediocridade. Mesmo que seja para fazer fumaça enquanto abandonam 'terra arrasada' rumo a um futuro capitalismo nababesco e bilionário que já é projetado por reuniões da Bandidolatria e da Cleptocracia, como esta última arquitetada por Gilmar Mendes em Portugal (no feriadão semanal da Proclamação. Ninguém é de ferro, não é mesmo??) ou outras agendadas em Harvard, a "Nova Universidade Federal" da Esquerdopatia Tupiniquim.

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