Os “heróis” da esquerda brasileira em 2025
por Francisco Fernandes Ladeira
Historicamente, para uma pessoa ou instituição serem referência para a esquerda política, era preciso, sobretudo, ter feito algo relevante para a classe trabalhadora, seja no plano teórico – como Marx –, ou na prática, a exemplo de Che Guevara.
Já no contexto atual, para a esquerda brasileira (ou, pelo menos, grande parte dela), basta uma característica: despertar a ira do bolsonarismo. Em ocasiões pontuais, também há o “chamamento” do Grupo Globo. Neste ano, como não poderia deixar de ser, tivemos alguns “heróis” da esquerda.
Como o campo progressista terceirizou sua atuação política para o Judiciário, Alexandre de Moraes, o “Xandão”, naturalmente é o primeiro nome da lista de paladinos. Não importa se ele tem ligações históricas com o PSDB, nem que o STF seja um dos aparelhos ideológicos da dominação burguesa. Importante é que Bolsonaro foi preso. Althusser ficaria surpreso com nossa esquerda.
No início do ano, o Oscar conquistado pelo filme “Ainda Estou Aqui” – que expõe a perseguição da ditadura militar a Marcelo Rubens Paiva – despertou a ira dos bolsonaristas. Não vem ao acaso o fato de ser uma produção da GloboPlay, nem de o diretor vir de uma família de banqueiros. Dizem que há milionários “do bem”. O importante é irritar os bolsonaristas.
Já na linha de “atender ao chamado da Globo”, em meados de 2025, a esquerda adotou o influencer Felipe Bressanim Pereira, o Felca, como novo “herói”. A bola da vez era a temática da “adultização”. Para o Grupo Globo, foi a brecha para impulsionar o discurso da “regulamentação das redes”, eufemismo para “censura da internet”. Pelos bons serviços prestados, Felca vai apresentar um quadro no Fantástico no ano que vem. Tudo isso é irrelevante. O importante é irritar os bolsonaristas.
Nos últimos dias, surgiu um novo “herói” improvável para a esquerda: as sandálias Havaianas. Tudo por causa de um comercial em que Fernanda Torres afirma que não vai “entrar no ano com o pé direito, mas com os dois pés”. Os bolsonaristas interpretaram a peça como uma “campanha contra a direita”. Isso foi o suficiente para o campo progressista, sem agenda própria, endeusar uma marca que, há poucos meses, estava aliada ao pior que a humanidade tem apresentado atualmente: o sionismo.
Como apontei, tudo isso é irrelevante. O importante é irritar os bolsonaristas.
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Francisco Fernandes Ladeira é pesquisador de pós-doutorado no IFMG – campus Ouro Preto
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Rui Ribeiro
24 de dezembro de 2025 11:56 am“Como judeu, abomino a militância antissemita de Roger Waters, da antiga e imortal banda inglesa Pink Floyd, mas não perco um show do sujeito quando posso ir”. – Ricardo Kertzman, em “Trata-se as havaianas como eu, um judeu, trato o Pink Floyd
Qual a militância antissemita do Roger Water? Não concordar com o massacre dos Palestinos por U$rael configura antisemitismo?