Pipoqueiros e sorveteiros de todos os países…
por Felipe Bueno
…uni-vos, pois é chegada a hora de o Brasil oferecer ao mundo não apenas o milho a partir do qual se faz a pipoca, nem somente os sorvetes consumidos por turistas e locais derretidos pelo nosso calor. É tempo de entregar ao mundo um novo modelo de nossa pauta de exportações de soft power, talvez até um pouco hard, mas é o que temos para o momento: o assédio à verdade.
“Popcorn and ice cream sellers sentenced for coup in Brasil”, proclamou o ex-presidente diante de dois quarteirões de pessoas na Avenida Paulista. Pensando no próprio futuro, ele misturava seus devaneios – e necessidades – aos de alegados verdadeiros representantes do povo, pessoas cujos destinos se uniram desde o dia em que o ex-deputado se metamorfoseou de ninguém a líder de um país trágico.
Forjados nos gabinetes do poder e nos subterrâneos da sociedade, políticos assim, – a História tem nos contado faz muito tempo – não são nada sem o respaldo de massas que por várias razões enxergam no bezerro de ouro da ocasião a chance de varrer para baixo do tapete as próprias fraquezas e mediocridades – e se houver quem pense diferente, a ponta da praia estará sempre disponível.
O comportamento escancarado da extrema direita não é exclusividade do Brasil; podemos dizer inclusive que nosso país nem é pioneiro no setor. Porém, numa demonstração de rápida “evolução”, em pouco tempo deixamos de ser importadores e passamos a trocar ideias com o mundo fascista de igual para igual, fornecendo estrategistas, financiadores e apoiadores de um futuro pior em nome de uma nação reacionária e uma divindade ressentida.
A fabricação de mentiras transformadas em verdades enfraquece a democracia de baixo para cima. De dentro para fora. Pois alimenta de ódio cada simples pessoa que tem a mais poderosa arma para destruir um país: o direito de votar.
A anistia defendida no último 6 de abril não é para vendedores de sorvete e pipoca. É para uma visão de mundo e para aqueles e aquelas que tentaram perpetrá-la e tentarão novamente.
Falando em soft power, pipoca e sorvete, sugiro a você, caso sobre-lhe tempo, que assista a Popcorn und Himbeereis, obra trash do cinema alemão de 1978. Bem menos pornográfico que usar camisa falsificada da CBF num domingo de garoa na Avenida Paulista.
Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.
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Carlos
8 de abril de 2025 7:33 pmO ministro Alexandre Moraes definiu bem. Disse o ministro:
“Se Goebbels acessasse o X os nazistas estariam até hoje dominando o mundo.”
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
9 de abril de 2025 7:55 amO coiso se descobriu falando uma lingua nova. Os estudiosos ainda não conseguiu identificá-la, mas ao que parece é uma colcha de retalhos linguístico e parece que é falada pelos analfabetos do idioma inglês que vivem em diversos países da terra plana. A papuda será de grande valia para o aperfeiçoamento da nova lingua.
Rui Ribeiro
14 de abril de 2025 12:59 pm“O lumpenproletariado, esta putrefação passiva das camadas mais baixas da velha sociedade, é aqui e além atirado para o movimento por uma revolução proletária, e por toda a sua situação de vida estará mais disposto a deixar-se comprar para maquinações reacionárias”. – Marx e Engels, Manifesto Comunista