Quando vi o Hammas explodir um tanque de Israel… Meu Deus!, por Armando Coelho

Israel ultrapassou a defesa quando a trilionésima bomba assassinou o humanismo. Israel não está mais protegendo seu povo, está cometendo crime

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Quando vi o Hammas explodir um tanque de Israel… Meu Deus!

por Armando Coelho Neto

Juro que vibrei com a cena. Chocante, não? Preciso passar o resto da vida pedindo perdão, mas foi como ver um homem tomando um coice, depois de tripudiar de um cavalo, ou como sentir-se aliviado com um pitibull sendo morto depois de atacar uma criança. Como o alívio de ver um atirador de elite livrando da morte um inocente. E eu não quero que os Freuds e as filosofias expliquem, eu quero é me livrar disso.

Doeu profundamente dentro de mim, e agora não posso mais criticar o velho Luiz, dono de uma editora na Santa Cecília, o qual batia palmas quando via a cena das Torres Gêmeas no 11 de Setembro. Qual teria sido mesmo o sentimento? “Vencido, como se soubesse a verdade… lúcido, como se estivesse para morrer, e não tivesse mais irmandade com as coisas”, como Fernando Pessoa, in Tabacaria.

O ataque do Hammas a Israel impressionou tanto quanto o preciosismo linguístico do debate: terror ou não terror? Parecia o debate sobre democracia de conveniências e narrativas. Como se o nome da coisa fosse pior que a coisa em si. Eis, pois, a banalização do mal, de que tanto falam estudiosos. A banalização tal qual vista no desgoverno passado contra pobres, índios, durante a pandemia.

À sorrelfa, Israel exerce seu direito de vingança, travestido de direito de defesa. “Irael”, sim, não Israel, tem apoio da TV Globo et caterva, da legião de sádicos que trata como “ketchup” o sangue de crianças decepadas. As chamadas da guerra têm o mesmo glamour da Ana Maria Braga ensinando a fritar ovo, enquanto um fascista fazia apologia a Brilhante Ustra, pedindo o impeachment de Dilma Rousseff.

E assim, um integrante do Hammas supostamente escondido numa creche, hospital ou campo de refugiados confere direito automático ao extermínio de qualquer um. Se houve holocausto, Israel tem o direito de fazer o seu, é isso? Falem de genocídio, matança, assassinato em massa, massacre pois a redundância é necessária; Quem mostra escombro não vê o que está embaixo – morto ou agonizante.

Os escombros, os corpos dilacerados, crianças em pânico, pais desesperados e clamores pela paz ignorados. De repente um tanque de Israel é atingido. Ufa! “Alívio”? O que aconteceu com o humanismo? Dentro do tanque havia um israelense que explodiu junto com a máquina, deixou órfãos! E o menino de mim chora e muda de lado ao pensar que o sangue de ambos os lados tem a mesma cor, ora pois!

Eis o mundo civilizado – da falida ONU que nem o Brasil obedeceu, ao barrar a candidatura de Lula. A ONU que o Brasil quer que pare a guerra é a mesma que ele próprio não obedeceu. Faliu ONU, faliu a Europa maravilha que paga o preço da guerra da Otan contra a Rússia com o mesmo cinismo… O mundo teria quase 30 conflitos, um terço dos quais, guerras. Chorar? Só pelas vítimas que a Globo quer…

Na assimetria das armas e das guerras, terrorismo é a arma do mais fraco. Mas terrorismo não é cogumelo e não nasce do mofo. Vem da incubadora de injustiças sociais, racismo, intolerância, da prepotência dos Senhores da Guerra, e sabe-se mais o quê. A opção pela guerra passa pela inversão de prioridades. Afinal, o dinheiro gasto em guerras acabaria com a fome no mundo.

O terror de Estado não é menos terror por vir dos que resistem. Num conflito de décadas, como separar ataque de defesa? Preciosismos linguísticos à parte, se o terror está sendo combatido com terror, o terror foi contra-ataque ao terror? Não dá para dizer quem nasceu primeiro se o ovo ou galinha. Quem controla a guerra quer controlar mentes… O mundo quer Israel e Palestina em paz. É o que vale!

Nesse espaço, já invoquei a judia Clarice Lispector, no conto Mineirinho. Trata de um criminoso assassinado com treze tiros. Perplexa com o justiçamento, ela sentiu o primeiro e o segundo tiro com um alívio… o terceiro a deixa alerta, o quarto desassossegada, o quinto e o sexto a cobrem de vergonha… no nono e no décimo sua boca treme… “O décimo terceiro tiro me assassina”.

Israel ultrapassou a defesa quando a trilionésima bomba assassinou o humanismo. Israel não está mais protegendo seu povo, “está cometendo o seu crime particular, exercendo sua própria maldade”, como os assassinos do Mireirinho de Clarice no 13º tiro. Está transformando órfãos de hoje em novos militantes um novo Hammas, não importa com que nome. O que um palestino órfão tem a perder?

Que quadro pintaria Picasso ou que poema escreveria Lorca sobre Gaza? Não! Repudio a imagem do tanque de Israel explodindo, e não pode ser a linguagem que Israel entenda. Impossível crer que só uma megabomba possa parar Israel. Recuso-me a crer no que senti, sobretudo por que há judeus órfãos e outros gritando: “Não em nosso nome! ” A dor de uma mãe palestina não é menor que a de uma israelense.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

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Armando Coelho Neto

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  1. O movimento sionista começou a praticar o direito de resposta, antes mesmo da existência do atual estado de Israel. Explico. O movimento sionista começou oficialmaente a partir do seu primeiro congresso em 1897. A princípio objetivava criar uma pátria para chamar de sua, tendo em vista que os religiosos judeus, sofriam perseguições em praticamente todos os paises da europa. No congresso sionista de 1903, ficou definido que o lugar ideal seria a palestina, pois havia uma crença generalisada na Europa que eles eram de origem palestina, além do mais, os cristãos europeus acreditavam no mito da terra prometida. Para os sionistas, o fato que a Palestina tinha uma população cuja maioria pertencia ao credo Islamita, Para eles, isso não tinha a menor importancia, pois a própia Bíblia narrava que o antigo Israel fora conquistado a ferro e a fogo, expulsando ou aniquilando os povos que habitavam o lugar como os filisteus, Heveus, amorreus, jebuseus fereseus, amonitas etc. Curiosamente, uma passagem bíblica define bem o que foi a conquista da terra prometida.(Josué: Cap. 24 vers.13 e 14) “EU VOS DEI UMA TERRA, QUE NÃO LAVRASTES; E UMAS CIDADES QUE NÃO EDIFICASTES PARA HABITARDES NELAS: VINHAS E OLIVAIS, QUE NÃO PLANTASTES. AGORA POIS TEMEI AO sENHOR, E SERVI-O COM UM CORAÇÃO PERFEITO E MUI SINCERO: E TIRAI OS DEUSES, QUE VOSSOS PAIS SERVIRAM NA MESOPOTÂMIA E NO EGITO E SERVI AO SENHOR”. Voltando ao direito de resposta, às perseguições sofridas pelos religiosos judeus europeus, os sionistas se vingavam, tomando as terras dos palestinos matando-os ou expulsando-os de sus casas.Para os europeus ficou de bom tamanho, ou seja: Na medida que so judeus migravam para a Palestina, eles iam ficando livres dos indeséjaveis judeus e ainda poderiam usá-los como ponta de lança dos europeus no oriente médio.

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