Só a Educação de nossas futuras elites nos salvará do eterno fracasso, do eterno Hospício!
por Eduardo Ramos
Um dos pensamentos que escrevi um dia e se tornou recorrente quando reflito sobre o Brasil se parecer tanto com um Hospício cruel, perverso e desumano, torturando nas formas mais degradantes seus pobres e miseráveis – SEM QUE HAJA REAÇÃO ALGUMA DE NOSSAS ELITES, AO CONTRÁRIO, LUTAM DE FORMA ABJETA PARA QUE PROSSIGA ETERNAMENTE ESSE ESTADO DE COISAS – é o seguinte:
“Se consultarmos a História de povos e civilizações nos últimos dez mil anos, em qualquer canto da Terra, o rosto, a face de determinado país em qualquer espaço/tempo que escolhermos não terá sido construída pelas camadas sociais mais pobres e sem representatividade política, antes, ao contrário, terá sido formada pela ação de suas elites e classes médias, aqueles que têm, via de regra, voz e força política para esse objetivo”.
Lembro até hoje quando construí essa frase, esse pensamento, retirando-o de mim como fazemos todos quando refletimos muito sobre algo que nos incomoda: vamos remoendo os signos dentro de nós, os símbolos ideológicos e conceituais que fomos adquirindo de estudos acadêmicos, leituras de livros, jornais, revistas, e, nas últimas décadas, claro, do que absorvemos nas várias fontes das redes sociais. Desse amontoado de signos, quando nos debruçamos sobre um tema, MESMO QUE SEJA ALGO QUE NÃO TENHAMOS GRANDE CONHECIMENTO ACADÊMICO, a simples e honesta busca à verdade sempre traz “coisa nova”, sínteses que são “nossas”, e sempre construídas em nós a “milhares de mãos” – os pedacinhos de conhecimento que nos passaram todas as fontes em que os colhemos.
A questão em que eu pensava nesse dia era e é complexa, de infinita importância para cada um de nós, brasileiros, e particularmente lamento profundamente o fato de acreditar que poucas pessoas se debrucem sobre essa pergunta com a profundidade/seriedade que ela merece:
“Porque o Brasil tem essa face horrenda, cíclica, que parece “inevitável”, rouba nossos sonhos, nossa esperança, essa face de injustiça, falta de democracia, genocídios permanentes contra favelados, índios, etc., destruição de seus biomas, desmatamento ilegal sem punição alguma, Congressos nacionais recheados de bandidos, impunidade absoluta para determinadas castas e a degradação humilhante e sofrida dos nossos pobres e miseráveis? POR QUÊ????”
A resposta veio na forma do pensamento que expus sobre “quem construiu a face de suas respectivas nações em determinado tempo e espaço” – suas elites e classes médias, nunca, ou quase nunca, os segmentos que chamamos “o povo”, ou mais especificamente, “o povão”, como caracterizamos pejorativamente os segmentos sociais mais simples, inferiores economicamente falando e, não raro, sem acesso algum à cultura e Educação formais.
O paradoxo trágico – e ironicamente engraçado – dessa questão, é que são esses brasileiros, os “estudados”, “cultos”, viajados, com renda superior a dez, vinte salários mínimos até os que faturam milhões por ano, que mais utilizam a frase tão comum que nem percebem, inacreditavelmente, lhes volta ao rosto atirada por seus próprios reflexos nos espelhos: “país de merda! hei de sair daqui algum dia!”
E haja culpa aos governos, “ao povo ignorante”, às favelas, ao “Nordeste que não sabe votar” (sic…), haja preconceitos doentios, burrice, estupidez em suas “análises sócio-políticas”.
Em 63 anos de vida, não lembro, realmente não lembro, uma única vez, ouvir depois do famoso “país de merda!”, uma autocriticazinha sequer, um “vestir a carapuça”, um assumir que o país, longe de ser “formado e construído por seus governos”, é A SOMA DOS ESFORÇOS, REFLEXÕES, FALAS, AÇÕES E OMISSÕES DOS SEGMENTOS QUE TÊM FORÇA E VOZ POLÍTICAS NECESSÁRIAS À SUA CONSTRUÇÃO! Portanto, com a participação ou omissões de cada um desses que qualifica como uma latrina o nosso país.
Que grandes publicitários, juristas, empresários, tenham apoiado Bolsonaro com entusiasmo, que tenham feito jantares em sua homenagem, o tenham defendido em todo o seu mandato, alguns certamente por interesse mesquinho e canalha, porque cientes de quem ela era e é, outros por absoluta falta dessa Educação maior, que forma um pensador, um ser humano capaz de ter cognição com a realidade em vez de se tornar um fanático-imbecil cego para tudo, tanto um quanto o outro frutos dessa mesma árvore apodrecida; essa falta de Educação que falo acima.
Mesmo no período imediatamente anterior ao evento diabólico do governo do ser bestial, o auge do lavajatismo, essa ignorância, esse fanatismo de deixar as pedras envergonhadas, já dominava o país!
Lembro de conversas com amigos e familiares, médicos, servidores públicos qualificados, gente que viajou o mundo, renda superior a vinte mil reais mensais, doutorados, etc., nove em cada dez defendiam Moro, Dallagnol, a operação em si, com um fervor digno dos fanáticos religiosos. Defendiam o impeachment e a prisão de Lula, “a anta e o ladrão!”. Não deixou de ser engraçado ver os menos enfermos deles perceberem toda a síntese do mal em Bolsonaro e, mesmo “tapando o nariz com um pouco de nojo”, como ouvi de muitos deles, apoiarem “o ladrão” (sic…) como única esperança de salvação para esse nosso tempo presente. Não se permitiram porém, uma reflexão sequer sobre Bolsonaro ser fruto direto da Lava Jato, não se sentem culpados em absoluto, não percebem que sua ignorância, fanatismo, cegueira, os fez apoiarem A ÁRVORE RAIZ DE TODO O MAL QUE NOS SUCEDEU: A LAVA JATO E A CONSEQUENTE DESTRUIÇÃO DE NOSSA DEMOCRACIA E DA DIGNIDADE DE NOSSAS INSTITUIÇÕES.
É como se Bolsonaro tivesse chegado ao poder “por um acidente”, muitos deles, na verdade, culpam Lula e o PT até hoje: “Também, se Lula tivesse sido humilde e apoiado Ciro Gomes…”
É de sentar no meio fio e chorar três dias sem parar, tamanha a cegueira, tamanha a falta de cognição com a mais comezinha das realidades sócio-políticas do próprio país.
O homem aviltado, massacrado, preso, impossibilitado de concorrer segue sendo em seu imaginário o culpado pelas mazelas que sofremos com o genocida.
Paro por aqui. Lembremos nesse último parágrafo quem criou Moro, Lava Jato, impeachment, prisão de Lula e colocou e exaltou Bolsonaro no poder: militares? sim!, parte do Judiciário e MP? sim! grandes empresários? sim!, a nata dos funcionários públicos? sim!, grande mídia? sim!, e médicos, engenheiros, advogados, agronegócio, enfim, nossas elites e classes médias, até que foi tanto o horror, tanto, que, graças a Deus, parte deles desembarcou da loucura absoluta, graças a Deus “taparam seus narizes” e apoiaram Lula e a frente democrática.
Só investimentos de porte imenso em Educação de qualidade e profundidade, onde matérias como História, Sociologia, Política, Antropologia, Comunicação e manipulação das nações, Filosofia e outras desse quilate, desde o nosso segundo grau até todas as nossas Universidades, tornadas OBRIGATÓRIAS através de reformas gradativas que nos tragam a esse patamar, poderão, um dia, transformar as mentes, os signos, os símbolos cognitivos de nossas classes médias e nossas elites.
Só a Educação nos salvará do eterno fracasso, do eterno Hospício!
(eduardo ramos)
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