26 de junho de 2026

Só Jesus na causa, por Fernando Castilho

A unidade de pensamento dos judeus em todo o mundo vem se rompendo aqui e ali, mas ainda é muito forte.

Só Jesus na causa, por Fernando Castilho

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Vou publicar este texto, mas não vou compartilhá-lo nas redes sociais, pois tenho um amigo judeu muito sensível e não quero fazer-lhe mal.

Não quero também que seja mal interpretado. Defendo veementemente que todos os povos tenham direito à sua cultura, ao exercício de sua religião, à sua soberania e ao seu território.

Ao longo da vida convivi com alguns judeus e pude refletir sobre seus pensamentos e como encaravam a causa israelense.

Um deles, conheci ainda na década de 70. Eu havia sido convidado para uma festa numa república de estudantes. Um dos rapazes, judeu, estudante da USP, contou eufórico que havia passado uma temporada num kibutz e assentiu às indagações dos demais presentes em relatar sua experiência, segundo ele, muito boa e enriquecedora.

A cerveja rolava farta e, à certa altura fiz a pergunta que talvez não devesse ter feito: “em caso hipotético de uma guerra entre Brasil e Israel, de que lado você ficaria?

Observei os olhares meio constrangidos, mas também ansiosos pela resposta.

O rapaz afirmou com toda a segurança que lutaria por Israel.

Fui mais fundo. Talvez não devesse. “Você mataria seus amigos brasileiros?”

Não houve hesitação. “Claro que sim”, disse ele.

Duas décadas mais tarde, fui com minha esposa a um jantar na casa de uma amiga sua, judia.

Conversa vai, conversa vem, lá pelas tantas ela disse que estava inscrita num programa de assentamento de judeus na Palestina.

Eu sabia que Israel estava expulsando palestinos violentamente de suas casas para derrubá-las e construir nos terrenos novas moradias para assentar judeus. Só não sabia que havia um programa para assentar judeus de várias partes do mundo.

Cabe aqui lembrar que a cicerone vivia em uma casa muito grande de classe média alta.

Daí, mais uma vez, fiz a pergunta talvez indevida pelo momento, mas necessária: “você acha certo que tratores derrubem casas de palestinos, mesmo com famílias dentro, para que judeus que possuem moradias sejam contemplados nesse programa?

Mais uma vez a resposta não foi hesitante: “claro que sim!”.

Fui mais fundo e perguntei: “por quê?”

“Ora, nós somos o povo escolhido por Deus! Na Bíblia Deus falou que os descendentes de Abrahão são seu povo preferido.”

Discordei e, por isso, o jantar azedou.

Por que relato esses dois casos?

Há uma espécie de lavagem cerebral em parte dos judeus. Em Israel nem tanto, já que há muitos judeus que fazem oposição à política de Netanyahu e são contrários às ocupações de terras palestinas. Porém, para um povo que segue a Torá como lei, como contestar aquilo que Deus falou?

A unidade de pensamento dos judeus em todo o mundo vem se rompendo aqui e ali, mas ainda é muito forte. É um movimento contrário à diáspora que faz com que todo judeu se orgulhe de sua religião, de sua origem e de seu destino, qual seja, o de povo que, quando do apocalipse, será o primeiro a subir aos céus e ficar ao lado de Deus. Todo o resto é inferior.

Obviamente, toda generalização é perigosa, mas esse pensamento religioso enraizado na cultura judia é ainda muito forte, mesmo em pleno século XXI, com toda a Ciência e tecnologia de que dispomos.

É também muito perigoso dizer que nesse aspecto Israel se aproxima do pensamento que fez com que a Alemanha exterminasse seis milhões de judeus. Críticas aparecerão, com certeza, mas é preciso lembrar que o líder dessa ideologia pregava justamente a superioridade ariana aos demais povos que, pela sua inferioridade, deveriam ser dizimados.

Trata-se do mesmo pensamento que fez com que a África do Sul praticasse o apartheid durante décadas. É o mesmo pensamento que pratica o apartheid na Palestina.

Esse pensamento precisa ser repudiado pela comunidade internacional, mas podemos apostar sem medo de perder que isso não acontecerá por causa da defesa canina que os Estados Unidos fazem de Israel, seja pelos negócios que os judeus têm por lá, seja pela presença armamentista forte no Oriente Médio, interessante aos americanos, seja pelos evangélicos que abraçam a causa israelense, já que eles mesmos acham vantajoso se aliar aos não cristãos porque sonham com o paraíso, mandando Cristo às favas.

Esse capítulo de um conflito que se arrasta por décadas e que agora assusta o mundo, em breve arrefecerá, como já aconteceu inúmeras vezes, e os dois povos voltarão à mesma rotina de exterminador e exterminado até que não reste no futuro mais nenhum palestino vivo porque sabemos que um dos lados é incomensuravelmente mais forte que o outro. Aliás, Netanyahu já apresentou à ONU um mapa de Israel em que não aparece mais a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

O futuro poderá revelar uma expansão maior dos territórios israelenses em direção a Síria e ao Líbano.

Só Jesus na causa, afinal, quem mais poderia detê-los?

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

Fernando Castilho

Fernando Castilho é arquiteto, professor e escritor. Autor de Depois que Descemos das Árvores, Um Humano Num Pálido Ponto Azul e Dilma, a Sangria Estancada.

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5 Comentários
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  1. Cesar Rocha

    10 de outubro de 2023 3:39 pm

    Pegando carona na saúdavel PROVOCAÇÃO (do Latim PROVOCATIO – concernente a PROVOCARE: “desafiar, chamar a si”; formada por PRO-: “à frente” e mais VOCARE:“chamar”. Em síntese: chamar para o debate) do TEXTO cujo título é bem sugestivo, lembrei de DUAS “passagens” dos Evangelhos (derivando da palavra grega ευαγγέλιον, 𝘦𝘶𝘢𝘯𝘨𝘦𝘭𝘪𝘰𝘯 (eu, bom, – angelion, mensagem); literalmente traduzido para o Português – (Boa Notícia ou Boa Nova):
    1) “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam; mas a todos aqueles que o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (Texto narrado pelo evangelista São João – cap. 1; vers. 11-13);
    2) “Assim, pois, os últimos serão os primeiros e os primeiros serão os últimos. [Muitos serão os chamados, mas poucos os escolhidos.]” (Texto narrado pelo evangelista São Mateus – cap. 20 – vers. 16).
    O sujeito, digo o tal Jesus – morador da Galileia… para os judeus piedosos: mais um profeta, tardio; para os cristãos o messias esperado. Mas a história é longa e cheira de controvérsias (e guerras, também). O que se sabe desde então, que não cabe mais exclusivismo (monopólio)tal como reivindicado por sionistas (na realidade a maioria desses caras foram e/ou são ateus – cujo patrono foi o partido do Saduceus, contemporâneos de Jesus).
    E cito ainda mais, a bela exegese de São Paulo: “Porque, dian­te de Deus, não há distinção de pessoas.” (Epistola ao Romanos – cap. 2 – vers11).
    Com efeito, o Jesus da causa citado no texto, diante da questão em conflito, certamente estaria com seus conterrâneos palestinos e repudiaria o Israel sionista.
    Por fim, me cabe lembrar um insight da ética católica: “a paz é fruto da justiça”.
    Ao fim e ao cabo: paz e bem. Disse o pacifista São Francisco de Assis.

  2. Fernando Castilho

    10 de outubro de 2023 6:39 pm

    Excelente comentário! Muito obrigado.

  3. josé Oliveira de Araújo

    11 de outubro de 2023 8:10 am

    Pelo o que está escrito na bíblia, a promessa de Deus para Abrahão era de uma terra prometida para sua posteridade. Sendo assim, os verdadeiros possuidores da terra prometida, são os descendentes do primogénito de Abrahão, ou seja:Ismael. Sendo Isac seu segundo filho. Portanto, se os árabes são descendentes de Ismael, são eles os donos da terra prometida. Estendendo o assunto sobre descendência na bíblia, é curioso notar que pelo costumes judaicos, somente as mulheres judias parem filhos judeus de nsacimento. Se as doze tribos de Israel descendem dos 12 filhos de Jacó, com quais mulheres judias os filhos de jacó geraram seus filhos? Aliás a única filha de Jáco, chamada Dinah, que poderia gerar uma estirpe judia, sumiu do relato bíblico sem nenhuma menção a algum filho que poderia dar origem verdadeiramente a um povo judeu. O relato bíblico nos leva a conclusão, que do ponto de vista étnico, nunca existiu um povo judeu.

    1. Fernando Castilho

      11 de outubro de 2023 10:29 am

      Excelente! Desconhecia isso. Obrigado.

  4. Antonio Uchoa Neto

    16 de outubro de 2023 11:30 am

    Romanos 2,11, amigo, é o próprio atestado da falácia judaico-cristã: Se não há distinção de pessoas (ou, como se diz comumente, ‘Deus não faz acepção de pessoas’) por que haveria Deus de escolher um povo, e não a humanidade inteira? Se a religião que se professa não é honesta consigo mesma, a ponto de se apresentar como uma coisa, sendo outra, que espécie de iluminação ou justiça esperar de semelhante falácia? Só não digo que haverá paz – ou, pelo menos, mais paz – quando não houver religião, porque o sexto dia já aconteceu, e é irrevogável. Até o quinto dia, eu tiro o chapéu para Deus; Ele criou um mundo realmente extraordinário. Pena que tenha cagado tudo no sexto dia.

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