5 de novembro de 2026

Sucesso e fracasso durante uma nova Idade Média, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Eles ocupam todos os espaços privilegiados de comunicação e dizem que são modernos. Mas na verdade eles repetem o padrão medieval de separação entre eles e o povo. 
(Foto:Provérbios Neerlandeses, pintura de Pieter Bruegel, o Velho – Museus Estatais de Berlim)

Sucesso e fracasso durante uma nova Idade Média

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Quando Willian o conquistador invadiu a Inglaterra ele instaurou lá o padrão medieval continental:  a classe governante passou a viver isolada em castelos de pedra fortificados e se movimentava entre os castelos acompanhada de tropas armadas, sempre sem manter contato com o povo comum.
Essa é a imagem que me vem a cabeça quando vejo os milionários norte-americanos, europeus e brasileiros se movimentando entre suas mansões e imensas torres de vidro em helicópteros e carros blindados, acompanhados de seguranças, sempre sem manter qualquer contato com o povo comum.
Eles ocupam todos os espaços privilegiados de comunicação e dizem que são modernos. Mas na verdade eles repetem o padrão medieval de separação entre eles e o povo.
A separação social produz tanto a indiferença quanto a perversidade. O medo daquele que é desigual e a certeza de segurança e impunidade entre aqueles considerados iguais que são construídas pelo costume (e pela educação) supera qualquer empatia natural.
O resultado é uma evidente tragédia, caracterizada pela desigualdade social e pelo empobrecimento programado de contingentes populacionais considerados descartáveis. O fracasso da civilização ocidental se torna ainda maior agora que o mundo enfrenta um vírus extremamente contagioso e letal que não respeita qualquer tipo de hierarquia artificial.
Não é por acaso que a China está se saindo melhor no combate à pandemia. O governo chinês não se coloca no topo da hierarquia. Ele colocou no topo dela o bem estar de todas as pessoas considerando-as iguais, algo que não está sendo feito (que não pode ser feito) na Europa, nos EUA e no Brasil, pois nós vivemos em civilizações medievais com uma fina camada de modernidade tecnológica.
Há humildade e verdade nas palavras desta chinesa https://www.facebook.com/100000415136357/posts/3911855058838293/. Alguém ficará surpreso se ela for coberta de ofensas pelos bolsonaristas que culpam a China pela pandemia e que se recusam a cumprir as regras sanitárias indispensáveis ao combate do COVID-19?

Fábio de Oliveira Ribeiro

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

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  1. Nêmesis

    3 de janeiro de 2021 10:35 am

    No fundo, para a elite mundial, o povo (nós) somos um mero rebanho para ser tosquiado e abatido. Mais ou menos, como porcxs em um chiqueiro.

    Deste modo, acabam agindo como a Dona Florinda e o Kiko (“Não se misturam com a ‘gentalha’ (sic).”).

    Aliás, ontem apareceu um exemplo das consequências dessa separação.

    https://jornalggn.com.br/artigos/as-pessoas-comecaram-a-quebrar-as-regras-da-covid-quando-viram-aqueles-com-privilegios-ignora-las-por-daisy-fancourt/

    Curioso que, para os donos do poder, é conveniente manter um Fantoche no meio do povão, e agindo como se deste meio fosse. Embora com propósitos sinistros, trata-se de um simbolismo inteligente. Não falta quem acredite que “aquelle que está lá é um dos nossos”, enquanto quem realmente manda vai passando suas agendas.

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