Um inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu, nesta quarta-feira (12), que tanto Israel quanto o Hamas cometeram crimes de guerra em Gaza. No entanto, a ofensiva militar israelense desproporcional também constituiu em crimes contra a humanidade. Essa é a primeira investigação aprofundada sobre o conflito por um órgão da ONU.
As conclusões foram tiradas de dois relatórios paralelos da Comissão de Inquérito da ONU, presidida pela ex-chefe de direitos humanos da organização, Navi Pillay.
O primeiro relatório se debruçou sobre os crimes cometidos pelo Hamas e outros seis grupos palestinos armados no ataque de 7 de outubro de 2023, no qual 1200 pessoas foram mortas e cerca de 250 sequestradas em Israel.
A partir disso, a comissão considerou que os grupos militares cometeram assassinatos, tortura, violência sexual e sequestros sistemáticos. “Muitos raptos foram realizados com violência física, mental e sexual significativa e tratamentos degradantes e humilhantes, incluindo, em alguns casos, a exibição dos sequestrados”, afirma o relatório. “Mulheres e corpos de mulheres foram usados como troféus de vitória por perpetradores do sexo masculino.”
Já o segundo relatório focou na resposta de Israel contra o Hamas, que – em oito meses – causou a morte de mais 37 mil palestinos, deslocou boa parte das 2,3 milhões de pessoas que formam a população de Gaza, que foram dizimadas pela fome e viram o território completamente destruído.
Para a comissão as autoridades israelenses são “responsáveis pelos crimes de guerra, de fome como método de guerra, homicídio ou homicídio doloso, ataques dirigidos intencionalmente contra civis e bens civis, transferência forçada, violência sexual, tortura e tratamento desumano ou cruel, detenção arbitrária e ultrajes”.
Israel, que não cooperou com a comissão, afirmou que as conclusões do inquérito “provou mais uma vez que as suas ações estão todas ao serviço de uma agenda política estreitamente dirigida contra Israel”. O Hamas ainda não comentou o caso.
Vale ressaltar, que o relatório foi publicado enquanto Israel e o Hamas negociam um plano de cessar-fogo em Gaza, mediado pelos Estados Unidos, Egito e Catar.
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