23 de junho de 2026

Novo líder do Irã ameaça bases dos EUA e mantém bloqueio do Estreito de Ormuz

Em primeiro discurso, Mojtaba Khamenei exige fechamento de bases americanas e promete vingança após morte do pai em ataque de EUA e Israel
Mojtaba Khamenei, segundo filho de Ali Khamenei, Foto: Tasnim News Agency - via Wikipedia

▸ Mojtaba Khamenei exige fechamento das bases militares dos EUA no Oriente Médio e mantém bloqueio do Estreito de Ormuz.

▸ Líder iraniano ameaça compensações financeiras e ataques proporcionais contra bens do inimigo, reforçando postura de linha-dura.

▸ Discurso reafirma alianças com Hezbollah, Hamas e milícias regionais, enquanto busca amizade com países vizinhos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, subiu o tom contra o Ocidente nesta quinta-feira (12) em seu primeiro pronunciamento oficial após assumir o comando do país. Em mensagem lida na televisão estatal, o sucessor de Ali Khamenei, morto em fevereiro em uma operação conjunta de Estados Unidos e Israel, exigiu o fechamento imediato de todas as instalações militares americanas no Oriente Médio e ratificou o bloqueio ao Estreito de Ormuz, via vital para o escoamento global de petróleo.

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Todas as bases americanas da região devem ser fechadas imediatamente. Essas bases serão atacadas“, afirmou o líder, acrescentando: “O Irã não se absterá de vingar o sangue de seus mártires“.

A fala consolida a postura de linha-dura esperada pela Assembleia de Especialistas e sinaliza que a troca de comando não resultará em recuo diplomático diante da guerra iniciada no fim de fevereiro.

Cerco econômico e militar

Além das ameaças diretas, Mojtaba defendeu a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz, classificando a medida como um “instrumento de pressão contra o inimigo“. O bloqueio tem potencial para desestabilizar os preços internacionais de energia, atingindo diretamente as economias ocidentais.

O líder também anunciou que o regime buscará reparações financeiras pelos danos sofridos durante o conflito. “Exigiremos compensação do inimigo e, caso se recuse, tomaremos de seus bens na medida que julgarmos necessária; e, se isso também não for possível, destruiremos seus bens na mesma proporção“, declarou.

Tensões com a Casa Branca

O pronunciamento ocorre em um momento de incerteza sobre o estado de saúde do próprio Mojtaba. Embora o governo iraniano afirme que ele está “são e salvo“, informações de inteligência e relatos da agência Reuters sugerem que ele teria sido ferido nas pernas no mesmo ataque que vitimou seu pai. A ausência de uma aparição em vídeo, já que a mensagem foi lida por um apresentador, reforça as suspeitas.

Em Washington, o presidente Donald Trump reagiu com ceticismo à nomeação. Na quarta-feira (11), Trump afirmou que as forças americanas “derrubaram” a liderança iraniana duas vezes e sugeriu que o novo grupo no poder “não durará muito” sem o aval dos EUA. O republicano já havia classificado a escolha de Mojtaba como um “grande erro“.

Eixo de resistência

Mojtaba aproveitou o discurso para reafirmar alianças com grupos como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, em Gaza, além de milícias no Iraque e no Iêmen. Segundo ele, esses aliados são parte “inseparável dos valores da Revolução Islâmica“.

Apesar das hostilidades contra os EUA, o líder tentou tranquilizar as nações vizinhas, afirmando que o Irã busca a “amizade” regional e que os ataques retaliatórios têm como alvo exclusivo infraestruturas militares estrangeiras instaladas em solo vizinho.

Atacamos apenas essas bases militares e continuaremos, teremos que continuar e continuaremos a fazê-lo“, concluiu.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    13 de março de 2026 8:23 am

    A guerra é um grande negócio prá uns e uma tragédia para outros. Por exemplo, prá crianças iranianas que estudavam numa escola bombardeada pelos EUA e para os entes queridos de tais vítimas, a guerra foi e está sendo uma tragédia. Nada obstante, para o Trump e sua comandita, a situação é bem mais confortável:

    “Os Estados Unidos são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo; portanto, quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro”.

  2. Rui Ribeiro

    13 de março de 2026 9:09 am

    Acabei de ler matéria com o seguinte título:

    Como secretário de Defesa dos EUA passou a ver propósito moral em guerras como fraqueza

    https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/03/como-secretario-de-defesa-dos-eua-passou-a-ver-proposito-moral-em-guerras-como-fraqueza.shtml

    A leitura me fez lembrar de uma passagem de um texto do Luiz Gonzaga Belluzzo, intitulado “Os Brucutus da internet”:

    “Os indivíduos mutilados executam os processos descritos por Franz Neumann, em Behemoth, o livro clássico sobre o nazismo: ‘Aquilo contra o que os indivíduos nada podem – e que os nega – é justamente aquilo em que se convertem.’ O mundo da vida aparece sob a forma farsista de um CONFLITO ENTRE O BEM E O MAL, objetivado em estruturas que enclausuram e deformam as subjetividades. A indignação individualista e os arroubos moralistas são expressões da impotência que, não raro, se metamorfoseia em violência. Convencidas da universalidade do seu particularismo, as “boas consciências” distribuem bordoadas nos que estão no mundo exatamente como eles, só que do lado contrário.” – Luiz Gonzaga Belluzzo

    Jala-te, Bengue Hegseth

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